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Cotidiano
Meio Ambiente

Estudantes da rede pública do AM discutem problemas ambientais em aulas

Estudantes dos ensinos Fundamental e Médio discutem problemas ambientais a nível global, nacional, regional, estadual e local, mas de uma forma diferente das ensinadas em sala de aula no dia a dia da escola 06/06/2016 às 09:11
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Enquanto os filhos ficam nas atividades, os pais aguardam pacientemente (Foto: Aguilar Abecassis)
Silane Souza Manaus (AM)

“Nós estamos formando professores e, ao mesmo tempo, ajudando na formação de estudantes do ensino básico da rede estadual”. Essa é uma das definições que a professora Elizabeth Santos dá sobre a Escola do Meio Ambiente, projeto de extensão da Universidade do Estado do Amazonas (UEA),  desenvolvido há 12 anos na Escola Normal Superior (ENS), na Zona Centro-Sul.

O projeto reúne alunos de várias escolas estaduais, previamente convidados para uma aula diferente das que eles costumam ter nas unidades de ensino básico. “O diferencial começa pela própria contextualização do que é meio ambiente. A gente fala de questões ambientais e trabalha o meio ambiente mais sistêmico, abordando, ainda, questões sociais, econômicas, políticas e culturais”, disse Elizabeth.

As atividades da Escola do Meio Ambiente são desenvolvidas anualmente. Nesse ano, as aulas iniciaram no dia 7 de maio e seguem até o próximo dia 25, totalizando oito sábados de estudo. O projeto contempla quatro turmas do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental e quatro do 1º ao 3º ano do Ensino Médio. Os temas estruturados abordam, a cada sábado, problemas ambientais a nível global, nacional, regional, estadual e local.

Elizabeth  também é uma das coordenadoras do projeto de extensão e destaca que a Política de Educação Ambiental do Amazonas determina que os temas transversais (voltados para a compreensão e para a construção da realidade social e dos direitos e responsabilidades relacionados com a vida pessoal e coletiva), sejam trabalhados bimestralmente nas escolas, devendo seus planejamentos ser apresentados à Secretaria de Educação. 

No entanto, o que se observa é que esses temas, quando são trabalhados, acontecem em datas comemorativas, não sendo efetivados convencionalmente como visa a legislação. “Dessa forma, a Escola do Meio Ambiente vem também preencher essa lacuna oferecendo aos participantes a oportunidade de discutir a questão ambiental e os problemas do mundo contemporâneo”, enfatizou a professora Elizabeth, que há 40 anos trabalha formando professores.

 

Projeto

As atividades na  Escola do Meio Ambiente são desenvolvidas por uma equipe de universitários do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas da UEA, sob a coordenação de um grupo de professores da instituição, de monitores e de egressos que, como voluntários, realizam avaliação das atividades planejadas.

Pais esperam pelos  filhos

Enquanto os alunos do ensino básico estão em sala de aula da Escola Normal Superior da UEA, os pais ficam esperando do lado de fora. “É um incentivo que nós, como pais, damos aos nossos filhos para terem mais conhecimento e até um pouco mais de responsabilidade também. Eles ficam tristes quando não vem às aulas”, contou a professora Mari Cordeiro, 47, mãe de Thiago Cordeiro,  11. 

A autônoma Sandra Barroso, 58, mora no Tarumã-Açú, Zona Oeste, e todos os sábados, de ônibus, leva a neta Alessandra Bentes, 9, para assistir as aulas na Escola do Meio Ambiente. “É um sacrifício e tanto, mas como é para edificá-la, esse sacrifício vale à pena. 

Para o capitão da Marinha Orlando Garcia, 52, outras instituições de ensino superior deveriam adotar essa iniciativa e disponibilizar aos estudantes do ensino básico cursos sobre o Meio Ambiente. “Todas as faculdades deveriam levar essa proposta à comunidade porque motiva os alunos a continuar os estudos”, disse.

Em números

430 Alunos da rede de ensino básico participam da Escola do Meio Ambiente. As atividades são desenvolvidas por 46 universitários de licenciatura em Ciências Biológicas; 14 monitores e oito avaliadores.

Prêmio aos melhores

Os estudantes que participam do projeto receberão, no final  das atividades no próximo dia 25, certificado, e os melhores em diversas categorias serão premiados com medalhas.

Projeto transforma vidas

A Escola do Meio Ambiente tem influenciado diretamente na vida dos acadêmicos que participam do projeto. O egresso do curso de licenciatura em Ciências Biológicas da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) Alisson Thiago Barbosa, 30, não parou na graduação. “Foi por causa do projeto que eu entrei no mestrado em Ensino de Ciências da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e decidi ser professor, até então, eu queria ser pesquisador”, lembrou.

Atualmente, Barbosa é professor de Biologia no 3º Colégio Militar, na comunidade Parque São Pedro, Zona Oeste, e leva seus alunos para participar da Escola do Meio Ambiente. Além disso, mesmo depois de ter concluído a graduação, não abandou o projeto: atua como professor voluntário. “É um projeto que continua sendo muito importante na minha vida. Hoje trago os meus alunos para ter uma aula na universidade. Isso é muito motivador”, completou.

Outro exemplo é o biólogo João Batista, 27. Foi a partir da Escola do Meio Ambiente que ele abriu uma empresa de reciclagem. Ela, inclusive, foi contemplada, recentemente, no Sinapse de Inovação, programa que incentiva o empreendedorismo. A premiação: R$ 50 mil para transformar a ideia inovadora em empreendimento de sucesso. “Nosso produto é uma lenha ecológica feita de briquetes (blocos) de resíduos papeleiros”, revelou. 

Ele destaca que os conteúdos abordados na escola tangem a transversalidade, que te levam tanto para a área da educação quanto para do empreendedorismo ambiental. Hoje, ele atua nas duas vertentes. É a segunda edição do projeto de extensão que ele participar como egresso do curso de licenciatura em Ciências Biológicas. Assim como Barbosa, ele também é professor voluntário.

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