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Cotidiano
fishburguer

Hambúrguer de peixe estará no cardápio da merenda de pelos menos três escolas

Produto feito da carne de jaraqui e pirarucu pode fazer parte da merenda escolar da rede estadual do Amazonas 17/07/2016 às 22:30 - Atualizado em 18/07/2016 às 00:03
Silane Souza Manaus (AM)

Não há nada mais tentador para uma criança ou adolescente e até mesmo um adulto do que comer em uma rede de fast food, embora se saiba que a maioria das franquias não serve comida saudável, não é mesmo? Um dos lanches oferecidos nesses locais: o hambúrguer, pode fazer parte da merenda escolar da rede estadual do Amazonas. Mas, calma! O hambúrguer em questão é feito de jaraqui e pirarucu, dois dos peixes populares da bacia amazônica com o maior valor nutricional. 

A ideia pode ser implementada ainda este ano em três escolas estaduais do município de Beruri (a 173 quilômetros de Manaus) e faz parte de um projeto de conclusão de curso feito em 2012, pelo funcionário público Francisco Inan, 32. O fishburguer foi desenvolvido por ele no curso de Tecnologia de Alimento da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). O produto passou por análises laboratoriais e está dentro dos padrões de consumo exigidos pela legislação brasileira.

O hambúrguer de peixe é feito com 75% de carne de jaraqui e 25% de pirarucu. A mistura das duas espécies dar um sabor a mais para o sanduíche. “Fica maravilhoso e tem a questão do alto teor nutritivo, pois são ricos em proteínas, minerais, vitaminas do Complexo “B”, fósforo, ômega 3 e 6 e antioxidante natural. E, além de trabalhar com o pescado carro chefe de Beruri, o projeto também busca valorizar a produção desses peixes, que muitas vezes não gera renda para o município”, disse Inan. 

De acordo com o funcionário público, desde 2012, não teve incentivo de ninguém para levar o projeto adiante. O que pode acontecer agora uma vez que a Secretaria Estadual de Educação (Seduc) está considerando implantar o projeto, inicialmente, nas escolas da rede em Beruri. “Quando o professor Algemiro Ferreira Lima se tornou secretário ele me ligou e perguntou se eu queria pôr em prática o projeto. Como é um sonho aceitei na hora. Estamos nos tramites legais para implementá-lo aqui no município o mais depressa possível”, revelou.

Francisco Inan relatou que em 2012, o fishburguer foi apresentado numa escola e bem aceito pelos alunos. Durante esse tempo, como não tinha condições para fazer em grande escala para a venda, produziu apenas para consumo próprio ou para apresentações em eventos. Agora está radiante com a possibilidade de ver o projeto saindo do papel. “Infelizmente não tinha recursos e ninguém se interessava pelo produto. Meu sonho é vê-lo fomentando toda merenda escolar do município e de outras regiões do Estado e do País também”, pontuou.

Assim como Francisco Inan, outros colegas do curso de Tecnologia de Alimento desenvolveram projeto tendo com base o peixe. Para ele, se o fishburguer for desenvolvido como está previsto é uma oportunidade para os demais avançarem também. “Todos os projetos assim como esse tiveram suas devidas aprovações em teste de qualidade microbiológico”, completou.

Outros projetos

Além do fishburguer, outros projetos parecidos e de grande valor nutricional foram desenvolvidos por estudantes de Beruri no mesmo curso de Tecnologia em Alimentos da UEA, cursado por Francisco Inan. Entre os quais está: empanado, linguiça e quibe, todos produzidos com carne de jaraqui, pirarucu, aruanã, tambaqui, além de outras espécies que tem em grandes proporções e não são bem aproveitadas.

Seduc estuda a implantação de  horta

Também é intenção da Secretaria Estadual de Educação (Seduc), dotar cada escola pública do Estado de uma horta comunitária para abastecer a merenda escolar. O recurso para a implementação do projeto vem do programa governamental “Todos pela Vida-Educação”, criado especialmente para financiar serviços, obras de reparo e projetos desenvolvidos no âmbito das unidades de ensino estaduais do Amazonas.

De acordo com o secretário estadual de Educação, Algemiro Ferreira Lima, o objetivo é implantar horta em todas as 586 escolas da rede. Desse total, 355 unidades estão com as contas aprovadas e, portanto, aptas para receberem o recurso e dar início ao projeto. “O governador José Melo disse que não é para esperar que todas estejam habilitadas para liberar o repasse financeiro. Então, a partir desta semana, as verbas começam a ser liberadas para as primeiras escolas”, revelou. 

As escolas poderão fazer horta vertical, horizontal, convencional, enfim, conforme a sua necessidade. Cada unidade receberá R$ 1 por aluno, ou seja, média de R$ 800 a R$ 1 mil para implantação do projeto, que visa melhorar a qualidade da merenda escolar do Estado. “Além da consciência ambiental, também incrementamos a merenda com hortaliças e verduras deixando os pratos mais bonitos, saborosos e com alto teor nutritivo”.

Apesar de ainda não terem recebido recursos para implantar a horta escolar, algumas unidades de ensino deram início ao projeto assim mesmo, como é o caso da Escola Estadual Brigadeiro João Camarão Telles Ribeiro, no bairro São Lázaro, Zona Sul. No local, foram plantados diversos tipos de hortaliças e verduras, que já fazem parte da merendas dos alunos.

Sobre a implementação do fishburguer na merenda escolar, o secretário estadual de Educação disse que o processo está em andamento. Conforme ele, o projeto precisa passar por uma revitalização para poder se enquadrar na parceria que a Seduc quer firmar. “Conversei com o responsável pelo projeto e dentro de 30 dias devemos dar início a parceria. Inicialmente, o projeto piloto começará em Beruri, mas se a produção de hambúrguer de peixe for grande poderá ser comprada pela Agência de Desenvolvimento Sustentável (ADS) e fazer parte do nosso cardápio a partir de 2017”.

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