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Cotidiano
TRAGÈDIA

Segunda vítima de incêndio em Novo Aripuanã morre em hospital de Manaus

Marciane Castro França, apontada pela polícia como um dos alvos de autora do incêndio, faleceu na manhã desta terça-feira (14). Outras duas crianças feridas seguem internadas em hospitais da capital 14/02/2017 às 11:06
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Suspeita de ter incendiado casa foi agredida pela população (Foto: Divulgação)
Oswaldo Neto e Kelly Melo Manaus (AM)

Outra vítima de um incêndio registrado no município de Novo Aripuanã (distante 229 quilômetros de Manaus) morreu na manhã desta terça-feira (14). Segundo o Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto, a vítima é Marciane Castro França, 26, mãe de uma criança de nove meses que segue internada. Um menino de dois anos morreu no incêndio.

Segundo a assessoria de imprensa do hospital, Marciane faleceu às 7h58 desta terça após seu quadro clínico ter se agravado na tarde de ontem. As causas da morte devem ser levantadas pelo Instituto Médico Legal (IML).

Outras duas crianças, incluindo a filha de Marciane, seguem internadas. A bebê de nove meses teve 70% do corpo queimado e está internada na Policlínica Codajás. Um menino de cinco também está internado no local em estado estável.

Segundo a polícia, Marciane era o alvo de Luzinete de Costa Gama, 30, presa suspeita de ter ateado fogo na residência. O caso gerou revolta na cidade e a população chegou a depredar a delegacia do município e agredir a suspeita. Ela foi trazida para o Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto, em Manaus, e está fora de perigo. 

Lucinete sofreu queimaduras de segundo grau em várias partes do corpo, inclusive das vias aéreas, além de traumatismo craniano. O boletim médico informou que ela teve 20% do corpo queimado.

A vítima, que é apontada pela polícia apontada como a responsável por um incêndio que causou a morte de uma criança em Novo Aripuanã, sofreu uma série de agressões por parte da população que ficou revoltada com o crime.

Dano ao patrimônio

A Polícia Civil informou que no dia da confusão, ao menos 500 pessoas invadiram a unidade policial, atearam fogo no local, quebraram vidraças e incendiaram um carro e quase mataram Lucinete. Os policiais não conseguiram evitar o tumulto e 17 presos aproveitaram o episódio para fugir da delegacia.

O diretor do Departamento de Polícia no Interior (DPI) da Polícia Civil, Mariolino Brito, afirmou que várias pessoas envolvidas no tumulto estão sendo ouvidas na delegacia e após serem identificadas, elas serão indiciadas por dano ao patrimônio público.

Ele também afirmou que todos os 17 presos, que fugiram no dia do motim, foram recapturados e retornaram para a carceragem da unidade policial. Quanto à situação de Lucinete da Costa, Mariolino Brito destacou que ela responderá pelo crime que cometeu em Manaus, no Centro de Detenção Provisório Feminino, assim que receber alta médica.

Situação controlada

O comandante de Policiamento de Interior (CPI) da Polícia Militar, Álcio Sampaio, afirmou que a situação está controlada no município, mas o policiamento ainda segue reforçado por soldados do município de Borba. “Hoje o quadro é de normalidade, visto que a responsável pelo motim está em Manaus”, ressaltou o comandante.

‘Animalesco’

Vídeos divulgados nas redes sociais mostraram a agressividade da população de Novo Aripuanã em fazer “justiça com as próprias mãos”. As cenas foram gravadas por pessoas que estavam no meio do tumulto e mostram o momento em que a mulher receber chutes e é lançada em uma carro pegando fogo.

O delegado do município, Vinícius Silveira, classificou o episódio como “animalesco”. “Ela matou uma criança e eu sabia que isso poderia acontecer, mas não conseguimos evitar”, contou o delegado.

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