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Segundo debate entre governáveis é marcado por troca de acusações entre Braga e Melo

No debate que durou duas e foi dividido em cinco blocos, Eduardo Braga foi alvo de José Melo e Marcelo Ramos, que se digladiaram em meio às críticas sobre a situação dos setores de segurança pública, educação, saúde e economia do Amazonas 10/09/2014 às 09:18
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Debate entre candidatos ao Governo do Amazonas, na TV Em Tempo, em Manaus
acritica.com ---

O segundo debate entre os candidatos a governador do Amazonas, promovido pela TV Em Tempo, filiada ao SBT em Manaus, foi marcado por embates entre os três candidatos que lideram as intenções de votos. Eduardo Braga (PMDB), José Melo (Pros), Marcelo Ramos (PSB), Marco Antônio Chico Preto (PMN) e Abel Alves (Psol) falaram de suas propostas e críticas a atual situação política do Estado.

O debate, que começou às 21h, durou duas horas e foi dividido em cinco blocos, com perguntas que trataram de propostas nas áreas de saúde, educação, economia, segurança pública, setor rural,  esporte e cultura.desenvolvimento para o interior,

Durante o debate, o candidato Marcelo Ramos (PSB) atacou as gestões de José Melo, atual governador, e Eduardo Braga (PMDB), ex-governador, citando, como exemplo, que o Produto Interno Bruto (PIB) do Amazonas aumentou de R$ 4 bilhões para R$ 16 bilhões nos últimos anos, embora seja considerado o quarto entre as unidades da federação em número de miseráveis.

Braga, toda vez que se referia a Melo, criticava a gestão do atual governador e invocava um refrão "Melo e Omar, Omar e Melo", para sublinhar ao máximo a associação entre os dois.

Abel criticou a troca de acusações, que ele acreditava que "não engrandecia o debate". Apesar disso, ele, assim como Chico Preto, ficaram muito à margem do debate e não chamaram a atenção durante o mesmo: Abel, ainda que mais "desperto" neste debate que no último, reiterou que suas prévias posições no Judiciário e Legislativo lhe davam capacidade para governar o Estado, e Chico Preto investiu num discurso brando, que apelava muito para valores familiares.

Saúde

O senador Eduardo Braga, que agora quer voltar a governar ao Amazonas, adotou a estratégia de atacar os governos de Omar Aziz (PSD) e José Melo, seus antigos aliados políticos, até as últimas eleições, criticando o caos na segurança pública e o "sucateamento" da saúde. 

"Vemos o descaso com filas desumanas, infindáveis, falhas na marcação de exames. O governo Melo e Omar não tratou a saúde como você merece. Mamógrafos estão encaixotados no interior, só serve pra propaganda. Você gastou milhões com propaganda. Consultas, exames, filas intermináveis e cirurgias sem ser realizadas", alfinetou Braga.

Melo rebateu: "Não é verdade o que você está dizendo. Você está querendo enganar o povo do Amazonas com histórias". Nervoso, o atual governador se confundiu dizendo que seu governo adquiriu mamógrafos para combater o câncer de 'colo de útero', ao invés do câncer de mama.

Chico Preto ainda saiu com uma proposta inusitada: quando falou da criação dos PACs da Família, sinalizou que seu projeto de saúde também contemplará "saúde espiritual", com a inclusão de pastores e padres no sistema público.

Segurança pública

Em relação à segurança, Melo retrucou que os índices de criminalidade do governo Braga cresceram 70%. Ainda citou implantação do programa d esegurança Ronda no Bairro e o Plano de Cargos, Carreira e Salários (PCCS) da Segurança Pública como heranças positivas de sua gestão. "Não envergonhamos o povo do Amazonas como governos aí fizeram...".

Braga rebateu citando dados do Mapa da Violência do Brasil que justificava o aumento no número de homicídios durante a gestão de José Melo. "Tiveram mais dinheiro e só concluíram o que eu deixei".

Ácido, Marcelo Ramos interveio durante espaço para falar das propostas para o interior do Amazonas: "É patético assistir a briga desses dois senhores. Eles são como irmãos siameses. Sempre caminharam juntos".

Economia

No campo da economia,  Chico Preto acrescentou que sua proposta será destravar o Centro de Biotecnologia do Amazonas (CBA) para incentivar a produção de medicamentos e cosméticos no Polo Industrial de Manaus (PIM), além de explorar as potencialidades econômicas do interior no setor primário.

Abel Alves destacou a importância da restauração da BR-319 para impulsionar a economia regional, bem como a exploração do potencial mineral do Estado.

Quanto à economia, Ramos afirmou que para o Estado crescer é necessária atitude política para superar a crise de energia e telecomunicações, além da melhoria na infraestrutura como a construção de estradas e portos. "Temos que parar de querer ser dono da prorrogação na Zona Franca. Essa é uma brincadeira com o trabalhador que acorda cedo e com o empresário que investe aqui. Não adianta político se apoderar dessa história. Precisamos ter coragem de fazer o que não foi feito, resgatar o crescimento do setor primário que nesses últimos anos caiu de 6,1% do PIB para pouco mais de 5%", alfinetou ele sobre o fato de Braga ter sido o relator da PEC da Zona Franca, no Senado. 

Acusações

O clima esquentou quando Ramos criticou o excesso de dinheiro gasto com propaganda durante o governo Braga, até 2010. "Ele que falou de propaganda de Melo e Omar. Ele que teve Melo como secretário. (Braga) Tu que elegeste esses dois, tu és responsável por esse governo tão desastroso socialmente quanto o teu. Esse Estado é muito rico, cheio de gente trabalhadora, gente que quer fazer melhor. Não pode ser entregue a esse jogo de cena, a essa briga simulada".

Em resposta, Braga acusou Marcelo Ramos de má gestor enquanto secretário municipal de Manaus, nos anos de 2005 a 2008. "Meu discurso não é raivoso. Tem gente que foi presidente do SMTU e acabou com o sistema de transporte, fez uma administração ruim que não conseguiu se reeleger".

Para replicar Marcelo acusou Braga de enriquecer ilicitamente através de sua vida pública. "A minha vida é compatível com o que ganho. Sou um homem simples e trabalhador. Você é um ótimo gerenciador da sua fortuna pessoa que beira os R$ 30 milhões"

Com a acusação, Braga pediu direito de resposta. "Trabalho desde os meus 15 anos e meu patrimônio é declaração no Imposto de Renda. Todos conhecem minha família e minha origem", retrucou.

Considerações finais

Ao final do debate, Abel manteve o discurso positivo. Marcelo, respondendo uma prévia provocação do candidato Braga, que lhe chamou de raivoso: "não sou raivoso, sou indignado". Ele ainda propôs: "Eles acreditam em poder e dinheiro, eu acredito nas pessoas".

Melo manteve sua vontade de ter mais anos de governo e respondeu ao comentário de Marcelo, que disse que ele vivia "nos braços de Braga", que ele "preferia estar nos braços da Edilene [sua esposa] a noite toda".

Braga, por fim, encerrou tentando se mostrar uma alternativa tanto para Melo, o qual ele associou a uma "fantasia da propaganda oficial", quanto para Marcelo, que, para ele, fazia um "jogo de palavras raivoso". E encerrou, emotivo: "Queremos, portanto, escrever uma página de amor para o futuro do Amazonas".

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