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Cotidiano
NUTRIÇÃO

Segundo levantamento, brasileiro consome sete litros de agrotóxicos por ano

Pesquisas e análises divulgadas pela Fundação Oswaldo Cruz na semana do meio ambiente trazem números assustadores 07/06/2017 às 23:16 - Atualizado em 08/06/2017 às 14:50
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Consumidores no setor de verduras e legumes da Feira do Produtor. Foto: Márcio Silva
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Um levantamento da Fundação Oswaldo Cruz detectou que o brasileiro consome incríveis sete litros de agrotóxicos por ano embutidos em alimentos consumidos de produção agrícola. E mais: segundo dados do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o Brasil ocupa, desde 2008, a nada invejável posição de campeão mundial do uso dessa substância química utilizada para matar as pragas da lavoura.

Os males causados à saúde humana pela ingestão de agrotóxicos são variados, indo da impotência sexual, distúrbio hormonal, transtornos neurológicos, além do câncer. O carbofurano, que pode ser cancerígeno, causa mutações e malformações fetais, ainda é vendido livremente no País sem qualquer proibição. 

Herbicida mais usado no Brasil, o glifosato e os inseticidas malationa e diazinona foram apontados por uma pesquisa da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), publicada em 2015 na revista científica “The Lancet”, como prováveis agentes carcinogênicos (capaz de provocar ou estimular o aparecimento de carcinomas ou câncer em um organismo).

“Os danos que os agrotóxicos causam à saúde humana decorrem de processos de intoxicação, que resultam da exposição a esses produtos”, explica o assessor técnico da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), Nailton Lopes, durante o ciclo de palestras “O Que eu Faço pelo Meio Ambiente”, realizado  no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC), dentro da programação da Semana do Meio Ambiente da instituição.

Coordenador do Grupo de Trabalho Interinstitucional de Atenção Integral à Saúde de Populações Expostas à Agrotóxico (GT Agrotóxico),o especialista destaca que o agricultor, apesar da prática equivocada no uso de agrotóxicos, tem vontade de mudar. “E isso só será possível com apoio de instituições governamentais, a exemplo do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário do Estado do Amazonas (Idam), por meio dos serviços da Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater)”, declara ele.

Sem agrotóxicos
Uma etapa dessas mudanças comentadas por Nailton Lopes vem sendo praticada na comunidade rural Nova Esperança, no bairro Valparaíso, Zona Leste da cidade, pelo agricultor paraense Luiz dos Santos Ferreira, 5: ele comentou que está utilizando “pouco agrotóxico para não afetar o ser humano”. “Nós dependemos muito do agrotóxico, mas depois de tudo que aconteceu (com a saúde das pessoas) estamos tentando usar o menos possível”, disse ele, que planta cebolinha, coentro, alface e couve.

“A plantação ainda não está 100% natural, mas está hoje em 80%”, explica o agricultor, que com sua produção abastece a Zona Leste e 20% para a Feira da Manaus Moderna. A produção caiu 70% devido a ‘terra ter cansado’”, diz ele, 

Assim como o especialista Nailton Lopes comentou anteriormente, seu Luiz dos Santos explicou que os agricultores precisam de ajuda do Governo para plantarem, colherem e escoarem a produção. “Precisamos de mais incentivo, como técnicos agrônomos para ficar nos acompanhando, de repente até mesmo para nos orientar sobre o agrotóxico”, conta ele.

João Batista “Dão” - Feirante da Feira do Produtor
“Nós temos a preocupação de comprar produtos sem agrotóxicos para revender, como cebola, maçã, uva, tomate, cenoura, repôlho mas não sabemos de onde vem, só que a maior parte é de fora. Não há como saber se tem ou não agrotóxicos. Regional tem o pepino, pimentão, pimenta de cheiro, cheiro-verde, cebolinha, alface... É difícil o comprador que vem aqui na feira perguntando se o produto tem agrotóxico, Ele quer ver a mercadoria limpa e bonita. O problema é que o inseto em todo canto dá. De Boa Vista pra cá não pode vir uma manga porque lá está empestado de pragas.

275 mil - é o número de agricultores familiares existentes no Estado do Amazonas, segundo dados informados pelo assessor técnico da FVS, Nailton Lopes.


Nutricionista adverte sobre males
A nutricionista  Tatiane Lorena enumera que são vários os problemas causados pelos agrotóxicos. “Um dos principais é a questão do câncer, onde já foi comprovado que muitos tipos de agrotóxicos causam isso, mais infertilidade masculina e feminina, na gravidez o feto nasce com problemas... e a questão da quantidade faz com que haja problemas neurológicos até na fase adulta. A mesma situação é a questão do que ocorre em relação ao pimentão verde: no Amazonas temos 300% a mais de uso de agrotóxicos e a manipulação não é feita corretamente”, alerta a especialista. 

Tatiane Lorena comentou a importância da higienização com uso do cloro (hipoclorito), onde se consegue tirar o excesso de agrotóxico de alimentos como o próprio pimentão e outros. “Dá pra tirar o agrotóxico com o hipoclorito, por isso a importância de comprar o legume de forma orgânica. É preciso fazer a higienização de qualquer produto, pois eles são contaminados com bactérias. A água sanitária só deve ser usada por pessoas com hábito e consiga fazer dosagem correta. Geralmente se for hipoclorito com baixa concentração é 1 colher de sopa para 2 litros de água, e para água sanitária muitas das vezes, dependendo da marca, é 1 colher para 5 litros deixando o alimento de 10 a 15 minutos e lavando com água filtrada”.

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