Publicidade
Cotidiano
Notícias

Segundo pesquisa, mulheres são maioria entre jornalistas do Brasil

Estudo divulgado nesta quinta-feira (04) pela Fenaj mostra, pela primeira vez, as principais características dos jornalistas do Brasil 05/04/2013 às 11:06
Show 1
Pesquisa mostra que as mulheres são a maioria dos profissionais que atuam nas redações dos jornais brasileiros
Antônio Paulo ---

Quem é o jornalista brasileiro? Essa pergunta acaba de ser respondida. Inédito no País,o perfil da profissão está traçado em um levantamento feito por 15 pesquisadores do programa de pós-graduação em Sociologia Política da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em convênio com a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj). Os dados obtidos na pesquisa mostram que existem hoje no Brasil 145 mil jornalistas com registro profissional, sendo que 40% deles moram e trabalham em São Paulo. Desse universo, a maioria, 64%, é formada de mulheres brancas, solteiras, com até 30 anos. Os jornalistas homens são 36%. O lançamento do estudo aconteceu ontem na sede da Fenaj, em Brasília.

Realizada por meio de enquete em rede, com 2.731 jornalistas de todas as unidades da federação e do exterior, a participação se deu por meio de e-mails, redes sociais, notícias em canais especializados e pela página da pesquisa na Internet. A coleta de dados online, por telefone e e-mail, foi feita entre 25 de setembro e 18 de novembro de 2012.

“Agora, sabemos que a maioria dos jornalistas brasileiros é de mulheres, embora isso não se reflita na hora do salário, ou seja, o acesso aos cargos de chefia, que tem uma remuneração superior ainda é muito restrito aos homens. É uma inversão da hora dos maiores salários (cinco a dez mínimos), pois, as mulheres estão ganhando menos”, lamenta um dos pesquisadores, Samuel Lima, da UnB/UFSC. O professor aponta que a tendência futura é que as mulheres cheguem aos cargos de chefia e essa curva (64% contra 36%) passe a representar em termos de gênero o que representa o universo feminino no jornalismo brasileiro. “Mas, hoje, há uma política seletiva de acesso a esses cargos de maior remuneração, que ainda é marcadamente masculina e não reflete o perfil profissional da categoria”, complementa.

Além do universo feminino, descobriu-se que os jovens estão dominando o mercado. Os jornalistas de 18 a 30 anos são quase 60% da categoria profissional no País. Segundo o professor Samuel Lima, esse dado é basicamente pelo aumento da oferta de cursos de jornalismo sobretudo na iniciativa privada, nos últimos 30 anos.

“O jornalismo passou por um período histórico de muito prestígio e de muita procura. Estamos falando desde Watergate (o escândalo descoberto pela imprensa norte-americana que derrubou o presidente Richard Nixon), no final dos anos de 1970; o Collorgate, os anões do orçamento, uma série de episódios da vida política que receberam uma cobertura, um tratamento especial e de qualidade jornalista. Isso se reflete na procura pela profissão”, explica o pesquisador.

Publicidade
Publicidade