Segunda-feira, 22 de Abril de 2019
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Transporte Fluvial

Naufrágios recentes no Brasil acendem alerta para a navegação no Amazonas

Este ano aconteceram 53 acidentes com 20 vítimas fatais, no Amazonas. O número de mortes é superior ao registrado em todo o ano passado


26/08/2017 às 18:52

Os três acidentes envolvendo embarcações nos estados do Pará e da Bahia, que ocorreram este mês, deixaram ao menos 50 mortos e chamaram a atenção para a importância da segurança da navegação e da vida humana. No Amazonas, este ano aconteceram 53 acidentes com 20 vítimas fatais. O número de mortes é superior ao registrado em todo o ano passado quando houve 71 acidentes e 19 óbitos. Os dados são do Comando do 9º Distrito Naval.

Todo o cenário preocupa uma vez que o transporte fluvial concentra a maior parte da condução de carga e passageiros no Amazonas. Quem utiliza esse meio de locomoção frequentemente diz que fica atento quanto às condições e regularização das embarcações é fundamental para que se tenha uma boa viagem. “Eu procuro viajar em barcos que eu conheço, pois sei que tem autorização e os itens de segurança que precisamos”, disse a microempresária Tina Fragoso, 46.

Tina fui a Juruti buscar a mãe para fazer tratamento médico em Manaus

Assim como Tina, que viajou ontem para Juruti, no Pará, onde a mãe mora, a dona de casa Maria Linduina Alves da Silva, 64, também prefere viajar em barcos conhecidos por passar maior confiança. “Tem várias embarcações que vão de Manaus para Santarém (Pará), mas gosto de ir em apenas uma delas por ser maior e por eu conhecer o trabalho do comandante e dos tripulantes. Por isso, sou cliente há muitos anos”, disse. 

Depois de fazer uma cirurgia em Manaus, Linduina volta para casa em Santarém, no Pará

Ambas  afirmaram que o maior medo que  têm ao viajar  é de temporal. O autônomo Orlando Pires da Silva, 55, é outro que tem receio de enfrentar a “fúria” da natureza. “É por isso que eu sempre viajo em barco grande porque são mais seguros que os pequenos. Temos de estar atentos, inclusive para os equipamentos de segurança para não sermos pego de surpresa”, declarou ontem ao embarcar para Parintins. 

O Comando do 9º Distrito Naval informou que o passageiro pode solicitar ao comandante a habilitação, o despacho que autoriza a viagem e a documentação da mesma, a fim de verificaras reais condições para a navegação. Se o mesmo recusar-se a mostrar os documentos, no caso de desconfiança de irregularidades, o passageiro poderá denunciar a embarcação ou o comandante à Capitania pelos telefones: (92) 99302-5040, que também funciona como WhatsApp; 185, Emergências Marítimas/Fluviais; e pelo Disque Denúncia, 0800 280 7200.

Responsabilidade

Desde 1994 viajando pelo rio Amazonas, entre Manaus e Santarém, no Pará, o comandante do N/M Golfinho do Mar II, Esmeraldo Rocha de Souza, diz que a cada dia aprende mais e a opinião do passageiro vale muito. 

Comandante Souza tem 23 anos de experiência

“A pessoa que chega à embarcação e vê o que está faltando  pode nos procurar para que possamos resolver a situação. Temos o dever de levar todos em segurança por isso devemos ter muita atenção a cada viagem que fazemos porque todo acidente tem uma falha”, afirmou.

Souza ressalta que o apoio que a Marinha dá para a navegação torna as viagens  mais seguras. “Toda vez que saímos do porto de Manaus somos abordados e só seguimos viagem se tudo estiver ok”.

Mortes superam as seiscentas

Seiscentas e dez pessoas morreram em acidentes de transporte fluvial nos últimos dez anos nos estados do Amazonas e Pará. O número é quase a metade das ocorrências registradas no País, que somam 1.289, segundo reportagem do Estadão Conteúdo publicada no portal Acritica.com. A Bahia fica empatado em segundo lugar com o Ceará entre os estados do Nordeste com mais acidentes.

Mais de 33 mil navegam no Estado

Por ano, a média de novas embarcações nos rios amazonenses é de 1.810, de acordo com as Organizações Militares do Serviço de Segurança do Tráfego Aquaviário (SSTA) do Estado do Amazonas. Atualmente, 33.214 barcos encontram-se cadastrados na Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental (CFAOC). Não há registro sobre a quantidade de embarcações clandestinas.

Embarcações com casco de ferro são mais seguras que se fosse de madeira, aponta comandante Esmeraldo Souza

Ainda conforme o 9º Distrito Naval, de janeiro até agora, foram solicitados 444 inscrições de embarcações e autorizadas 358 pela Capitania.

Em 2016, na jurisdição da capitania no Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima, foram abordadas 9.137 embarcações,  1.258 foram notificadas e 482 apreendidas. Este ano, até o último dia 24, foram abordadas 4.439 embarcações, notificadas 743 e apreendidas 213. As principais causas que levaram a apreensão das embarcações  são a falta de habilitação do condutor e a falta de tripulante e da documentação da embarcação.
 

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