Quinta-feira, 22 de Agosto de 2019
MEDIDA

Sem energia há dois dias, Prefeitura de Manacapuru decretará Estado de Emergência

A ausência de energia elétrica acarretou na falta de abastecimento de água tratada. Escolas e UBS estão fechadas e hospitais só atendem casos de urgência e emergência



SEM__GUA_1D98EDBA-76BC-40D0-8694-1DFC44B77922.JPG Fotos: Jander Robson
20/02/2019 às 19:54

Há mais de dois dias sem energia elétrica, a população do município de Manacapuru (a 84 quilômetros de Manaus) relatou, nesta quarta-feira (20), para A Crítica os impactos e prejuízos causados por conta da interrupção, ocasionada devido a um curto-circuito em um cabo subaquático de 69 kV, na segunda-feira (18).  O prefeito da cidade, Beto D'angelo, afirmou à reportagem que vai decretar Estado de Emergência e entrar com uma ação na Justiça contra a Eletrobras. 

 “No primeiro momento, achamos que fosse algo fortuito, mas percebe-se que vai além disso. A coisa está realmente séria. Diante disso, estamos entrando com uma ação contra a Eletrobras para que a gente possa assegurar [compensação] às pessoas que estão sendo prejudicadas, como comerciantes”, afirmou o prefeito.

A falta de energia é decorrente da tentativa de furto do cabo subaquático na última quinta-feira. A promessa da concessionária de energia era que o serviço seria restabelecido ainda na noite de ontem.

Além de prejudicar diretamente moradores, comerciantes, que estão perdendo toneladas de alimentos perecíveis, a problemática afetou o serviço de saúde, que está paralisado, e as escolas, que estão de portas fechadas.  “Tive que comprar gelo para manter meu iogurte e o sorvete. Frango, eu já não tenho. Fico com medo porque estou perdendo tudo. O mercadinho está fechando cedo e também estou perdendo cliente porque eu não tenho como manter as coisas conservadas, por isso o prejuízo”, contou a microempresária Francivalda da Silva, 35. “Também não estou conseguindo pagar meus boletos pelo fato da cidade estar como está. Não tenho como pagar sem energia”, acrescentou ela.

A comerciante Érica de Souza, 26, também repôs o freezer dela com mais gelo no intuito de salvar o que ainda restava. “Já perdi os sorvetes. Ontem, coloquei mais gelo e ainda não vi como está a situação dos meus frangos. Ali está o cheiro verde que precisa ficar na geladeira e não tem como”, disse.

Graciete Rollemberg, 62, contou que o açougue da família funciona há 20 anos e esta é a primeira vez que o estabelecimento está fechado, tudo por conta da dificuldade em manter conservadas carne e bebidas. 

“O açougue está parado. O meu marido está tentando comprar gelo para salvar as bebidas que ainda têm, mas as carnes não escapam, ficaram roxas”, relatou. “Desde sexta-feira estamos sem energia, foi embora depois voltou na segunda-feira, quando foi interrompida novamente. Na terça, tivemos nem uma hora com energia, impossível recarregar o celular. Até o contato fica difícil”, completou.

A falta de energia elétrica também acarretou na falta de abastecimento de água tratada. Muitas pessoas estão indo para a margem do rio para captar água para o uso cotidiano.  “Está todo mundo sem água, indo para as beiras de rio, comprando água ou carregando de locais que doam”, disse Graciete.

“Não tem água para tomar banho. As pessoas estão carregando essa água imunda do rio para consumo. Nem fui trabalhar hoje porque não há condições. Tivemos alguns minutos de energia ontem e apenas”, contou uma moradora de 36 anos que pediu para não ser identificada.

Posicionamento

A Eletrobras Distribuição Amazonas informou que, na última quinta-feira (14), após vândalos tentarem furtar o cabo, foi feita manutenção e recuperação  provisória do cabeamento,  devido à complexidade e a tecnologia embarcada nestes cabos, que são fabricados e encomendados de fora do País.

Diante disso, na noite da última segunda-feira, um curto-circuito no mesmo cabo subaquático de 69 kV, provocou interrupção de energia nos municípios de Iranduba e Manacapuru. 

Ainda em nota, a Eletrobras Distribuição Amazonas afirmou que previsão para normalizar gradativamente o serviço em algumas localidades de Iranduba e Manacapuru seria até o fim do dia de ontem. Porém, diante do trabalho minucioso, “a solução que trará confiabilidade no sistema levará em torno de 25 dias para ser finalizada”, finalizou.

Prefeitura vai cobrar concessionária

Diante da problemática, o prefeito de Manacapuru afirmou à reportagem do jornal A Crítica que medidas estão sendo tomadas para minimizar os impactos da interrupção de energia  no município, que tem pouco mais de 95 mil habitantes. “Em momento nenhum, a Eletrobras Distribuição Energia nos comunicou que iria fazer um serviço paliativo. Até a informação de que eles fariam manobras de racionamento, eles não concluíram”, disse. 

Conforme o prefeito, nunca houve algo parecido na cidade. “É primeira vez que Manacapuru passa por uma situação como essa, acontece racionamento, mas geralmente é algo programado e há uma expectativa para normalização. Infelizmente, a cidade está passando por um caos e não temos geradores potentes para ligar as bombas e fazer com que haja o fornecimento de água”, acrescentou.

Ainda de acordo com Beto D’angelo, serviços como o de saúde estão paralisados na cidade por conta da falta de energia. Só urgência e emergência estão funcionando. “Serviços institucionais estão paralisados, algumas Unidades Básicas de Saúde estão fechadas, nos hospitais o que há é o atendimento essencial”, disse.

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