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Sem nenhuma unidade há anos, moradores cobram escolas no bairro Lago Azul em Manaus

Há cinco anos invasão foi reconhecida como bairro. Desde então, nenhuma unidade de ensino chegou a ser inaugurada na área 01/04/2015 às 11:56
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Em janeiro, o Implurb notificou os invasores e pediu para que eles saíssem informando sobre a construção da creche. Maioria saiu
LÍVIA ANSELMO Manaus (AM)

Desde 2010, com a Lei nº 1.401, o bairro Lago Azul deixou de ser invasão. Na teoria, o reconhecimento enquanto bairro traz melhorias e avanços em áreas como saúde, educação e segurança. No entanto, para os moradores, após 5 anos, a principal reclamação ainda é a falta de escolas que atendam as crianças e adolescentes do bairro.

Nos últimos meses, a esperança de quem mora na área com crianças se concentrou na desocupação de um terreno na rua Sálvia Vermelha. Em janeiro, o Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) notificou os invasores da área e garantiu que a retirada deles era necessária para que a escola fosse erguida. Até hoje, quase 4 meses depois, nenhum sinal da obra foi dado.

Com 4 filhos, a dona de casa Edimara da Silva de Souto, 26, enfrenta a dificuldade de não ter uma escola no bairro que atenda a demanda da comunidade. Todos os dias ela tem que levar as crianças para aula em uma unidade de ensino no Riacho Doce, Zona Norte. “Eu pego dois ônibus, mas vou levá-los. Para não dar duas viagens vou e fico na casa da minha sogra que mora perto da escola”, conta.

Opção para os pais existe. Quem preferir, pode tentar vagas nas escolas localizadas ao longo da BR 174 e AM 010, mas a distância e o medo de acidentes não agrada a maioria. “Criança é danada. Eu não vou entregar meus filhos para o motorista do transporte escolar sabendo que a viagem por si só é perigosa porque há muitos veículos grande na estrada, quando chove também fica um perigo”, lembra Edimara.

Ozianir Alves, 30, também fala da esperança de que o terreno baldio seja utilizado para a construção de uma escola. “Foi bom porque criamos esperança, mas até agora parece que nada foi feito”.

Para ele, um dos problemas de o terreno continuar vazio é justamente a presença de usuários de drogas que se aproveitam do local como esconderijo. “Os bandidos assaltam e correm aí dentro, se escondem e está tudo certo”, contou.

Invasão

Na época, cerca de 30 famílias foram retiradas. No entanto, após tanto tempo, já é possível encontrar casas ocupadas novamente.

O retorno, segundo Ozinair, se deu por conta da demora para o início das obras. “Já estamos achando melhor ocupar que deixar a área limpa para bandidos se esconderem”, disse. Ele e a família moram em frente ao terreno.

A reportagem tentou contato com o Implurb para questionar a a denúncia de nova ocupação e o que será feito, mas até o fechamento desta matéria não obteve retorno.

Espera

Um Centro de Ensino de Tempo Integra (Ceti) está para ser inaugurado no bairro Lago Azul, na rua Alameda. É a única escola do bairro. Segundo a Secretaria de Estado de Educação (Seduc), a previsão é que a escola, com capacidade para atender mil alunos, seja inaugurado nesse segundo trimestre.

Após sete anos morando em frente as obras da escola, na Alameda A, o comerciante Sônia Maria Vilaça, 39, espera pela inauguração. “Nós esperamos que agora seja a vez de atender as crianças aqui dentro. É a única escola que vamos ter”, disse. A Seduc informou que a unidade de tempo integral vai atender de 6º ao 9º e ensino médio no turno noturno.

Segundo ela, as obras começaram na gestão do agora senador Eduardo Braga (PMDB) e era a esperança de que os pais poderiam matricular seus filhos próximo de casa.

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