Publicidade
Cotidiano
'MAUS CAMINHOS'

Sem receber salários, funcionários protestam em Centro de Reabilitação na AM-010

Unidade era uma das administradas por empresas acusadas de desviar mais de R$ 110 milhões em recursos do Fundo Estadual de Saúde, 10/10/2016 às 17:26
Show whatsapp image 2016 10 10 at 16.45.56
Protesto ocorreu em frente ao Centro, e alguns internos mostraram apoio à causa dos trabalhadores (Foto: Antônio Lima)
Kelly Melo Manaus (AM)

Funcionários de quatro das seis empresas terceirizadas que operam as atividades no Centro de Reabilitação de Dependência Química Ismael Aziz, no KM 53 da rodovia AM 010 realizaram uma manifestação nesta segunda-feira devido ao atraso de pagamentos. Funcionários disseram que estão seguindo para o terceiro mês sem receber e prometem suspender as atividades até que providências sejam tomadas. 

O Centro era uma das unidades do Estado administradas por empresas acusadas de desviar mais de R$ 110 milhões em recursos do Fundo Estadual de Saúde, esquema descoberto pela Polícia Federal na Operação Maus Caminhos.  A psicóloga Rebeka Xavier explicou que o problema no local se agravou desde a deflagração da operação. "Duas dessas empresas, a Salvare e a Simea, são do mesmo Mohamed, que foi preso na operação. Desde dai, os pagamentos que já estavam atrasados ficaram mais ainda e não temos nenhuma previsão de receber ao menos o vale transporte", afirmou a psicóloga. 

De acordo com ela e outros funcionários, a Secretaria de Estado de Saúde (Susam) chegou a montar uma equipe interventora e prometeu regularizar a situação dos colaboradores, no entanto as conversas não avançaram. "Eles querem que a gente continue vindo trabalhar, mesmo numa condição insustentável. Mas até agora não nos deram uma posição se vão fazer um contrato temporário pelo menos", disse outra psicóloga, Joyce Garcia. 

O movimento dos funcionários atingiu todos os serviços da CRQ, desde os clínicos até a alimentação. Hoje alguns pacientes não puderam ser acolhidos por falta médicos e psiquiatras para fazer o atendimento. Atualmente, o centro conta com 74 internos. 

Durante a tarde, profissionais da saúde, psicólogos, técnicos e até mesmo os internos protestaram dentro e fora da unidade. Enquanto um grupo protestava com cartazes nas mãos na beira da estrada, do lado de dentro, os pacientes demonstraram preocupação com a suspensão das atividades. "Nós estamos aqui porque queremos nos tratar, mas como eles estão sem receber, há uma semana algumas atividades começaram a parar de ser realizadas, como as oficinas de artesanato", contou um interno que preferiu não se identificar. 

Um funcionário denunciou até a falta de medicamentos para continuar o tratamento dos internos. "São vários os remédios que usamos no tratamento da dependência química e eles estão acabando. E tem paciente que precisa muito, porque o acompanhamento ê delicado", disse ele.

Publicidade
Publicidade