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Seminário discute criação de políticas públicas para mulheres negras do Amazonas

Identidade, sustentabilidade e ações específicas foram temas das discussões nesta terça-feira (18), no seminário que faz parte da campanha internacional '16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher' 19/11/2014 às 10:11
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A criação de políticas públicas para mulheres negras no Estado foi tema de debate durante o seminário, que teve a apresentação do grupo Tambor de Crioula
Luana Carvalho Manaus (AM)

Quatro anos antes da assinatura da Lei Áurea, em 1888, o Amazonas já havia libertado seus escravos. Quase 130 anos depois, movimentos sociais ainda lutam pela criação de políticas públicas para mulheres negras no Estado. O assunto foi discutido ontem, durante o Seminário Mulheres Negras, no Auditório Senador João Bosco Ramos de Lima, na Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM).

Identidade, sustentabilidade e políticas públicas foram temas das discussões. O evento iniciou às 9h com apresentação musical do grupo Tambor de Crioula. O seminário faz parte da programação da campanha internacional “16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher”, que terá início amanhã, dia da Consciência Negra.

“Pensamos nesse evento e fizemos uma parceria com os movimentos sociais de mulheres negras para que a gente possa pensar em novas políticas voltadas especificamente para a mulher negra, a qual podemos dizer que sofre duplo preconceito, tanto racial quanto de gênero”, explicou a titular da Secretaria Executiva de Políticas para Mulheres (SEPM), Ana Coutinho.

De acordo com a secretária, ainda não existem políticas públicas consolidadas no Estado. “Essa é uma das principais solicitações dos movimentos. Existem políticas que começam a surgir no País para as mulheres, como a Maria da Penha, mas esses avanços são genéricos. As negras sentem necessidade de ter uma política pública específica, em que possamos pensar nas possibilidades de novos avanços. Hoje esses movimentos poderão compartilhar informações conosco”.

Luta

Assistente social e membro do Fórum Permanente de Afrodescentes de Manaus (Fopaam), Arlete Anchieta falou sobre as dificuldades enfrentadas para concluir levantamentos e pesquisas. “Nós somos uma organização não governamental, fazemos algumas pesquisas, contudo não com o alcance que poderíamos ter se tivéssemos o apoio de um órgão público”, relatou.

“Se formos considerar só a parte da saúde, temos uma política integral da população, mas não sabemos hoje quantas pessoas sofrem com hipertensão, que é outra doença prevalente da população negra. Faltam muitos dados, e não vamos conseguir levantar essas informações se não tivermos apoio. Queremos trabalhar junto com a sociedade na identidade de diferentes grupos”.

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