Domingo, 21 de Julho de 2019
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Seminário vai discutir soluções de logística na Amazônia

Técnicos, empresários e políticos do Brasil, Peru, Equador e Bolívia vão buscar, em seminário, soluções para o ‘isolamento’



1.jpg Técnicos apontam a falta de investimentos em logística como um dos maiores entraves para o desenvolvimento da região; Até mesmo a rodovia BR-319, que liga Estados do Norte, está em más condições
03/07/2013 às 08:22

Os investimentos governamentais em estradas, portos e projetos de infraestrutura que poderiam reduzir os problemas de deslocamento na Amazônia foram poucos ou quase nenhum nos últimos 40 anos. A constatação faz parte dos temas que serão discutidos nestas quinta e sexta-feira, no seminário Pan-amazônico, Desafios Logísticos na Amazônia Continental. O evento será realizado das 8h as 18h, no auditório da Ciência, no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

Empresários do Brasil e de países vizinhos vão discutir no evento soluções para superar problemas de logística que dificultam o deslocamento entre Estados e nações e fragiliza o comércio. Segundo o presidente da organização não governamental (ONG) Pan-Amazônia, que organiza o seminário, Belisário Arce, os empresários cansaram de esperar iniciativas governamentais e decidiram encontrar alternativas próprias para os transtornos que enfrentam.

Para ele, o intuito é reunir diferentes opiniões e, ao final do seminário, elaborar um conjunto de propostas na “Carta de Manaus”, indicando os principais desafios logísticos na Amazônia e suas soluções. Também deve resultar do encontro o rascunho de uma minuta que poderá se transformar em projeto de lei (PL) para desonerar a operação logística na Amazônia brasileira.

Belisário defende que o comércio na região amazônica, quando submetido às distâncias, é frágil porque falta integração. “O nível de cooperação entre os Estados é muito baixo, desde o acadêmico ao empresarial. Estamos de costas uns para os outros. A missão no seminário é prover a cooperação que falta entre entidades da Pan-Amazônia via sociedade civil organizada, porque no âmbito governamental as ações são muito tímidas”, disse.

Segundo Arce, exemplo que comprova a falta de integração e dificuldade de logística é o comércio do Brasil com o Peru, que é quase zero. “Temos Estados isolados cada um em seu território com um nível de integração baixo ou inexistente. Continuamos de costas para nações e as fronteiras, ao invés de aproximar, afastam as populações que poderiam melhorar o comércio”, destacou.

Ele completa que o seminário será o espaço para expor as sugestões da cada participante, que virão de Estados e países distintos e poderão ampliar os debates, entre eles, técnicos, empresários e políticos do Equador, Peru, Bolívia e Brasil.

Quarta edição do evento anual
O evento é realizado anualmente pela ONG Panamazonia. Este ano, na 4ª edição, o tema será logística. Entre os palestrantes está a ex-presidente do Equador, Rosalía Arteaga, o escritor e dramaturgo amazonense, Márcio Souza, além do embaixador da Bolívia no Brasil, Jerjes Justiniano.

Belisário Arce - presidente da ONG PanAmazônia

“Muitos empresários cansaram de esperar iniciativas governamentais. Unindo forças e colaborando entre si, os empresários estão há muito tempo fazendo o que os governos deveriam fazer, que é encontrar soluções de logística. Tentar diminuir distâncias, encontrar rotas alternativas, trajetos, e reduzir o tempo no transporte de cargas, produtos e materiais entre Estados e países. Os empresários não têm como construir portos ou pavimentar estradas porque o investimento é muito alto e nem sempre eles podem fazer isso sozinhos. Tem que ter ação governamental, só que ela é muito tímida. Nos últimos 40 anos qual foram as obras de infraestrutura logística feitas no Estado? Temos a ponte Rio Negro, mas em termos logísticos não tem tanto impacto porque atende as populações daquela área apenas. Só que o nosso mercado, o lugar para onde são enviados os produtos naturais de Manaus, é o Sul. O único benefício em quatro décadas foi o Terminal de Carga Aérea (TECA), no aeroporto. Não temos nem ligação com o Sul, nem com o Oeste ou Leste do País. Só temos ligação com o próprio Norte, e insuficiente”.

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