Sexta-feira, 19 de Julho de 2019
NATUREZA

Senado analisa projeto que proíbe exportação de animais vivos para abate

A PLS 357/2018 destaca o crescimento dessa atividade nos últimos anos no Brasil, trazendo à discussão as condições de maus-tratos a que são submetidos os animais transportados



animais_agora-1534171370.JPG A exportação de animais vivos cresceu 42% entre 2016 e 2017 e deverá alcançar crescimento de 30% entre 2017 e 2018 (Foto: Reprodução Internet)
13/08/2018 às 10:42

Um projeto para proibir a exportação de animais vivos destinados ao abate foi apresentado pelo senador Rudson Leite (PV-RR) no início deste mês e tramita na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA), onde aguarda recebimento de emendas.

A proposta (PLS 357/2018) destaca o crescimento dessa atividade nos últimos anos no Brasil, trazendo à discussão as condições de maus-tratos a que são submetidos os animais transportados e a poluição decorrente do lançamento dos dejetos animais in naturano meio ambiente.

No texto, o senador aponta recente episódio em que a 25ª Vara Cível Federal de São Paulo acatou pedido da Organização Não Governamental Fórum Nacional de Proteção Animal e suspendeu os embarques de animais vivos em todo o território nacional, até que o país de destino se comprometa, mediante acordo entre as partes, a adotar práticas de abate compatíveis com a legislação brasileira.

Maus-tratos

Os maus-tratos no transporte de animais vivos foram atestados na inspeção realizada por técnicos da prefeitura de Santos (SP). O laudo evidencia que os animais são enclausurados em espaços reduzidos para serem transportados em longas viagens marítimas, nas quais enfrentam tempestades e calor intenso.

Também foi verificado que uma viagem de 27 mil bovinos teve duração de uma semana, período no qual as baias não foram lavadas. Urina e excrementos se acumularam no assoalho e depois foram jogados ao mar. Mesmo destino dos animais mortos e triturados durante a viagem.

“Sem nos atermos aos prejuízos econômicos decorrentes da exportação de empregos, dado o baixo nível de agregação de valor a esse tipo de produto exportado, entendemos que os inevitáveis danos ambientais advindos da atividade e a situação de maus-tratos a que se submetem os animais justificam a vedação à exportação nas condições descritas”, avalia Rudson Leite na justificação do seu projeto.

De acordo com a Associação Brasileira dos Exportadores de Animais Vivos (Abreav), a exportação de animais vivos cresceu 42% entre 2016 e 2017 e deverá alcançar crescimento de 30% entre 2017 e 2018. Para o senador, esse aumento deverá agravar ainda mais os problemas ambientais e os relativos ao bem-estar animal.

Depois de votada na CRA, a matéria seguirá para a análise da Comissão de Meio Ambiente (CMA), que terá a decisão final.

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