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Cotidiano
CENTENÁRIO

Senado vira 'templo de orações' em homenagem à Igreja Assembleia de Deus

De autoria do senador Omar Aziz (PSD-AM) e do deputado federal Silas Câmara (PRB-AM), a solenidade contou com a presença de mais de cem lideranças evangélicas da capital e do interior do Amazonas 29/11/2017 às 21:55 - Atualizado em 29/11/2017 às 22:08
Show assembleia
Foto: Ariel Costa/Divulgação
Antônio Paulo Brasília (DF)

O plenário do Senado, palco eminentemente político do Parlamento brasileiro, por algumas horas, foi transformado em um templo de orações e louvor na manhã desta quarta-feira (29) com a realização da sessão conjunta do Congresso Nacional para homenagear o centenário da Igreja Evangélica Assembleia de Deus do Amazonas (Ieadam).

De autoria do senador Omar Aziz (PSD-AM) e do deputado federal Silas Câmara (PRB-AM), a solenidade contou com a presença de mais de cem lideranças evangélicas da capital e do interior do Amazonas, entre eles o presidente da Iedam, pastor Jônatas Câmara, e o presidente da Igreja-mãe de Belém-PA, pastor Samuel Câmara; deputados e senadores do Amazonas, da Região Norte e de outras unidades da federação. Também estiveram presentes dois ministros de estado: Marcos Pereira, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), e Ronaldo Nogueira, ministro do Trabalho e Emprego (MTE).

Ao abrir a sessão solene, o senador Omar Aziz lembrou dos fatos históricos que marcaram a trajetória missionária da Assembleia de Deus no Amazonas, a contribuição da evangelização e do trabalho social desenvolvido pela instituição.

“A história do trabalho missionário da Assembleia de Deus no Amazonas revestiu-se de caráter heroico. Os desafios, os sacrifícios, as dificuldades só faziam estimular o comprometimento pessoal dos pastores com a missão, dotando-os de uma força sobre-humana. A começar pela história dos fundadores, o casal de missionários suecos Samuel e Lina Nystron, que, em 1917, organizaram e fundaram a Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Manaus”, discursou Omar Aziz.

Para Omar Aziz, a ação da obra evangélica da Assembleia de Deus no Amazonas apoia-se na família e na comunidade, os dois pólos fundamentais da experiência religiosa pentecostal. “Por isso, sua obra lançou raízes tão profundas nessas paragens, disseminando a mensagem evangelizadora nos lugares mais remotos da Amazônia”, declarou o senador do Amazonas.

Números e estrutura

O deputado Alfredo Nascimento (PR-AM) classificou como “números superlativos” os relacionados à Igreja Evangélica Assembleia de Deus: 3 mil templos no Amazonas, mais de 2 mil pastores, mais de 10 mil células e mais de 300 mil membros.

“Além dos três mil templos espalhados em todo território amazonense, tem ainda o Centro de Convenções Canaã, a Universidade Boas Novas e a rede de TV e rádio Boas Novas. Mais que essa estrutura, destaco o trabalho missionário dessa congregação, levando o evangelho a milhares de pessoas em todos os bairros de Manaus, nos rincões e beiradões do nosso Amazonas”, discursou Alfredo Nascimento. Em todo o país, são cerca de 22 milhões de membros congregados na Assembleia de Deus.

Doutrina e intolerância

O discurso mais contundente na homenagem dos 100 anos da Ieadam veio do senador evangélico Magno Malta. Para ele, o papel das igrejas cristãs é barrar o que chamou de “a nova ordem contra os princípios familiares”, como a ideologia de gênero, o homossexualismo, aborto, drogas e as ideologias comunista, socialista e marxista. Malta citou ainda os casos de suicídios cometidos por indígenas no Brasil por causa do alcoolismo e as instituições governamentais não atuam adequadamente para estancar o problema. Os senadores Jorge Viana (PT-AC) e Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) enalteceram a presença da Assembleia de Deus na Amazônia, mas pediram que os diálogos, ensinamentos e pregações não promovam o discurso de intolerância nem de violência contra os que pensam diferente.

Fé e política

Ao exaltar o papel espiritual e social da Igreja Evangélica Asssembleia de Deus, o deputado federal de cinco mandatos, Silas Câmara, destacou também a “missão política” da Ieadam.

“A motivação da presença da igreja através dos seus membros na política está intimamente ligada com o modelo que temos hoje: a democracia. Com voto obrigatório, seguimos a máxima do direito e da política que só tem voz e vez quem tem representatividade. Se temos 360 mil membros, quase 10% da população, é preciso que esse quantitativo expresse o que pensa sobre os mais diversos assuntos livremente ou por meio de seus representantes”, argumentou Silas Câmara.

Atualmente, o segmento evangélico no estado do Amazonas conta 1 deputado federal, 3 deputados estaduais, 4 vereadores na Câmara Municipal de Manaus, 40 prefeitos no interior do estado e 138 vereadores em Câmara Municipais espalhadas Amazonas.

Questionado sobre a Igreja Assembleia de Deus tem intenção em chegar ao governo do Amazonas ou à Prefeitura de Manaus, Silas Câmara negou e disse que a Ieadam não tem projeto de poder.

“Queremos apenas participar do processo político, ajudar os governantes sem querer atrapalhar o mandato de ninguém. Terminada a eleição, descemos do palanque e vamos orar e trabalhar juntos para que aquela administração tenha êxito”, declarou. Nas eleições municipais de 2016, Silas Câmara chegou em terceiro lugar no pleito, atrás apenas de Arthur Neto (PSDB-AM) e Marcelo Ramos (PR).

Agradecimentos

Em oração, com cantos e louvores de Gloria a Deus no plenário do Senado, o presidente da Igreja Evangélica Assembleia de Deus do Amazonas, pastor Jônatas Câmara, agradeceu a homenagem prestada pelo Congresso Nacional.

“Ficamos imensamente lisonjeados com esta sessão solene que reconhece o trabalho de 100 anos da nossa instituição; esta igreja que há um século vem evangelizando, realizando ações sociais, contribuindo e participando dos governos do Amazonas. Essa homenagem é merecedora e motivadora para continuarmos trabalhando por mais 100 anos”, discursou Jônatas Câmara. O discurso e a oração coletiva final foram comandados pelo presidente da Igreja-mãe da Assembleia de Deus, pastor Samuel Câmara. 

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