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Sequestrador de hotel disse que iria ficar famoso em Brasília

Antes de sair de Tocantins, cidade natal, no último fim de semana, homem que manteve refém em hotel disse à pessoa próxima que ficaria famoso na capital federal 29/09/2014 às 16:48
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Sequestro iniciou na manhã desta segunda-feira (29) e encerrou no final da tarde
Alex Rodrigues (Agência Brasil) ---

Antes de deixar a cidade de Combinado, no Tocantins, no último fim de semana, o homem que desde o começo da manhã de hoje (29) mantinha refém um funcionário de um hotel no centro de Brasília, no Distrito Federal, disse a pelo menos uma pessoa próxima que viajaria para a capital federal, onde ficaria famoso. O homem manteve o refém sob a mira de um revólver até as 16h30 (Brasília) desta segunda-feira (29), após se entregar à polícia.

Ex-secretário municipal de Agricultura e candidato a vereador derrotado em 2008, o agricultor Jac Souza dos Santos, 30, escreveu três cartas antes de partir para Brasilia, uma delas endereçada à própria mãe. Para se afastar das responsabilidades no comitê municipal de um candidato ao governo do estado, Santos alegou ao coordenador da campanha, Maurílio Martins de Araújo, que viria a Brasília resolver um problema familiar e que estaria de volta ainda hoje.

Não se sabe exatamente quando Santos chegou a Brasília. O que se sabe é que por volta das 8h30 ele se hospedou no Hotel Saint Peter e começou a executar o que, ao que tudo indica, já tinha planejado. O agricultor subiu ao 13º andar do hotel e bateu na porta dos apartamentos mandando que as pessoas deixassem o prédio, alegando que se tratava de uma ação terrorista. A essa altura, Santos tinha feito um funcionário refém.

Além de manter o trabalhador parte do tempo sob a mira de um revólver, Santos algemou e amarrou no refém um colete que a Polícia Civil confirma conter material explosivo. De tempos em tempos, sequestrador surgia na sacada do quarto de hotel gesticulando muito e com a arma na mão.

“Nem imagino o que pode ter acontecido. Esse menino é nascido e criado aqui na cidade e é muito gente boa”, contou o coordenador da campanha, Araújo, à Agência Brasil. Ex-vereador de Combinado, ex-presidente da Câmara Municipal entre 2004 e 2008, Araújo conhece Souza desde antes de este assumir a Secretaria Municipal de Agricultura na gestão anterior (2009-2012). Embora o sequestrador continuasse envolvido com a política local, Araújo afirma que Santos nunca disse nada que o fizesse alvo de desconfiança.

“Esse menino trabalha comigo e com outras 20 pessoas aqui no comitê. É nascido e criado aqui em Combinado e é muito gente boa. Sábado [27] à noite, ele esteve em minha casa e disse que tinha que ir a Brasília para resolver uma questão com a ex-mulher, com quem tem uma filha, mas disse que voltaria na segunda. Hoje, depois de ligar para ele duas ou três vezes, liguei a TV e vi essa desgraça”, acrescentou Araújo.

“Só agora eu soube que, antes de passar pela minha casa, ele já tinha dito a minha irmã que ia para Brasília, que ia ficar famoso e que iríamos ouvir falar muito dele. E que ele deixou as cartas. Uma para a mãe, outra para mim, detalhando as contas do comitê que têm que ser pagas”, detalhou Araújo.

O delegado da Polícia Civil Paulo Henrique Almeida confirmou a existência das cartas. A julgar pelo conteúdo da mensagem que o agricultor enviou à própria mãe, Almeida ficou temeroso com a possibilidade de Santos tentar suicídio. “É uma carta de despedida, meio desesperada, e na qual ele pede desculpas para todos os familiares por algum ato que venha a cometer”.

Ainda de acordo com o delegado, Santos prometia explodir a bomba presa ao funcionário do hotel caso as exigências dele não tivessem sido atendidas até as 18h. Entre elas, estava a extradição do ativista italiano Cesare Battisti e a efetiva aplicação da Lei da Ficha Limpa.

Por causa das ameaças de Santos, o hotel havia sido evacuado e a área ao redor, isolada. Atiradores de elite foram posicionados nos prédios vizinhos. Policiais federais e agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) também acompanham a situação.

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