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Cotidiano
CONSCIENTIZAÇÃO

Serviço de abordagem ajuda pessoas em situação de rua a terem dignidade

Mais de 60 pessoas em situação de rua são atendidas pelo serviço do Abrigo Nacer no Amazonas. Confira : 18/08/2018 às 14:11
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Em poucos dias, com o apoio do Abrigo Nacer, Ronan vai começar a trabalhar (Foto: Winnetou Almeida)
Priscila Rosas Manaus (AM)

Sair do interior e vir à capital a procura de uma oportunidade é uma das histórias mais comuns em grandes cidades. Entre tantos relatos de sucessos e fracassos está a de Ronan Cavalcante Simões, 27, natural de Parintins, que acabou se tornando morador de rua. Em dezembro do ano passado ele saiu de Parintins onde trabalhava com o pai, em busca de mudanças, mas ao chegar em Manaus, ele foi roubado e perdeu todos os documentos, além do dinheiro que havia economizado para a viagem e o contato da família.

Para sobreviver, Ronan começou a guardar carros e fazer diversos “bicos”. “Eu não tinha conhecimento do que eu poderia fazer ou por onde poderia começar. Se eu poderia viajar sem documento. Até fui ao porto, mas não consegui viajar. Eu fiquei ilhado”, contou. Sem ter como voltar para casa, ele continuou em situação de rua.

A vida de Ronan só começou a mudar quando ele conheceu uma senhora chamada Telma, que o ajudava como podia. Uma dessas ajudas foi quando ela apresentou ao guardador de carros o Serviço de Abordagem Social Girassol do Núcleo de Assistência a Criança e Família em Situação de Risco, o Abrigo Nacer, em agosto.

Com o apoio do Serviço, Ronan deu um novo passo. “A princípio, o serviço seria o encaminhamento de volta a cidade dele. Mas a história se configurou, nós usamos o nosso apelo e conseguimos um emprego para ele”, explicou a assistente social do Serviço Girassol, Ruana da Silva. Ele começará a trabalhar como serviços gerais em uma padaria, está tirando novos documentos e conseguiu uma casa para morar junto com a companheira.

Neste domingo é comemorado o Dia Nacional de Luta da População em Situação de Rua. A data faz referência ao “massacre da Sé”, ocorrido em 2004, onde sete moradores de rua foram assassinados com golpes na cabeça enquanto dormiam na região da Praça da Sé, em São Paulo. Outras oito pessoas ficaram feridas. O dia tem como objetivo a conscientização da sociedade sobre a atenção digna que deve ser garantida a essa população.

Em alusão a data, aconteceu hoje, das 9h às 11h, a palestra “Diálogo sobre a Visão Jurídica sobre os diversos direitos violados quanto aos moradores de rua”. O evento será realizado na sede do Nacer, no conjunto Castelho Branco, no bairro Parque Dez, na Zona Centro-Sul, e terá a participação do professor da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Ricardo Tavares de Albuquerque.

Primeiro passo é querer ajuda

Assim como Ronan, mais de 60 pessoas em situação de rua são atendidas pelo serviço do Abrigo Nacer. Segundo a assistente social da entidade, Ruana Silva, o primeiro passo é chamar os serviços de ajuda imediata, como é o caso o Serviço de Abordagem Social Girassol do Abrigo Nacer. Os serviços imediatos são a alimentação, a higiene pessoal e os serviços de atendimento médico. O certo é não ignorar. “Por exemplo, uma mãe que está com uma criança no colo pedindo no supermercado. Não é só chegar lá e dar R$ 2 para ela. Mas querer a melhorar para o próximo. Essa é a principal mensagem, a sensibilização da sociedade”, afirmou.

Conforme a Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Direitos Humanos (Semmasdh), atualmente 472 pessoas vivem em situação de rua e estão em acompanhamento no Centro de Referência Especializado para Pessoas em Situação de Rua (Centro Pop), em Manaus. A maioria são usuários de drogas ou migrantes.

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