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Cotidiano
DENÚNCIA

Servidor é denunciado por suspeita de favorecimento pessoal em lixão de Iranduba

O servidor da Prefeitura de Iranduba foi denunciado por abusos contra mais de 20 catadores do lixão localizado no quilômetro seis do ramal Peixe-Boi, na AM-070 18/07/2017 às 07:39
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Resíduos de melhor valor são retidos pelo gestor do lixão, afirma denúncia (Foto: Márcio Silva)
Isabelle Valois Manaus (AM)

Após acompanhar durante quatro meses o trabalho diário dos catadores no lixão de Iranduba (distante a 32 quilômetros de Manaus), a apoiadora do movimento dos trabalhadores Marcela Vieira denunciou ao Ministério Público (MP-AM) abusos contra mais de 20 catadores, além das  péssimas condições de trabalho e insalubridade. Os abusos, segundo ela, estão sendo cometidos por um servidor da prefeitura do município, responsável pelo lixão, localizado no quilômetro seis do ramal Peixe-Boi, na AM 070.

Segundo a denunciante, os catadores nem água podem beber no prédio da prefeitura instalado nas proximidades do lixão. Se chover, os catadores também são proibidos de se abrigar no local. “Os catadores afirmam que esta situação teve início quando o local começou a ser administrado por um funcionário da prefeitura conhecido como Valder Rodrigues. Isso vem a ocorrer por conta de Valder querer retirar os catadores para privilegiar integrantes da própria família que também estão a catar lixo de forma irregular”, comentou Marcela.

Este mesmo senhor Valder, de acordo com a denunciante, logo que assumiu a administração do lixão tentou negociar com os catadores para que eles vendessem tudo o que fosse reciclável por meio dele e não seguir os procedimentos burocráticos.

“A reciclagem é uma oportunidade de negócio, por isso que ele ficou de olho nos materiais recolhidos e por isso tem buscado meios para conseguir inserir os familiares dele (Valder) no lixão. Como os catadores não aceitam a oposição de Valder, ele procura outros meios para os atingir, entre esses meios encontrou proibindo a entrada dos catadores no prédio para beber água, e até mesmo se proteger da chuva. Se chover esses são obrigados a ficarem no meio do lixo, isso é totalmente desumano”, completou a mulher.

Por acompanhar de perto durante esses quatro meses a vivência dos catadores, Marcela procurou o Ministério Público  e formalizou a denúncia. Além deles, a apoiadora do movimento também procurou a Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc) e reiterou a denúncia no órgão.

“Estou buscando todos os meios possíveis para denunciar a falta de respeito ocorrida com esses trabalhadores. É por meio do material que eles colhem que conseguem o sustento para família. É preciso que alguém lute por eles, pois é um total desrespeito com esses trabalhadores. O trabalho é totalmente insalubre e veio a piorar com essa nova administração do local, tudo por questão de poder e visando dinheiro”, disse Marcela.

O catador Marlon Coimbra da Silva, 29 anos, explicou que disputa o material reciclável com o senhor responsável pela administração deste lixão. “Mesmo recebendo pelo cargo na prefeitura, ele entrou na disputa com os catadores. Porém todos os materias bons para ser reciclado ficam na administração do lixão. Antigamente, tínhamos direito desse material, agora só ficamos com o resíduo. Por conta disso, nossa renda tem sido bem prejudicada”, afirmou.

Prefeitura não responde

A reportagem tentou contato com assessoria de comunicação da Prefeitura de Iranduba e  também com o próprio prefeito da cidade, Chico Doido (DEM),  para verificar a denúncia, mas nenhuma das ligações foram atendidas e nem retornadas, até a tarde de ontem.

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