Entrega de cargos

Servidores da Justiça do Trabalho planejam greve e auditores deixam cargos em Manaus

Entre os motivos da entrega de cargos está a aprovação de reajuste salarial apenas para policiais federais, uma das bases eleitorais do presidente Bolsonaro, no orçamento da União do ano que vem

Giovanna Marinho
23/12/2021 às 22:55.
Atualizado em 08/03/2022 às 19:10

(Foto: Reprodução/Internet)

A aprovação de reajuste salarial  apenas para policiais federais, uma das bases eleitorais do presidente Jair  Bolsonaro (PL), no orçamento da União do ano que vem provocou uma enxurrada de entrega de cargos de chefia da Receita Federal e o indicativo de greve geral em várias categorias do serviço público federal.

Aqui no Amazonas, 20 auditores fiscais da Receita Federal que atuavam nas alfândegas do  Porto de Manaus  e do  Aeroporto Internacional Eduardo Gomes deixaram os cargos de chefes de unidade em repúdio à decisão do presidente. A carta de solicitação de exoneração foi enviada hoje. No documento, os servidores se dizem perplexos com o reajuste à PF e disse que há um descaso da cúpula da receita frente às atitudes do governo federal. 

“Tal descaso se estende, inclusive, às questões remuneratórias, como fica evidente na falta de isonomia de tratamento com relação a outras categorias, que historicamente nunca foram remuneradas acima da nossa, e pela demora na regulamentação do bônus de eficiência, revelando o desrespeito para com os auditores”, disse um trecho da carta.

Há seis anos com os salários congelados, os servidores do sistema judiciário federal podem decretar estado de greve “o mais rápido possível”. A fala é do presidente do Sindicato dos Servidores da Justiça do Trabalho da 11ª Região e da Justiça Federal do Amazonas (Sitraam),  Luiz Claudio  Corrêa. 

O Sintraam requereu a assessoria jurídica da Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário Federal e Ministério Público da União (Fenajufe) um parecer sobre a legalidade dos valores do orçamento geral serem direcionados somente para o reajuste de um seguimento público.

“A federação e o sindicato pretendem, dependendo do parecer, recorrer sobre as ilegalidades de destinar recursos que foram no orçamento direcionados para reajuste geral para somente um seguimento do serviço público e caso necessário notificar o Judiciário sobre a ilegalidade desse procedimento. A gente espera que antes do fim do recesso do judiciário a gente possa recorrer em caráter de urgência contra essa ilegalidade”, declarou Claudio.

A greve segundo o presidente do Sintraam deve ser discutida o mais breve possível. Caso seja aprovada a paralisação deve abranger cerca de 1,2 mil servidores públicos federais no Amazonas. A federação abrangem cerca de 30 sindicatos em todo o Brasil. 

“Isso só mostra que o governo quer privilegiar um segmento que ele pode considerar como curral eleitoral, em ano eleitoral. E conforme a política que ele vem adotando, sucatear o serviço público e desvalorizar os demais servidores”, declarou o sindicalista.

Assuntos
Compartilhar
Sobre o Portal A Crítica
No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.
© Copyright 2022Portal A Crítica.Todos os direitos reservados.
Desenvolvido por
Distribuído por