Terça-feira, 17 de Setembro de 2019
MANIFESTO

Servidores do Inpa emitem manifesto em apoio ao ex-diretor do Inpe, Ricardo Galvão

A carta de apoio foi subscrita por ao menos 32 pesquisadores, tecnologistas e analistas do órgão. Ricardo Galvão foi demitido no início de agosto pelo presidente Jair Bolsonaro



ricardo-galvao-diretor-inpe_EE3127F7-2A0E-4546-B75A-2CB1CEBCA9DC.jpg Foto: Reprodução/Internet
20/08/2019 às 18:11

Trinta e dois pesquisadores, tecnologistas e analistas do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) emitiram, na manhã desta terça-feira (20), um manifesto de apoio ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e ao seu ex-diretor, o cientista Ricardo Galvão, demitido pelo presidente Jair Bolsonaro no início deste mês. O físico brasileiro entrou numa disputa contra o presidente da República e ministros do governo, como Ricardo Salles (Meio Ambiente), que contestam os alertas sobre o avanço do desmatamento divulgados pelo Inpe.

No documento, os pesquisadores e servidores do Inpa também repudiam os ataques contra veracidade dos dados do monitoramento do desmatamento na Amazônia brasileira, proferidos em entrevistas à imprensa pelo presidente da República e pelo ministro do Meio Ambiente. “A comunidade científica do Inpa, que vive e trabalha na Amazônia, encontra-se chocada com as agressões proferidas pelo presidente da República, que não foram somente contra o Inpe e o professor Ricardo Galvão, mas contra toda a ciência brasileira”.

Ciência sem amarras políticas

De acordo com os pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, o Inpe atua há mais de seis décadas, prestando valiosos serviços ao país e à humanidade, por ser uma instituição onde se faz ciência sem amarras políticas, nem religiosas, mas com liberdade de pensamento e expressão, sem as quais não se constrói o conhecimento objetivo. Segundo eles, a discordância, a crítica e o diálogo são inerentes à ciência, assim como, o respeito e a solidariedade. Por isso, é inadmissível o comportamento de alguns setores do governo, negando a verdade, recusando sistematicamente reconhecer dados científicos sérios, a ponto de questionar nosso fazer científico.

O documento dos pesquisadores do Inpa encerra convidando toda a sociedade brasileira a defender o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e todas as instituições científicas, educacionais e culturais do país, públicas e privadas, pois são indispensáveis para a construção de um mundo mais justo, solidário e responsável no presente e para as gerações futuras.

Subscrevem o manifesto Adalberto Luis Val, Alberto Vicentini, Albertina Lima, Ana Carla Bruno, Arnaldo Carneiro, Augusto Henriques, Camila Ribas, Cecília Verônica Nunez, Charles Roland Clement, Cláudia Keller, Edinaldo Nelson dos Santos, Fernanda Werneck, Flávia Costa, George Henrique Rebelo, Jorge Lobato, Hiroshi Noda, Isolde Dorothea Kossmann Ferraz, José Antônio Alves Gomes, Luiz Antônio de Oliveira, Magalli Henriques, Michael John Gilbert Hopkins, Nadja Maria Lepsch da Cunha Nascimento, Maria Nazareth F. da Silva, Newton Falcão, Niwton Leal Filho, Paulo Maurício de Alencastro Graça, Reinaldo Imbrozio, Rogério Hanada, Rogério Souza de Jesus, Sidney Alberto Nascimento Ferreira, Sonia Sena Alfaia, Vera Maria Fonseca Almeida-Val.

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Repórter de A Crítica - Correspondente em Brasília

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