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Sessão na Câmara de Iranduba tenta definir novo comando da Casa e cassação de Prefeito

Cerca de 60 pessoas acompanham a sessão, que conta com a presença de apenas nove vereadores - até o presidente da Casa Legislativa foi preso na operação realizada pela Polícia Federal no município. Comissão especial processante foi instalada para analisar cassação de Xinaik Medeiros 17/11/2015 às 12:04
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Cassação do prefeito afastado de Iranduba, Xinaik Medeiros, deve ser a pauta principal do dia
natália caplan Iranduba (AM)

Cerca de 60 pessoas estão na Câmara Municipal de Iranduba, na manhã desta terça-feira (17), para acompanhar a sessão do dia após vários vereadores serem presos pela Polícia Federal. Hoje, eles devem decidir quem assumirá o comando da Casa Legislativa, já que o presidente, Paulo Bandeira (PSD), também está detido. Uma possível cassação do prefeito afastado, Xinaik Medeiros, também pode entrar na pauta do dia.

O vice-presidente Francisco Elaime (PSC) e os outros oito parlamentares fizeram uma reunião fechada antes do início da sessão. Em seguida, eles ocuparam as cadeiras no plenário. Os vereadores Antônio Alves (PT) e Gerlande Rodrigues (PTN), que estavam foragidos, se entregaram na sede da Polícia Federal, no bairro Dom Pedro, em Manaus, nesta manhã.

Mais cedo, Jarmison Azevedo (PTB) solicitou a presença da polícia na sede da Câmara, após ser xingado de "ladrão" por um eleitor. O político, inclusive, exigiu respeito e chegou a ameaçá-lo de prisão.

Com a segurança reforçada, os trabalhos foram abertos por volta de 10h30, presidido pelo vice-presidente da Casa, Francisco Elaime. Ao todo, nove vereadores participam da sessão - Cristiane Maranhão segue de licença maternidade.

Cassação

Abertura da sessão ordinária teve a leitura do seguinte versículo bíblico, retirado do Salmos 91:7: "Mil cairão ao teu lado, e dez mil à tua direita, mas tu não serás atingido", lido pelo vereador Ernandes Rocha. Após a declaração, populares riram com a "coincidência". Em seguida, um dos primeiros temas foi o prefeito afastado do município, Xinaik Medeiros.

O vice Francisco Elaime deu início à leitura da denúncia contra Xinaik, com base no decreto de lei 201/1967, com a seguinte fala: "Agora vou passar a palavra ao secretário geral Ernandes Rocha, que lerá a denúncia. Lembrando que a lei fala da presunção de inocência". No mesmo instante, populares começaram a gritar palavras de ordem, como "É  ladrão", "Prisão nele" e "Tem que ficar na cadeia". 

Todos os vereadores presentes votaram a favor do recebimento da denúncia e do pedido de cassação contra Xinaik Medeiros. Em seguida, deram início ao processo de sortear três nomes para formar a comissão especial processante.

Os primeiros sorteados foram Nedy, Jânio e Ernandes. A população presente só aceitou o último e pediu para trocarem os outros. O presidente atendeu o pedido e realizou um novo sorteio. Novamente, as pessoas não aceitaram e se propuseram a escolher os nomes, justificando que não querem apoiadores do Prefeito na comissão.

Enfim, os três nomes para formar a comissão especial processante foram definidos: Ernandes como presidente, Irapuã atuando como relator e Nedy como membro. Comemorando, a população saiu do plenário e imediatamente começou a lavar a calçada da Prefeitura e da Câmara, pedindo renovação e transparência.


Solicitação de CPI

Uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) será solicitada à Câmara Municipal de Iranduba ainda nesta terça-feira. O pedido será feito por meio de carta pelo Fórum Popular de Políticas Públicas de Iranduba Luzes de Lamparina (FOPPOPILL). O grupo é formado por professores, comunitários e representantes de igrejas evangélicas e católicas.

"Estamos denunciando desde a época que ocorreram aquelas manifestações em todo o Brasil, em 2013. Mas muitos foram perseguidos e até demitidos de cargos comissionados por causa disso. Agora, com as prisões, a mobilização ganhou força novamente. São muitas entidades juntas", disse Daniele Nilo, de 32 anos, uma das coordenadoras.

De acordo com ela, além de pedir a realização de uma investigação feita na Casa Legislativa, o documento pede a cassação do prefeito, Xinaik Medeiros (Pros). A decisão sobre o fim do mandato será dos nove vereadores presentes. A única mulher do parlamento, Cristiane Maranhão (PCdoB), está de licença maternidade.



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