Quarta-feira, 22 de Maio de 2019
ELEIÇÕES 2018

Sete pré-candidatos disputam duas vagas do Amazonas no Senado nas eleições 2018

Cenário político para as próximas eleições começa a tomar forma. Briga por vagas será mais acirrada que disputa pelo Governo do Estado



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(Arte: Thiago Rocha)
22/01/2017 às 15:49

Passadas as eleições municipais e com a posse dos novos prefeitos eleitos e reeleitos, os atores políticos do Amazonas começam a se articular para a disputa à sucessão do governo do Estado e às duas vagas ao Senado em 2018. Analistas e parlamentares, conhecedores do jogo político, não temem em dizer que a corrida pelas cadeiras de senadores será mais acirrada do que a briga pelo comando do Estado.

A batalha para conquistar as duas vagas a serem abertas com o fim dos mandatos de Eduardo Braga (PMDB) e Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), eleitos em 2010, tem pelo menos sete pré-candidatos: José Melo, que já não pode mais concorrer à reeleição; o prefeito de Manaus Artur Neto (PSDB), na mesma condição do governador; os deputados federais Pauderney Avelino (DEM-AM), Alfredo Nascimento (PR-AM) e Silas Câmara (PRB-AM).

No campo da esquerda, a senadora Vanessa Grazziotin tentará viabilizar a reeleição ou disputará uma vaga à Câmara dos Deputados e o retorno-surpresa do ex-deputado federal (e ex-vereador de Manaus) Francisco Praciano (PT-AM), que se recupera de uma pneumonia grave no interior do Ceará, mas deverá concorrer ao Senado no ano que vem. Também poder vir para o governo estadual. 

Nesse pré-cenário eleitoral, a novidade é a intensa movimentação política do governador José Melo que, ao contrário do que vem dizendo desde que venceu as eleições em 2014, que não ia mais concorrer a nenhum cargo eletivo, está animado com a possibilidade de se tornar senador da República pelos próximos oito anos.

Análise

O coordenador do Núcleo de Cultura Política da Universidade do Amazonas (NCPAM/Ufam), professor Ademir Ramos, é quem faz o alerta sobre essa movimentação estratégica de Melo especialmente com reaproximação do ex-governador Amazonino Mendes (PDT).

 “Observe que nomes muito próximos a Amazonino (José Pacífico, da Casa Civil, e novo subcomandante-geral da Polícia Militar, coronel Walter Cruz) estão sendo chamados para o governo dele. Essas ações demonstram claramente que o governador, mesmo com a máquina administrativa nas mãos, não quer ficar isolado; tampouco vai perder uma oportunidade, como o Senado, e ficar sem mandato. É óbvio que Melo vai disputar uma das vagas de senador”, analisa Ramos.

Na visão do professor-coordenador do NCPAM/Ufam, esse fortalecimento do governador José Melo, com apoio de Amazonino Mendes e do senador Omar Aziz, vai formar uma “trinca política” forte capaz de enfrentar a chapa Eduardo Braga-Artur Neto na disputa pelo governo e Senado.

Marcelo Ramos

O ex-deputado estadual e ex-candidato a prefeito de Manaus, em 2016, Marcelo Ramos, diz que é muito cedo para se falar nas eleições de 2018 e não arrisca palpite ou especulação sobre os cenários futuros, mas deixa clara apenas uma certeza: “Eu e o PR (Partido da República) só temos um compromisso político que é a candidatura ao Senado do deputado federal Alfredo Nascimento (PR-AM). De minha parte, não farei nada que atrapalhe esse projeto por conta da forma leal e correta, deixando-me à vontade e livre para pensar agir nas eleições municipais do ano passado”, declarou Ramos.

O ex-deputado estadual não quis tecer comentários sobre uma possível candidatura de José Melo ao Senado nem especular sobre o significado da aproximação dele com o governador que, em recente evento público (entrega de casas do programa Viver Melhor) convidou Marcelo para discursar.

“Qualquer movimento que faço tem uma proporção maior do que efetivamente o é. Digo que não tem nada a ver com eleições futuras ou articulações políticas”, garantiu. Ao ser questionado sobre a possibilidade de concorrer ao governo do estado em 2018, Marcelo Ramos fez uma defesa velada da candidatura do senador Omar Aziz ao reconhecer o protagonismo e a força política do aliado nas últimas eleições.

“Eu, sinceramente, torço para que o mesmo grupo que concorreu à Prefeitura de Manaus em 2016 continue unido nas eleições do ano que vem. Se essa aliança vai continuar, isso ninguém pode afirmar”, declarou. Comenta-se nos bastidores políticos que Marcelo Ramos poderá concorrer a uma vaga de deputado federal com grandes chances de vitória.

Duas opções

Sem uma pré-candidatura ao governo do Amazonas definida, o grupo de oposição – formado por partidos de esquerda como PT, PCdoB, PSOL, Rede, PCB, PSTU e PCO, que há muitos anos não se unem em torno de um mesmo nome nas disputas eleitorais –  tem pelo menos dois pré-candidatos ao Senado: Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), que tende a buscar a reeleição ou disputar uma das oito vagas na Câmara dos Deputados, e o retorno do ex-deputado federal Francisco Praciano (PT) que está disposto a disputar uma das duas cadeiras.

“As eleições de 2018 é uma das grandes oportunidades de os partidos de esquerda se unirem contra os grupos políticos do estado que se alinharam ao “golpe” (impeachment da presidente Dilma Rousseff)”, analisa o professor Ademir Ramos, coordenador do Núcleo de Cultura Política da Universidade do Amazonas (NCPAM/Ufam. Corrobora a tese de Ademir Ramos o ex-deputado Francisco Praciano, embora deixe claro que não é impossível uma aliança eleitoral momentânea mesmo que pareça incoerente.

Praciano lembra da aliança que fez com o então candidato ao governo do estado, Alfredo Nascimento, quando ele se elegeu o deputado federal mais votado do Amazonas, assim como ocorreu na candidatura ao Senado, em 2014, quando se aliou a Eduardo Braga (PMDB-AM), candidato ao governo derrotado por José Melo e Omar Aziz. “Fiz essas alianças com ética e nunca me promiscuí. Mas, em 2018, seria hora de homenagear o povo do Amazonas com política e políticos sérios, unindo o Praciano, Vanessa, José Ricardo, Serafim Correa, Mário Frota, Beth Azize e tantos outros companheiros que nunca deixaram se corromper”, disse o ex-parlamentar.

Vagas ao Senado

Se José Melo e Artur Neto, forem confirmados para disputar as duas vagas ao Senado, o desejo de três deputados federais do Amazonas pode ir por terra. Em 2016, quando o grupo político do senador Omar Aziz se aliou ao candidato Marcelo Ramos, os deputados Pauderney Avelino, Alfredo Nascimento e Silas Câmara “cresceram o olho” nas vagas de senadores a serem abertas. Se Melo for o primeiro nome do Senado na chapa de Omar Aziz, candidato ao governo, os três parlamentares terão que se contentar a buscar a reeleição na Câmara dos Deputados, dizem os analistas.


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