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Cotidiano
SAÚDE MENTAL

Setembro Amarelo propõe debate mundial sobre ações de prevenção ao suicídio

Complexo, o suicídio é a 4ª maior causa de morte entre jovens no Brasil. Especialistas falam sobre as causas e sinais que podem ajudar no combate do problema 21/09/2018 às 18:52
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Foto: Reprodução/Internet
acritica.com* Manaus (AM)

O suicídio é a quarta maior causa de morte entre os jovens de 15 a 29 anos no Brasil, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), de 2014. Neste mês é realizada a campanha mundial Setembro Amarelo e diversos países aderiram à ação que promove medidas de conscientização e prevenção ao suicídio.

O ato suicida é complexo, pois depende de fatores múltiplos como biológico, genético, psicológico, sociológico, cultural e ambiental para acontecer, como explica a psicóloga Luziane Vitoriano, voluntária do Centro de Valorização da Vida (CVV). “Somos constituídos por vários pontos e não se pode relacionar o suicídio, que é um fenômeno multifatorial, a um desfecho de algo específico. Não podemos reduzir o ser humano, somos frutos da sociedade e influenciadores também”, afirma.

Por meio de dados epidemiológicos, a OMS estabeleceu o suicídio como situação de saúde pública, traçando estratégias para a diminuição dos números registrados. Em alguns países estão sendo feitas ações de combate, inclusive ao consumo de álcool, que associado a outros fatores como a depressão é a segunda principal causa de morte por suicídios entre os homens.


Para a psicóloga Luziane Vitoriano, suicídio é um fenômeno multifatorial. Foto: Keyson Ramires

No Brasil, o Ministério da Saúde pretende fortalecer a rede de atenção com os Centros de Assistência Psicossocial (CAPS) e a capacitação de profissionais no curso a distância de Crise e Urgência em Saúde Mental. A notificação de casos registrados também se tornou obrigatória a partir de 2011.

Em 2013, o Ministério da Saúde Brasileiro entrou no Plano de Saúde Mental que cumpre uma agenda de estratégias de combate, com a meta de redução de 10% dos casos no território nacional até 2020.

Nova geração

No Brasil, em média 11 mil pessoas tiram a própria vida, por ano, conforme o levantamento divulgado em 2017 pelo Ministério da Saúde. O Amazonas registrou 243 suicídios entre 2016 e junho de 2018, segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM).

Um desses casos é de uma estudante de 15 anos, filha de Raimundo (pseudônimo) que alerta sobre a importância da participação dos pais no desenvolvimento dos seus filhos.

“Hoje tento seguir em frente, mas confesso que é muito difícil para um pai lembrar disso. Porém, é necessário para que os outros observem melhor o comportamento dos filhos, as companhias e os contatos das redes sociais. Porque a comunicação virtual veio para encurtar as distâncias de uns e separar quem está junto”, comenta.


Fonte: Ministério da Saúde

Os maiores índices de suicídio estão na fase juvenil, o que mostra a relevância do debate ser levado para dentro das escolas. Ainda vista como tabu, esse tipo de ação busca informar sobre a importância em procurar ajuda profissional e despertar o interesse para que haja mais diálogos tanto no ambiente familiar quanto fora dele.

“Os jovens passam em média de 09 a 11 horas do dia expostas a conteúdos midiáticos, seja na internet ou na televisão”, comenta o cientista social Francinézio Amaral. Ele explica que isso pode gerar uma transferência das relações físicas para um ambiente virtual, ou seja, tornando-se uma rota de fuga dos problemas que devem ser enfrentados na vida real.

Fato Social

Francinézio Amaral cita o livro O Suicídio, de Émile Durkheim, que define o suicídio como fenômeno social e não algo individual. Uma força exterior ao indivíduo e que está presente em todas as sociedades, desde as primitivas até as mais atuais.

O cientista social segue explicando que o indivíduo necessita de um convívio equilibrado e, se não alcançado, começa a não se reconhecer como parte daquele meio social, perdendo referência do ser sociável.


Suicício é alternativa para a falta de qualidade de vida, segundo Francinézio Amaral. Foto: Keysson Ramires

Apesar de estar inserido nessa esfera coletiva, o ser humano tem suas particularidades e dualidades que devem ser mantidas a fim de não serem empurrados para a margem da sociedade. Para Francinézio, é dever do estado garantir qualidade de vida para a população e a partir do momento em que isso não ocorre ele tem a alternativa do suicídio como válida.

Como identificar?

Depressão, desespero, desamparo e desesperança são algumas das motivações apontadas pela psicóloga Luziane Vitoriano. Ela diz que se pode identificar os sinais diretos ou indiretos através dessas palavras que formam os 4 D’s.

Comportamentos como sempre querer se manter isolado e não sentir disposição para trabalhar ou estudar também são caracterísitcos. É também muito comum ouvir a repetição de frases como, ‘eu não aguento mais’, ‘a vida não faz mais sentido’, ou ‘eu queria poder dormir e nunca mais acordar’. Por isso existe a necessidade de observar, respeitar e acolher e assim que possível oferecer apoio na procura da ajuda de um profissional.

Caso esteja passando por alguma situação de angústia ou conheça alguém que está precisando de ajuda, o Centro de Valorização da Vida (CVV) disponibiliza apoio psicológico através do número 188. Na cidade de Manaus, os atendimentos são feitos por Organizações nãogovernamentais (ONG’s), CAPS, e também podem ser encontrados nas universidades.

O atendimento emergencial para crises é feito no Hospital Psiquiátrico Eduardo Ribeiro, pelo telefone (92) 3131-3650.

Papel da mídia

A Organização Mundial da Saúde possui um manual de atuação para profissionais de mídia que define regras para abordar o assunto evitando a romantização ou a espetacularização da questão do suicídio. Utilizando uma abordagem mais sensível ao tema para que não aconteça o que é intitulado "Efeito Wether", tendo como principal função levar informações de forma consciente para a sociedade.

Luziane reitera o papel do profissional de comunicação com as informações a serem veiculadas “Na maioria dos casos as pessoas já estão passando por problemas ou frustrações e a exposição de forma irresponsável ao assunto pode servir como alavanca para o desfecho em forma de suicídio”, comenta.

 

*Trabalho de autoria dos alunos Giovanna Cristina Marinho da Silva, Sabrina Santos da Silva Rocha, Caio Vinícius Vilaça da Costa, Luane Diniz Maciel, Rafael da Silva Gonzaga, Ivan Duarte Arcanjo, Arquípo Herick da Silva Góes e Paulo Henrique da Paixão e Silva Júnior como fruto do concurso de jornalismo universitário 'Suicídio e o Papel da Mídia.

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