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Cotidiano
Combate à hanseníase

Erradicar hanseníase no Amazonas é meta de Fundação

Durante décadas o Estado teve o maior número de detecção da doença do País. Hoje ocupa a 18ª posição 19/08/2016 às 11:25
Show hanseniase
Mutirões são realizados constantemente pela Fundação Alfredo da Matta (Fuam), em bairros de Manaus e da Região Metropolitana (Aguilar Abecassis)
Silane Souza Manaus (AM)

Até metade da década de 70, no Amazonas, os doentes de hanseníase eram trazidos para Manaus, passavam pelo “Dispensário de lepra”, atual Fundação Alfredo da Matta (Fuam), para registro e depois eram encaminhados para a Colônia Antônio Aleixo, na Zona Leste. Durante décadas o Estado teve o maior número de detecção da doença do País. Hoje, ocupa a 18ª posição e a intenção é chegar à última colocação, isto é: onde haverá menos casos de hanseníase. 

Para o diretor-presidente da Fuam, Helder Cavalcante, isto pode acontecer num futuro não muito distante. “No horizonte de uns dez anos estaremos muito próximos dessa posição privilegiada de sermos um dos Estados brasileiros com o menor número de casos da doença. Vamos conseguir esse resultado treinando pessoal de todos os níveis. Temos uma telemedicina bem estruturada que auxilia no diagnóstico e tratamento a distância e também temos supervisões presenciais”, destacou.

Cavalcante ressaltou que há, ainda, uma parceria desde 2015 com os cincos navios hospitais da Marinha do Brasil, que atuam no Amazonas. “Nossos técnicos estão inseridos nessas embarcações examinando a população por onde passam”, revelou. Conforme ele, outra ferramenta que contribuirá para o maior controle da hanseníase no Estado é os mutirões da Fuam feitos fora da unidade de saúde. “Desde o início, no ano passado, até junho deste ano, foram detectados 91 novos casos da doença”.

Conforme o diretor-presidente da Fuam, o circo em torno da doença está se fechando com o treinamento de recursos humanos, os mutirões, as supervisões nos municípios do interior e as atividades nos navios da Marinha. “No primeiro momento vamos ter mais casos de hanseníase porque estamos indo atrás. Entretanto, isso também nos dar a ideia de que em dez anos teremos dados muitos importantes sobre a doença com o Amazonas atingindo níveis cada vez melhor no controle da hanseníase”, pontuou. 

A hanseníase é uma doença contagiosa, pode ser transmitida de uma pessoa para outra, mas tem cura. O tratamento leva seis meses (casos mais simples) há um ano (casos mais difíceis). A medicação é gratuita e está a disposição nas unidades de saúde. “Quanto mais cedo o diagnóstico e o tratamento da doença, mais chance de cura total haverá. Por isso, a importância de procurar o dermatologista sempre que houver uma mancha na pele”, alertou Helder Cavalcante. 

Ele salienta que a hanseníase continua sendo um problema de saúde para a população, mas gradualmente os serviços de saúde estão conseguindo controlá-la e diminuir mais ainda sua incidência. Conforme ele, também há como prevenir a doença. “Boas normas de higiene, melhores condições sociais (saneamento básico, alimentação de qualidade, mais informação) e tratando as pessoas doentes (porque elas podem transmitir para outras), são os instrumentos para prevenção da hanseníase”, garantiu.

(diretor-presidente da Fuam, Helder Cavalcante. Foto: divulgação Fuam)

Credenciada pelo MS

Desde 1992, a Fuam é credenciada pelo Ministério da Saúde como Centro de Referência Nacional para o Programa Nacional de Controle e Eliminação da Hanseníase e Outras Dermatoses de interesse sanitário. Neste ano, a instituição também foi credenciada como Centro Colaborador da Organização Mundial de Saúde (OMS/OPAS) para Controle, Treinamento e Pesquisa em Hanseníase para as Américas.

Em números

577 Casos de hanseníase foram detectados no Amazonas, em 2015, sendo 507 casos novos, 35 recidivas, 31 outros reingressos e quatro transferências de outros Estados. Do total de casos novos detectados no Amazonas, 186 eram residentes de Manaus e 321 de outros municípios. Os dados são do Boletim Epidemiológico 2015.

Fuam promove eventos

Nos próximos dias 25 e 26, a Fundação Alfredo da Matta (Fuam), promoverá dois eventos científicos: a “Apresentação Final de Projetos dos bolsistas 2015-2016 do Programa de Apoio à Iniciação Científica (PAIC/Fuam)” e a “VII Jornada Científica da Fuam - Atualização em Hanseníase”, respectivamente. Os eventos são em comemoração aos 61 anos da instituição, celebrado no dia 28 deste mês.

De acordo com a diretora de Ensino e Pesquisa da Fuam, Mônica Santos, durante a Jornada serão abordados temas relevantes sobre diagnóstico e tratamento da hanseníase com palestrantes locais e nacionais. Dentre eles, o professor Marco Andrey Frade, presidente da Sociedade Brasileira de Hansenologia (SBH), e do professor Heitor Gonçalves, diretor do Centro de Dermatologia Dona Libânia, de Fortaleza, Ceará. 

Para as apresentações do PAIC não é necessário fazer inscrição, mas para a VII Jornada Científica da Fuam – Atualização em Hanseníase, é preciso se inscrever, pois as vagas são limitadas. Para isso, basta entrar em contato com a Diretoria de Ensino e Pesquisa da instituição pelo telefone 3632-5853 ou gep@fuam.am.gov.br. Ambos os eventos são gratuitos e ocorrerão no auditório Damião Litaiff, na sede da Fuam, a partir das 8 horas. A Jornada é um evento aberto a estudantes e profissionais da área da saúde.

Atualização científica

Na quarta-feira (17), a Fundação Alfredo da Matta (Fuam), promoveu um curso de atualização científica para médicos e dermatologista da instituição sobre urticária crônica espontânea e psoríase (atualização no tratamento e indicação de uso do Omalizumabe e do Secuquinumabe). O palestrante foi o consultor científico da multinacional farmacêutica da Norvartis, Ricardo Moura.

(Foto: divulgação Fuam)

Ele destacou que o Omalizumabe é utilizado para o tratamento da urticária crônica espontânea e o Secuquinumabe para a psoríase. Ambos foram aprovados no Brasil em dezembro do ano passado. “Tanto a urticária crônica espontânea quanto a psoríase não tem cura. O tratamento é para o resto da vida e esses medicamentos são o que há de mais novo para o tratamento dessas doenças”, disse Moura.

O diretor-presidente da FuamHelder Cavalcante, destacou a importância da atualização para o trabalho desenvolvido pela instituição. “O que o Ricardo Moura trouxe é algo extremamente novo. Ainda não são usados por nós. Ele veio justamente apresentar esses medicamentos e nos atualizar sobre o que tem de mais recente no tratamento da urticária crônica espontânea e psoríase. A implementação do produto depende desse aprendizado que ele veio passar para nós”, disse.

De acordo com dados da Fundação Alfredo da Matta, o Amazonas registrou, este ano, 54 novos casos de urticária crônica espontânea (41 em mulheres e 13 em homens) e 190 de psoríase (109 em homens e 81 em mulheres).

 

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