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Cotidiano
Saúde dos homens

Susam e Semsa realizam oficina com foco na diminuição de doenças entre homens

A oficina é voltada para os profissionais da Atenção Básica e tem como objetivo definir diretrizes e ações a serem desenvolvidas para diminuir as taxas de doenças e mortes entre os homens na idade de 20 a 59 anos, em Manaus 16/06/2016 às 20:37 - Atualizado em 17/06/2016 às 10:34
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Ações visam estimular os homens a ir com mais frequência ao médico fazer avaliação de rotina (Foto: Divulgação Semsa)
Silane Souza Manaus (AM)

Além de viverem em média sete anos a menos que as mulheres, os homens também apresentam maior incidência de doenças do coração, diabetes, colesterol, câncer e hipertensão arterial. Mazelas que podem ser prevenidas com mudanças de hábitos, que tornam a qualidade de vida melhor, e idas regulares ao médico, coisa que muitos homens não têm costume de fazer. Mas os especialistas alertam: é necessário quebrar esse paradigma, o homem precisa e deve cuidar mais de sua saúde.

Nos próximos dias 22 e 23, as Secretarias Estadual e Municipal de Saúde (Susam e Semsa) realizarão a 1ª Oficina de Alinhamento da Política de Saúde do Homem na Atenção Básica de Manaus. O evento voltado para os profissionais da Atenção Básica tem como objetivo definir diretrizes e ações a serem desenvolvidas para diminuir as taxas de doenças e mortes entre os homens na idade de 20 a 59 anos, além de discutir estratégias para levá-los aos consultórios.

De acordo com a chefe do Núcleo de Saúde do Homem da Semsa, Maria Eliny da Rocha, é característica desse indivíduo ser o provedor da casa e o trabalho lhe toma todo o seu tempo contribuindo para que não procure ir ao médico com frequência. “Frente a essas responsabilidades que toma para si ele tem certeza que precisa cuidar do outro e esquece-se de cuidar de si mesmo. É uma questão cultural, mas nós precisamos quebrar esse paradigma”, defende.

Maria destaca que a oficina também visa preparar profissionais de saúde para ter um olhar diferenciado em relação aos pacientes do sexo masculino de modo que eles saibam estimular esses usuários a ter uma atenção especial consigo. O avanço nessa área ainda é tímido, conforme ela. “Eles pouco vão ao médico, então o serviço tem que olhar para isso e desenvolver estratégias para chamar a atenção deles. O evento que vamos promover vai dar maior amplitude a essa visão”.

O ideal é que o homem vá pelo menos uma vez ao ano ao médico para fazer um check-up. Mas se durante esse intervalo de tempo sentir algum sintoma diferente tem que voltar a procurar o profissional de saúde para saber do que se tratar, visto que a maioria das doenças que atingem os homens é grave. “São doenças que a partir do momento que se apresentam impactam para o resto da vida, ou seja, não tem cura, apenas controle como a hipertensão e diabetes”, frisou Maria Eliny.

(Foto: Divulgação Semsa)

A dificuldade de avançar na implementação de políticas de atenção à saúde do homem ainda é grande no Amazonas, de acordo com a coordenadora da Área Técnica de Saúde do Homem da Susam, Thyana Palmeira. Conforme ela, a distância entre os municípios e a não fixação de profissional urologista é um desafio.  “Apenas nove municípios contam com deslocamento rodoviário, 53 o acesso é somente por meio hidroviário ou aéreo. E ainda temos escassez de urologista, tudo isso dificulta a ampliação das ações, mas é algo que estamos vencendo aos poucos”, pontuou.

Interior

A Oficina de Alinhamento da Política de Saúde do Homem na Atenção Básica já foi realizada em mais de 30 municípios do interior do Estado, com o objetivo de implementar e monitorar as ações previstas na política e, assim, ofertar uma atenção mais qualificada à saúde do homem.

Evento

A 1ª Oficina de Alinhamento da Política de Saúde do Homem na Atenção Básica em Manaus acontecerá nos dias 22 e 23 deste mês, das 7h30 às 18h, no bloco D, da unidade Básica de Saúde Prof. Nilton Lins, no Parque das Laranjeiras, Zona Centro-Sul, e reunirá gestores e profissionais da área de saúde de Manaus, como médicos, enfermeiros, odontólogos, agentes comunitários de saúde e núcleos de apoio à saúde da família.

O evento também irá contar com a presença do representante do Ministério da Saúde, Francisco Norberto Moreira, responsável pela Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH) na região Norte. Além de falar sobre as diretrizes que norteiam a política nacional, ele também proferirá as palestras “Saúde sexual e reprodutiva” e “Câncer de Pênis”.

Blog - Thyana Palmeira - Coordenadora da Área Técnica Saúde do Homem do Departamento de Atenção Básica e Ações Estratégicas (Dabe) da Susam

(Foto: Divulgação Susam)

No Amazonas há quase um milhão de homens entre 20 e 59 anos, mais da metade está na capital. Essa oficina será um importante passo para a integração, divulgação e alinhamento conceitual das diretrizes e dos eixos prioritários que norteiam a política de atenção à saúde do homem. Já tivemos muitos avanços como à permissão do homem acompanhar a esposa na maternidade, a licença paternidade que passou de cinco para 20 dias, a presença dele a qualquer hora do dia dentro dos hospitais e a mudança do entendimento de que o homem só adoece de próstata, quando não é real. Ele é acometido por pneumonia, insuficiência cardíaca, doença mental, transtorno urinário, infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral, diabetes, colesterol alto e hipertensão, que são as principais causas de morte tirando os acidentes de trânsito e a violência. Por isso é importante que a gente consiga dar visibilidade ao atendimento ao sexo masculino que também é muito vulnerável as mazelas. Vamos apresentar um protocolo de atendimento que ensinará de forma mais fácil a orientar o homem. O profissional de saúde está acostumado a atender a família, mas ele se esquece do homem porque ele é homem, é machão e não adoece, cultura que deve ser mudada.

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