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Sindicato e empresa alertam que há cimento clandestino sendo vendido no Amazonas

Sintracomec-AM adverte que produto, além de prejudicar a saúde, pode comprometer edificações 10/11/2015 às 14:06
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Cícero Custódio, presidente do Sintracomec-AM: 180 operários foram afetados
Saadya Jezine Manaus (AM)

Cimentos chegando de maneira clandestina na região contribuem para a baixa arrecadação do Estado. Em reais, o valor ainda não foi apresentado pela Receita Federal, que deverá se manifestar na audiência pública em Brasília, no dia 18. Segundo a delegada da Polícia Federal de Tabatinga, Jeanie Tufureti, de 2013 a 2015, foram 15,5 toneladas apreendidas no Alto Solimões – principal entrada dessa mercadoria. Na região, só existe uma fábrica de cimento, a Itautinga Nassau, mas há outras nove marcas sendo comercializadas no Estado.

O diretor executivo da empresa, Marcílio Brotherhood, afirma não haver interesse da Nassau sair do Estado: “Estamos aqui desde 1986, temos 50 metros cúbicos fincados na região, geramos 1.000 empregos diretos e 3 mil indiretos, mas a presente situação, além de abrir uma concorrência ilegal para as empresas que cumprem todas as normas, é uma ameaça à segurança dos trabalhadores e das estruturas das obras, e de arrecadação para o Estado também”.

Debilitados

Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil no Amazonas (Sintracomec-AM), Cícero Custódio, 180 funcionários do setor apresentaram problemas de saúde devido ao contato com esses produtos.

“Foram bolhas no corpo, irritações, ou problemas respiratórios. Mãos e pés rachados. Por mais que utilizem equipamentos de proteção, o trabalhador ainda fica sujeito, tanto ao contato como os problemas ocasionados por ele”, afirma o sindicalista. Outro agravante é a qualidade do insumo, que pode levar ao comprometimento das edificações. Em casos extremos, leva ao colapso (queda).

O diretor presidente do Instituto de Pesos e Medidas (Ipem), Márcio André Brito, afirmou que “Existe uma lacuna em relação à qualidade do cimento. O que nós temos hoje são normas de referência que a associação brasileira utiliza para emitir um selo, mas que fica a critério do fabricante acatar ou não. Precisamos incluir isso dentro da certificação do Inmetro”, destaca. Segundo o representante, o Ipem realizou uma “mega operação, com oito marcas fiscalizadas, e uma série de irregularidades foi encontrada”.

Suspeita de contrabando

O superintendente da Polícia Federal em 2013, Sérgio Fontes, confirmou a suspeita de comercialização de cimento contrabandeado do Peru, Bolívia e Venezuela. No mesmo ano, foi comprovada a entrada ilegal do insumo proveniente também de Portugal.

Falta de arrecadação 

 “A União e o Estado estão perdendo receita, e nesse momento de crise, atinge diretamente a arrecadação do Estado”, afirmou Sinésio Campos, deputado estadual e presidente da Comissão de Geodiversidade, Recursos Hídricos, Minas, Gás e Energia, que presidiu uma audiência pública na última segunda-feira (9) com diversos órgãos que estão diretamente ligados à fiscalização e normas aplicadas para a fabricação de cimento.

“É necessário que cada órgão exerça o seu papel no processo de controle e fiscalização do insumo. Para isso, daremos continuidade ao processo que estamos acompanhando desde 2013 referente a situação, que se enquadra como crime de descaminho, que é a entrada clandestina desses cimentos”, afirmou o parlamentar. Dia 18, ocorrerá em Brasília, a Audiência Pública para discutir os procedimentos e exigências para importação e industrialização do cimento no Amazonas.


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