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Cotidiano
Doença

Distonia, a síndrome neurológica pouco conhecida que afeta 65 mil brasileiros

Às vezes confundida com outras doenças ou tiques “nervosos”, a distonia pode ser herança genética ou adquirida com uso de remédios psiquiátricos, para dormir, contra enjoos e anti-alérgicos 05/05/2016 às 10:37 - Atualizado em 05/05/2016 às 10:42
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Segundo Ministério da Saúde, pelo menos 65 mil brasileiros são afetados por essa síndrome neurológica, que pode atingir qualquer idade e, se tiver diagnóstico tardio, pode provocar incapacidades significativas na vida do paciente (Foto: Evandro Seixas)
Marcela Moraes Manaus

O Dia Nacional da Distonia acontece nesta sexta (6), em todo o País, e chamará a atenção para uma síndrome neurológica pouco conhecida, que pode afetar pessoas de qualquer faixa etária, e muitas vezes acaba sendo confundida com outras patologias ou simples tiques “nervosos” ocasionais.

Movimentos musculares involuntários, muitas vezes confundidos com “tiques”, disfarçam a distonia. Conforme especialistas, ela pode ser uma herança genética ou adquirida por meio de uso de medicamentos para enjoos, anti-alérgicos, remédios  para dormir e até mesmo os de uso  psiquiátricos.

De acordo com dados do Ministério da Saúde, pelo menos 65 mil brasileiros são afetados por essa síndrome neurológica, cujo diagnóstico tardio pode provocar mudanças e incapacidades significativas na vida do paciente.

Segundo o neurologista Carlos Maurício Almeida, as contrações involuntárias  podem afetar uma única parte do corpo, como os olhos, o pescoço, os braços ou as pernas; podem ainda afetar  duas partes, como o pescoço e tronco, um lado inteiro do corpo, e até mesmo  o corpo todo. “O espasmo facial  é um dos exemplos de distonia que acabam  confundidos com  tiques e assim disfarçam os primeiros sinais da doença”, explicou.

Almeida diz que no caso de um paciente apresentar tais sinais involuntários, a orientação é buscar fazer o diagnóstico correto  procurando um neurologista que é o profissional habilitado a identificar a doença. “O diagnóstico é feito por meio de histórico clínico do paciente, também é necessário a realização de exames laboratoriais ou de imagens e em muitos casos também é preciso que seja feito testes genéticos”, disse.

Não é igual aos tiques

Tiques são estereotipados e parcialmente controlados pela vontade enquanto os movimentos provocados pela distonia não são controlados pela pessoa e tem uma duração maior. Existem quatro formas de apresentação da distonia.

Quando os espasmos involuntários afetam apenas uma parte do corpo, como olhos, pescoço, braços ou pernas, tratam-se de distonias focais. Quando duas partes são afetadas são as chamadas distonias segmentares. Em casos em que um lado inteiro do corpo é acometido, trata-se de hemidistonia. Já a forma mais grave da doença é a distonia generalizada, que acomete todo o corpo do paciente.

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