Domingo, 16 de Maio de 2021
ENCHENTES

Situação precária: cheia dos rios deixa cenário de destruição em municípios do AM

Boca do Acre é um dos municípios mais atingidos pela subida do rio na Cacha do Purus. São 15.272 pessoas afetadas, o que corresponde a 2.673 famílias



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22/03/2021 às 11:28

Dez municípios do Estado estão em situação de emergência por inundação devido à subida dos rios, conforme o levantamento divulgado, na sexta-feira (19), pela Defesa Civil do Amazonas. Entre as cidades da Calha do Purus que decretaram a situação estão: Boca do Acre, Pauini, Lábrea e Canutama e da Calha do Juruá estão: Guajará, Envira, Eirunepé, Itamarati, Ipixuna e Carauari.

O município de Boca do Acre, distante 1.028 quilômetros de Manaus, é um dos mais atingidos com a subida do rio na região da bacia do Purus. A cidade, que decretou situação de emergência há um mês, soma 2.673 famílias afetadas entre zona rural e urbana, um total de 15.272 pessoas.



Em Lábrea, há uma média de 10.293 pessoas afetadas pela cheia; Em Canutama, 6.039 pessoas são afetadas pela subida do rio e Pauini contabiliza 5.776 pessoas atingidas e 1.444 famílias afetadas. Já os municípios da Calha do Juruá como Guajará, Eirunepé, Envira, Ipixuna, Carauari, Itamarati e Juruá estão com uma estimativa de 1/4 de sua população afetada. Nesta região, o município de Ipixuna contabiliza 17.275 pessoas atingidas e 4.319 famílias afetadas. 


Passagem da cheia prejudica até mesmo plantações. Foto: Clóvis Miranda

GT Enchentes

Para amenizar os impactos da cheia, deste ano, no interior do Estado, a Defensoria Pública do Amazonas (DPE-AM) formou o Grupo de Trabalho Enchentes o qual deve atuar de forma estratégica junto aos municípios atingidos e tem como objetivo principal a tomada de medidas judiciais e extrajudiciais junto às cidades que ainda não são atendidas por polos da Defensoria no interior.

Na última semana, o defensor público geral, Ricardo Paiva, coordenador do GT e o defensor público Rodolfo Lôbo, que também integra o grupo, estiveram em Boca do Acre para ouvir a população, identificar as principais demandas e tomar providências.


Atuação da Defensoria em Boa do Acre. Foto: Clóvis Miranda

Uma das frentes de atuação é em relação as demandas coletivas e também criar canais para demandas individuais, outro ponto que será observado pelo GT é a necessidade de algum tipo de auxílio financeiro, como auxílio-social, auxílio-moradia ou aluguel. Conforme a DPE-AM, o grupo de trabalho vai atuar junto aos órgãos competentes para a definição de um auxílio.

“Nós estivemos em Boca do Acre, mas os nossos atendimentos ocorrerão em outros municípios. A partir de agora, nós estamos acompanhando as águas chegando principalmente em Lábrea e Canutama. E em razão disso, nós iremos fazer recomendações a essas municípios para que prestem uma melhor assistência às populações das áreas urbana e rural desses municípios”, destacou defensor público Rodolfo Lobo. O próximo município a ser visitado pelo GT Enchentes é Eirunepé, que deve receber a equipe da Defensoria nos dias de 6 a 8 de abril.

Relatório Hidrológico

Conforme o relatório hidrológico atualizado, na sexta-feira (19), pela Defesa Civil do Amazonas através do Centro de Monitoramento e Alerta (CEMOA) e pela gerência regional que realiza o acompanhamento diário com os coordenadores municipais, o nível do rio na bacia do Juruá encontra-se em período de enchente.

A estação referência, localizada em Cruzeiro do Sul, registrou, na sexta-feira (19), o nível de 12,64 m (baixou 0,35 m). O nível máximo histórico no rio Juruá tendo como referência o município de Cruzeiro do Sul deu-se no dia 13 de maio de 2009 atingindo a máxima de 14,62 m, faltando 1,98 m para atingir a referida cota, enquadrando a região em Status de Transbordamento.

O nível do rio nas estações da Bacia do Purus encontra-se em processo regular de Enchente. A estação referência para região está localizada em Lábrea. O nível do rio, na sexta-feira (19), marcou 21,36 m (subiu 0,07 m). A maior enchente registrada em Lábrea deu-se no dia 13 de abril de 1997, atingindo a cota de 21,79 m, faltando 0,43 m para atingir a referida cota, enquadrando a região em Status de Transbordamento.

O Rio Madeira também encontra-se em processo de enchente. A estação que monitora a região no município de Humaitá registrou, na sexta-feira, o nível 21,93 m (baixou 0,06 m). No dia 18 de março de 2014, ano de início da maior enchente no município, registrou o nível de 25,10 m (3,17 m acima da cota atual).

Atualmente, 13 municípios estão em situação de atenção por conta da subida das águas. Na Calha do Maneira estão nesta situação os municípios de Humaitá, Apuí, Manicoré, Novo Aripuanã, Borba, Nova Olinda do Norte. Já na Calha do Baixo Amazonas estão: Barreirinha, Boa Vista do Ramos, Nhamundá, Urucará, São Sebastião do Uatumã, Parintins e Maués. Na Calha do Juruá, o município de Juruá está em situação de alerta.

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Repórter de Cidades
Jornalista formada pela Uninorte. Apaixonada pela linguagem radiofônica, na qual teve suas primeiras experiências, foi no impresso que encarou o desafio da prática jornalística e o amor pela escrita.

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