Sábado, 17 de Abril de 2021
Nascimento de bebês

Situações climáticas extremas estão afetando desenvolvimento de bebês na Amazônia

Os impactos negativos foram ainda piores para mães adolescentes e indígenas



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02/03/2021 às 10:16

Um novo estudo que relaciona chuvas extremas com menores pesos dos bebês ao nascer na região amazônica do Brasil. Esse dado ressalta que situações climáticas extremas têm impacto de longo prazo na saúde dos pequenos. A informação foi divulgada na última segunda-feira (1) por pesquisadores da Lancaster University da Grã-Bretanha e do instituto de pesquisa em saúde FIOCRUZ.

Chuvas excepcionalmente fortes e inundações durante a gravidez foram associadas ao baixo peso ao nascer e partos prematuros no norte do estado do Amazonas, de acordo com pesquisadores.



Eles compararam quase 300.000 nascimentos ao longo de 11 anos com dados meteorológicos locais e descobriram que bebês nascidos após chuvas extremas eram mais propensos a ter baixo peso ao nascer, o que está relacionado a pior educação, saúde e até mesmo rendimento na idade adulta.

Mesmo chuvas intensas não extremas foram associadas a uma chance 40% maior de uma criança ter baixo peso ao nascer, de acordo com o estudo, publicado nesta segunda-feira na revista Nature Sustainability.

O co-autor Luke Parry disse que chuvas fortes e inundações podem causar aumento de doenças infecciosas como malária, escassez de alimentos e problemas de saúde mental em mulheres grávidas, levando a menores pesos ao nascer.

“É um exemplo de injustiça climática, porque essas mães e essas comunidades estão muito longe das fronteiras do desmatamento na Amazônia”, disse Parry à Fundação Thomson Reuters.

“Eles contribuíram muito pouco para a mudança climática, mas estão sendo atingidos primeiro e de forma pior”, acrescentou ele, dizendo que ficou “surpreso com a gravidade desses impactos”.

As enchentes severas no rio Amazonas são cinco vezes mais comuns do que apenas algumas décadas atrás, de acordo com um artigo de 2018 na revista Science Advances.

Parry disse que a população local adaptou seu estilo de vida para lidar com as mudanças climáticas, mas que “a extensão dos níveis extremos dos rios e das chuvas basicamente excedeu a capacidade de adaptação das pessoas”.

Os impactos negativos foram ainda piores para mães adolescentes e indígenas.

O estudo disse que a “negligência política de longo prazo da Amazônia provincial” e o “desenvolvimento desigual no Brasil” precisam ser enfrentados para enfrentar o “duplo fardo” das mudanças climáticas e das desigualdades na saúde.

Ele disse que as intervenções de políticas devem incluir cobertura de saúde pré-natal e transporte para adolescentes rurais para terminar o ensino médio, bem como sistemas de alerta antecipado melhorados para inundações.


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