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Sobe para oito o número de mortos em desastre de barragens Mariana (MG), diz prefeitura

O rompimento das barragens da Samarco, uma joint venture da Vale e da anglo-australiana BHP Billiton, deixou ainda 637 desabrigados que estão hospedados em pousadas 12/11/2015 às 11:22
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Bombeiros usam tratores para chegar a casas atingidas pelo rompimento das barragens
reuters brasil ---

A Prefeitura de Mariana informou nesta quarta-feira que mais dois corpos foram resgatados na noite de terça-feira e encaminhados ao Instituto Médico Legal, elevando para oito o número de mortes pelo rompimento de barragens da mineradora Samarco na cidade mineira há quase uma semana.

Os corpos de quatro vítimas fatais do desastre foram identificados e outros quatro ainda aguardam identificação após serem resgatados, segundo a prefeitura.

Ainda há 21 pessoas desaparecidas desde o incidente ocorrido em 5 de novembro, das quais 11 são funcionários da Samarco ou de empresas terceirizadas e 10 foram relatadas como desaparecidas por familiares, de acordo com boletim da Prefeitura de Mariana.

Apesar de oito corpos já terem sido resgatados, as autoridades reiteraram que as vítimas só são oficialmente classificadas como "do acidente" após a identificação dos corpos. Até o momento, foram identificados os corpos de três prestadores de serviço da Samarco e de uma criança de 5 anos.

O rompimento das barragens da Samarco, uma joint venture da Vale e da anglo-australiana BHP Billiton, deixou ainda 637 desabrigados que estão hospedados em pousadas de Mariana.

A avalanche de lama provocada pelo rompimento das barragens destruiu completamente o distrito de Bento Rodrigues, onde moradores tiveram que fugir às pressas antes que suas casas fossem tomadas pela lama até o telhado.

O acidente povocou a paralisão da extração de minério da Samarco, além de afetar a produção de minério de ferro em minas próximas operadas pela Vale.

O prefeito de Mariana, Duarte Júnior, disse a jornalistas mais cedo nesta quarta-feira que as unidades de pelotização da Samarco em Ubu, no Espírito Santo, vão interromper a produção já que ficaram sem estoques.

Retomada da operação da Samarco dependerá da sociedade, diz CEO

A retomada das operações da Samarco, responsável pelas duas barragens de rejeitos de mineração que se romperam na semana passada em Mariana (MG), ainda é incerta e dependerá da vontade da sociedade, afirmou nesta quarta-feira o presidente-executivo da companhia, Ricardo Vescovi.

"Para a operação da Samarco continuar, é preciso que isso seja legitimado pela sociedade, se a sociedade entender que a operação continue novamente, se a sociedade entender que nós somos importantes para a cidade de Mariana...", afirmou ele a jornalistas.

No entanto, ele ressaltou que "agora não é hora" para se falar em retomada das atividades da mineradora, que contribui fortemente com a economia local e é uma das maiores exportadoras do Brasil. O momento, ressaltou Vescovi, é de cuidar dos danos causados pelo desastre.

Os funcionários da Samarco estão em licença remunerada de 9 de novembro até 29 de novembro. Depois, entrarão em férias coletivas de 30 novembro até 4 de janeiro, segundo o executivo.

A afirmação de Vescovi foi feita durante evento que reuniu os presidentes-executivos das mineradoras Vale e BHP Billiton, empresas acionistas da Samarco em partes iguais.

Murilo Ferreira, da Vale, e Andrew Mackenzie, da BHP, disseram que criarão um fundo com recursos financeiros para ajudar nos esforços de reconstrução das áreas atingidas pelo rompimento de barragens. Os valores ainda não foram definidos.

A Samarco está paralisando nesta quarta-feira as suas unidades de pelotização em Ubu, no Espírito Santo, já que ficaram sem estoques após as minas da companhia em Mariana paralisarem a extração devido ao rompimento das barragens, afirmou o prefeito de Mariana, Duarte Júnior (PPS), a jornalistas. A companhia não comentou o assunto.

Já a Vale informou anteriormente que o incidente reduzirá a produção de minas na região atingida pela enxurrada de lama neste ano e também em 2016.

Segundo a Vale, a produção de minério de ferro nas minas de Fábrica Nova e Timbopeba poderá ser impactada negativamente em 3 milhões de toneladas em 2015 e 9 milhões de toneladas em 2016.


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