Sábado, 20 de Abril de 2019
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Sofrimento e violência descrevem a vida das mulheres ribeirinhas em diferentes partes do Amazonas

Mulheres que vivem no interior da Amazônia relataram ao A Crítica o abandono e descaso enfrentados por elas há décadas


12/04/2015 às 13:39

A maioria das mulheres que vivem no interior das cidades amazônicas carrega uma história de sofrimento e de violência invisibilizada. Mesmo os diálogos feitos entre as militantes e as organizações feministas estão fragilizados quando deveriam atuar como “chama acesa” na luta para tornar essa realidade visível à sociedade. 

Abandono e descaso, são essas as expressões utilizadas por líderes das lutas das mulheres no Amazonas para situar as condições de vida das mulheres no interior da Amazônia brasileira. Ampliar direitos e assegurar o cumprimento das conquistas no interior amazônico ainda significa lidar com impedimentos que separam e distanciam as mulheres de uma vida com dignidade.

“As ribeirinhas, as trabalhadoras rurais, enfim as mulheres que vivem no interior do Amazonas não têm política pública”, afirma a ex-metalúrgica Luzarina Varela da Silva, nascida na comunidade Paraná da Terra Nova, no município Careiro da Várzea (a 25 quilômetros de Manaus), onde iniciou, ainda menina, as primeiras lutas.

Hoje Luza, como é chamada, é uma das principais líderes do movimento de mulheres do Amazonas: “Se uma mulher sofre violência na maioria das cidades do interior, ela não tem onde denunciar; também não tem onde fazer mamografia ou exames preventivos porque não existem equipamentos e profissionais para atender essa mulher. Ou seja, falta tudo na maioria desses lugares e esse tudo é o mínimo”.

Desafios na capital

A realidade torna-se mais perversa porque é invisível para os que vivem nas capitais e esse é, na opinião da ativista, um dos grandes desafios das mulheres do interior do Amazonas e da Amazônia. Luzarina Varela é membro do Movimento de Mulheres Solidárias do Amazonas (Musas), da Pastoral Operária (PO), integra o Grupo de Trabalho (GT) de Mulheres do Fórum Brasileiro de Economia Solidária e o Fórum Permanente de Mulheres de Manaus.

Educadora popular, escritora e pesquisadora, Fátima Guedes vive no Município de Parintins, região do Médio Rio Amazonas (a 369 quilômetros da capital amazonense), onde há décadas faz militância política. 

Dificuldades

Para Fátima Guedes, as dificuldades são várias ordens quando se pensa na construção de uma efetiva conexão das mulheres organizadas do interior com os movimentos das metrópoles da Região Amazônica. “Sem essa conexão é muito difícil fortalecer um coletivo regional para ser parte e enfrentar as lutas no plano local, regional e global”, afirma.Fundadora da Articulação Parintins Cidadã, ativista do Movimento de Mulheres da Amazônia e representante municipal da Marcha Mundial de Mulheres, Fátima tem feito desses espaços de discussão e de reflexão iniciativas de formação de mulheres e homens e lugar de denúncia do abandono e da precariedade situações vividas por mulheres dessa região do Baixo Rio Amazonas.

Dificuldades com o acesso e a distância

Tanto Luzarina quanto Fátima colocam a geografia amazônica como um complicador na luta de organização e de estabelecimento de uma comunicação mais efetiva das mulheres. Citam as distâncias, enormes, o acesso complicado quer seja em relação aos meios de transporte quer aos comunicação/informação.

“É um esforço gigantesco para enumerar as reivindicações no âmbito do Estado e buscamos fazer lutas conjuntas. Nesse sentido, um dos caminhos são as ações no Ministério Público para assegurarmos o direito de ser ouvidas nas decisões que são tomadas e que afetam nossas vidas, e para denunciar o descaso. De qualquer forma, nossas companheiras do interior são tornadas invisíveis. O patriarcado, o machismo e o capital neoliberal representado pelos governantes que não têm compromissos nem com mulheres nem com a população ainda detêm força maior”, avalia.

Para Luzarina Varela, no interior da Amazônia e, de forma mais particular do Amazonas, as mulheres estão mais distantes de ter a titulação da terra onde vivem e plantam exatamente porque muitas delas sequer sabem do direito que têm e as informações não as alcançam de forma efetiva. “Nas capitais, mesmo de forma capenga, temos mais instrumentos de proteção. Há ônibus da Justiça itinerante; uma rede de combate à violência; e mais meios de mobilização aos quais podemos recorrer”.

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