Publicidade
Cotidiano
Saúde

Solte a voz, mas saiba como cuidar das suas cordas vocais com segurança

Cuidados que, de certa forma, não deveriam ser tomados somente por quem trabalha diretamente com a voz, mas sim por todos aqueles que a tem, para evitar danos a ela no futuro 16/04/2016 às 15:17 - Atualizado em 17/04/2016 às 10:41
Show 1070212
Segundo a fonoaudióloga Tatiana Betcel, um dos erros mais comuns é gritar (foto: Reprodução)
Laynna Feitoza Manaus (AM)

Acordar. Dar aquele tempinho de 10 a 20 minutos em silêncio, ir na frente do espelho e fazer exercícios faciais, que são “bons pra tudo”. Depois do banho matinal, começar a falar as primeiras palavras do dia baixo, evitando gritar. Esse é o início de cada dia para a cantora Alessandra Brandão, que é membro do Grupo Vocal dos Corpos Estáveis do Amazonas. Assim como Alessandra, isso é o que muitos profissionais da voz fazem para manter o seu instrumento de trabalho em dia – aliás, ontem (16) foi comemorado o Dia Mundial da Voz.

Cuidados que, de certa forma, não deveriam ser tomados somente por quem trabalha diretamente com a voz, mas sim por todos aqueles que a tem, para evitar danos a ela no futuro. No caso de Brandão, por exemplo, ela sempre busca melhorar a sonoridade da voz com frutas como maçã, que é boa para o tratamento e manutenção das pregas vocais. “Evito bebidas alcóolicas, não fumo e evito noitadas. Por conta dos cuidados que preciso ter, evito lactose em excesso e sempre busco o otorrino para saber como está minha garganta e se está tudo bem”, coloca.

Segundo a fonoaudióloga Tatiana Betcel, um dos erros mais comuns é gritar. “Porque isso ocasiona uma espécie de choque nas pregas vocais. Fazer aquele ‘ram ram’ do pigarro também faz mal. Falar mais alto que o ambiente do som também é ruim”, pondera, lembrando que fatores como a alimentação e temperatura influenciam também na voz. “Para quem trabalha no ar-condicionado, toda essa questão de sair do ambiente frio para o ambiente quente faz mal, porque o ar resseca a mucosa. Você sente como se a mucosa engrossasse, então isso vai produzir um pigarro com mais freqüência e danificar a voz”, explica ela.

Classe acometida

Quem acha que os cantores são os que mais sofrem com desgaste na voz está errado. A classe que mais sofre com tais danos são os professores. Principalmente porque a maioria dos professores não tem consciência de que realmente fazem tanto uso da voz assim, e por conseguinte, não tomam os cuidados necessários. “A mudança de temperatura e esquecer de tomar água são fatores determinantes para os danos vocais deles”, lembra a fonoaudióloga. 

Ainda segundo a especialista, sinais importantes de que existe algum problema na voz são dor na região do pescoço, cansaço ao falar e rouquidão por mais de 15 dias. “Aí tem que procurar um otorrinolaringologista ou um fonoaudiólogo”, orienta. Mesmo que seja diagnosticado um único sintoma como a rouquidão, já se sabe que o repouso vocal é necessário. Conforme Tatiana, até mesmo a incidência de calos vocais – lesão nas pregas vocais causada pelo uso excessivo da voz - podem ou não evoluir para câncer. Tudo depende muito do organismo e propensão da pessoa a desenvolver a doença. 

Exercitando

Existem exercícios vocais que podemos fazer até mesmo antes de dar uma palestra, uma aula ou fazer locução de algum texto. E eles são mais básicos do que pensamos. “Sempre quando você for falar, inicie a fala de maneira suave, para que não tenha atrito. Mas se você for dar uma palestra, alongue a região do pescoço e faça um exercício de respiração”, aponta Betcel. 

Conforme ela, um exercício simples a fazer é inspirar pelo nariz e soltar o ar pela boca. “Depois inspire novamente pelo nariz e solte emitindo o som da letra S”, ensina.  Já para alongar as pregas vocais, o bocejo é o mais indicado. “Porque quando a gente fala, a prega vocal fica fechada. Quando você respira, ela se abre. E quando boceja, ela se abre mais amplamente”, complementa.

Amigos e inimigos

Antes de fazer uso prolongado da voz, coma alimentos leves. “A maçã tem um poder incrível sobre a voz, porque ela é adstringente, vai fazer uma limpeza na sua garganta e você vai ter menos sensação de pigarro. Também evite usar roupas de gola alta ao cantar ou falar porque acaba incomodando um pouco a região do pescoço. Sem falar que atrapalham uma projeção vocal boa”, coloca Tatiana.

Fora a maçã, suco de laranja e algumas frutas mais cítricas (além da água) também fazem um bem danado. “A água não pode ser quente e nem gelada”, diz ela. Alimentos como café, iogurte e achocolatado devem ser evitados ou ter seu consumo reduzido, porque são alimentos que engrossam a mucosa. “Isso gera a questão do pigarro. Sem falar que estes alimentos gordurosos causam o refluxo e podem levar à queimação na garganta”, encerra.

Publicidade
Publicidade