Publicidade
Cotidiano
Notícias

SSP-AM desconhece o número exato de pessoas executadas pelo PMs presos na Operação Alcatéia

Portal A Crítica teve acesso ao nome dos 12 policiais militares nesta sexta-feira (27); eles matavam para se divertir e roubar drogas de traficantes 27/11/2015 às 22:55
Show 1
Flagrante do momento em que um dos 12 policiais militares era preso na casa dele. Efetivo usado na Operação Alcatéia uniu a forças de segurança do Estado
Joana Queiroz Manaus (AM)

O Portal A Crítica teve acesso ao nome dos 12 policiais militares nesta sexta-feira (27) durante a Operação Alcatéia. Eles formavam  um grupo criminoso organizado que se dedicava à prática de extermínio em Manaus.

Não há ainda o número exato de pessoas executadas por eles. Foi o que disse o corregedor  da SSP, Leandro Almada. “Eles matavam por qualquer motivo, até por  diversão”, revelou Almada.

Confira os nomes:

Bruno Cézame Pereira

Messias do Carmo leite

Jonathan Melo da Silva

Elielton Gama da Silva

Charles dos Santos Farias

George MacDonalde Rodrigues de Oliveira

Dorval Júnior Carneiro de Matos

Klebert Cruz de Oliveira

Magno Azevedo Mafra

Germano da Luz Júnior

Adson Souza de Oliveira (Cabo)

Manoel dos Santos Oliveira (Tenente)

Operação

Os policiais tinham conduta criminosa e para isso usavam o aparato da segurança pública, como carros, armas e outros equipamentos, acreditando que eles garantiriam a  impunidade. Almada não revelou mais informações sobre a ação dos exterminadores alegando que a Alcateia é apenas o primeiro desdobramento  das investigações.

De acordo com o Secretário de Segurança Pública, Sérgio Fontes, as investigações iniciaram após a chacina ocorrida na segunda quinzena de julho e que  ficou conhecida como “final de semana sangrento”. Naquela data, 34 pessoas foram assassinadas, algumas com claros indício de  extermínio.

De acordo com o corregedor, das 34 mortes oito são atribuídas ao grupo de extermínio formado por policiais militares. As investigações também mostraram que os 12 policiais militares são suspeitos de envolvimento com essas mortes.  Além deles,  três cidadãos civis  estavam associados ao grupo.

O corregedor informou que logo no início das investigações ficou bem claro que as ações dos assassinos possuíam características que remetiam a  ação coordenada,  com modo de operar definido e seguiam uma sequencia geográfica nas regiões da cidade. A maioria das execuções  aconteceram na Zona Centro-Sul, nos bairro Aleixo e Adrianópolis. As armas e as munições usadas eram semelhantes e o meio de transporte usado era o mesmo na maioria dos casos. “Foram essas coincidências que nos chamaram a atenção e isso foi objeto das nossas investigações”, disse o corregedor.

A operação Alcateia teve como objetivo específico apurar a prática de crimes de homicídio em atividade típica de grupo de extermínio em Manaus. De acordo com Almada,  ontem foram dado cumprimento a 16 mandados, sendo 15 de prisões e um de busca e apreensão. Dentre os presos estão 11 praças e um oficial, cujos nomes não foram  revelados pelos coordenadores, mas que o Portal A Crítica apurou serem os que já foram citados no início desta reportagem. Todos  vão responder por vários delitos na maioria de crimes contra a vida, homicídios e tentativas de homicídios.

Matavam, roubavam e traficavam

O comandante da Polícia Militar,  James Frota, afirmou que os policiais militares presos  na Operação Alcateia não possuem estabilidade na corporação, ou seja, eles ingressaram há menos de dez anos. Além de responder na esfera civil, na militar será instaurado um Inquérito Policial Militar (IPM) e pela Corregedoria uma sindicância. Eles poderão ser excluídos da corporação por desvio de conduta.

De acordo com o que foi apurado pelas investigações, os policiais militares, além das mortes, praticavam roubos de armas e tráfico de droga. Alguns homicídios eram feitos para tomar a droga do traficante ou ainda as armas de outros criminosos.

Durante a operação foram apreendidas 13 armas de fogo, sendo cinco PT40, duas PT380, cinco revólveres 38 e uma escopeta calibre 12, além de uma pistola de choque não letal. Uma motocicleta e outros cinco veículos que eram usados nas práticas criminosas também foram apreendidos. Para finalizar,  1 quilo de droga foi encontrado com os suspeitos. Eles  foram interrogados e posteriormente conduzidos para o presídio militar da PM, o Batalhão de Guarda da corporação, onde ficarão à disposição do Tribunal do Júri da Justiça amazonense.

Para o comandante, o clima ontem era de vitória com a prisão de 12 de um universo de mais de nove mil policiais. “Comportamento animalesco pode acontecer em qualquer lugar, mas no Amazonas não”, disse James Frota.

A força da união

"As forças  do Estado, quando unidas, têm o efeito de uma bomba atômica no mundo do crime. Contra essa força não tem como o crime prevalecer. Não é de hoje que a Polícia Federal se dispõe a cooperar com todos os órgãos de aplicação da lei. Nesse caso atípico que foi o final de semana com muitas mortes,  na segunda-feira recebi ordens que vieram de Brasília para que  nós, aqui no Amazonas, déssemos todo apoio à secretaria de segurança nessa ação para elucidar os casos de mortes. A ordem foi para disponibilizarmos equipamentos e laboratórios periciais, setores especializados como inteligência e efetivo para apoiar as ações. consideramos essa situação uma anomalia que precisava ser combatida com a união de esforços.  Por isso apoiamos com o que tínhamos disponível. Esse é o espírito da Polícia Federal, atuar em cooperação”, disse o superintendente da Polícia Federal no Amazonas, Marcelo Rezende.

Publicidade
Publicidade