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Cotidiano
MUDANDO A ROTINA

Subida das águas muda hábitos e “acende” alarme em quem mora nas áreas de risco

Fenômeno faz com que pessoas que residem nas zonas de cheia se adaptem à nova rotina e aos perigos que cercam essas próprias populações, como jacarés, cuidado redobrado com as crianças, etc 17/05/2017 às 05:00
Show cheia2017
Cleomara de Souza reside na rua Rosa de Maio, e no local a cheia já atingiu sua casa, primeiramente pelo pátio / Fotos: Euzivaldo Queiroz
Paulo André Nunes Manaus (AM)

A cheia do rio Negro está mudando a rotina de quem mora na beira dos rios, fazendo com que eles se adaptem à rotina da subida das águas e aos perigos que cercam as populações dessas áreas.

No igarapé do São Jorge, na Zona Oeste da cidade, a família da dona de casa Waldani Alberto Amaral, 24, tem que literalmente se equilibrar em improvisadas pontes de madeira para sair de sua palafita de madeira. No interior da casa ela e o esposo moram junto com 3 crianças de 7, 3 e 1 ano de idade. Para se adaptar à cheia, ela e o marido construíram duas marombas (estruturas para elevar o piso do interior das casas para evitar o contato com a água). “Aqui tudo fica alagado. Tem também as formigas jiquitaias e às vezes aparecem jacarés. É difícil para andar por cima das tábuas da ponte improvisada com o carrinho de bebê”, comentou ela, falando a uma distância de cerca de 3 metros do repórter, isso para não forçar a frágil estrutura de madeira que separa a terra firme da sua pequena palafita.

Ao lado dalí a reportagem de A CRÍTICA também falou com Jussara Loureiro, que reside de frente para o rio Negro em uma pequena casa de madeira com o marido e o filho de 3 anos. Com a cheia, ela teme mais o perigo das crianças caírem n’água. “Ficamos com o olhar redobrado para elas não caírem na água pois é perigoso. Se eu vou na taberna sempre levo meu filho comigo. Se eu saio e deixo ele com alguém, fico com medo dele cair na água. Se eu o chamo e ele não responde, ou faz silêncio, já fico preocupada. Ele é muito curioso e já ficou com o corpo olhando pertinho da janela”, conta ela, que mora na casa há 4 anos.

No interior da habitação há uma maromba feita há uma semana, feita a partir de madeira existente no lixo das próprias águas. “O pico da água chega perto da maromba”, emenda a dona de casa. Ela tem temor das cobras e jacarés que aparecem frequentemente na área. “O ‘pessoal’ cansa de matar jacarés aqui. Aqui também tem muitos caramujos”, destaca.

Bem distante dalí, na rua Rosa de Maio, Colônia Antônio Aleixo, Zona Leste, a situação também não é nada fácil para a dona de casa Cleomara de Souza de Brito: a cheia atingiu o pátio da casa dela, deixando tudo que viu pela frente, inclusive a motocicleta do marido, em contato com a água. “Em 2012 eu e meus três filhos tivemos que nos mudar daqui de casa por conta da cheia. Tenho medo de doenças, e cair e morrermos afogados. Acho que na outra semana a água talvez entre na nossa casa. Não temos condições de ir pra outro local”, diz ela.

Mais oito municípios entram em Emergência devido à enchente

A Defesa Civil do Amazonas deu parecer favorável aos decretos de emergência de mais oito municípios, das calhas do Solimões e médio Amazonas, subindo para 21 o número de cidades em “Situação de Emergência” por conta da enchente. Para atender os afetados, a segunda fase da uma mega operação de ajuda humanitária, já está sendo montada pelo órgão.

 “O desastre evoluiu e o Governo do Estado vai apoiar às famílias afetadas nesta segunda fase de atendimento, onde serão destinadas com 900 toneladas de ajuda humanitária, que somadas as 500 da primeira fase, totalizam 1.400 toneladas de socorro enviadas aos municípios atingidos pela enchente”,  enfatizou o Secretário da Defesa Civil AM, coronel Fernando Pires Junior.

Os novos municípios em Emergência são Amaturá, Anamã, Anori, Coari, Iranduba, Manacapuru e Caapiranga, na calha do Solimões e Itacoatiara, no médio Amazonas, que juntas somam 20.938 famílias prejudicadas nas zonas urbana e rural das cidades.

Blog
Elizeth Barreto Araújo, Dona de casa

"Moro na rua Rosa de Maio (Colônia Antônio Aleixo) e aqui a água da cheia já chegou. É difícil a situação. Ontem (segunda-feira) construíram uma ponte de madeira. Eu já estava preocupada porque temos filhos e outros parentes que estudam e saem às 5h30 da manhã para ir estudar no Centro. Meu marido pediu até madeira para fazer uma escada de madeira para a parte de cima da casa onde estamos construindo. Em 2012, na época da grande enchente, eu nesta época do ano não estava mais nem aqui, e sim na casa da minha irmã desde abril. Fomos para lá pra não pagar aluguel. Neste ano não temos pra onde ir. A água da cheia entrou na nossa casa. Voltei pra esta casa em agosto. Perdi guarda-roupas, enchente, cerâmicas.. tive prejuízos. Temo a subida das águas, e não sei o quanto vai alagar e qual vai ser o efeito da natureza. Tá enchendo muito".

Frase

Ficamos com o olhar redobrado para as crianças não caírem na água. Se eu vou na taberna sempre levo meu filho comigo”.

Jussara Loureiro, Moradora do São Jorge

BALANÇO ENCHENTE 2017 NO ESTADO DO AMAZONAS

*SITUAÇÃO DE EMERGÊNCIA (ENCHENTE): 21 MUNICÍPIOS

1- Guajará (calha do Juruá) -Status: Atendido

2-Ipixuna (calha do Juruá)-Status: Atendido

3-Eirunepé (calha do Juruá) -Status: Atendido

4-Itamarati (calha do Juruá)- -Status: Atendido

5-Carauari (calha do Juruá) - Status: Planejamento

6-Juruá (calha do Juruá) - Status: Planejamento

7-Canutama (Purus) -Status: Atendido na 1ª. fase

8-Benjamin Constant (alto solimões) - Status: Planejamento

9- Atalaia do Norte (alto solimões) - Status: Planejamento

10-Tapauá (Purus) - Status: Planejamento

11-Tabatinga (calha do Solimões) - Status: Planejamento

12-Tonantins (calha do Solimões) - Status: Planejamento

13. Santo Antônio do Iça (calha do Solimões) - Status: Planejamento

NOVOS

14. Amaturá (calha do Solimões) - Status: Planejamento

15. Anamã(calha do Solimões) - Status: Planejamento

16. Anori (calha do Solimões) - Status: Planejamento

17. Coari (calha do Solimões) - Status: Planejamento

18. Iranduba ( calha do Solimões) - Status: Planejamento

19. Manacapuru (calha do Solimões) - Status: Planejamento

20. Caapiranga (calha do Solimões) - Status: Planejamento

21. Itacoatiara (calha do médio Amazonas) - Status: Planejamento

Famílias afetadas:  41.519

*SITUAÇÃO DE EMERGÊNCIA (DESLIZAMENTO DE TERRA)

1- Manacapuru (calha do Baixo Solimões)  –Status: Atendido

2- Tefé (calha do Médio Solimões)  –Status: Atendido

Famílias afetadas: 121

*SITUAÇÃO DE ALERTA (ENCHENTE)

1-    São Paulo de Olivença (calha do Solimões)

2-    Parintins (calha do Baixo Amazonas)

4-    Barreirinha (calha do Baixo Amazonas)

5-    Nhamundá (calha do Baixo Amazonas)

6-    Urucará (calha do Baixo Amazonas)

7-    Boa Vista do Ramos (calha do Baixo Amazonas)

8-    Maués (calha do Baixo Amazonas)

9-    São Sebastião do Uatumã (calha do Baixo Amazonas)

10- Jutaí (calha do Médio Solimões) 

11- Fonte Boa (calha do Médio Solimões) 

12- Uarini (calha do Médio Solimões)

13- Alvarães (calha do Médio Solimões)

14- Tefé (calha do Médio Solimões)  

16- Codajás (calha do Médio Solimões)

15- Manaquiri (calha do Médio Solimões)

16- Autazes (calha do Médio Amazonas)

17- Silves (calha do Médio Amazonas)

18- Itapiranga (calha do Médio Amazonas)

19- Urucurituba (calha do Médio Amazonas)

20- Maraã (médio Solimões)

21- Careiro da Várzea (Amazonas)

21- Careiro Castanho (Médio Solimões)

23- Manaus- (Negro)

*SITUAÇÃO DE ATENÇÃO (ENCHENTE)

1- Novo Airão- (Negro)

2- Borba (Baixo Madeira)

3- Nova Olinda do Norte (Baixo Madeira

 

 Fotos:Defesa Civil AM/2017

 

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