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Susam diz que não foi avisada sobre situação de gêmeos recém-nascidos e ordena investigação

Falta de materiais de urgência neonatal obrigou médicos a improvisarem incubadora de oxigênio feita a partir de garrafa PET para gêmeos recém-nascidos. Um deles não sobreviveu 01/02/2016 às 19:49
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O casal de gêmeos nasceram prematuros, de sete meses, na madrugada de quinta-feira (28), na unidade de saúde de Jutaí. A menina faleceu horas depois por falta de suporte neonatal
silane souza Manaus (AM)

A Secretaria Estadual de Saúde (Susam) enviará, nesta segunda-feira (1º), uma equipe da Secretaria-Adjunta de Atenção Especializada do Interior para investigar o caso dos gêmeos recém-nascidos - que, na Unidade Hospitalar de Jutaí (município  distante cerca de 750 km da capital Manaus), foram tratados numa espécie de incubadora improvisada, com máscaras de oxigênio neonatal feitas a partir de uma mesma garrafa PET - para "adotar as medidas cabíveis".

Por meio de nota, a Secretaria informou "que não foi acionada pelo hospital de Jutai informando da gravidade da situação, para receber as orientações necessárias e nem solicitando serviço de remoção aérea, que está funcionando normalmente para os casos de maior gravidade que não podem ser resolvidos nos municípios".

"Acionada neste final de semana pela Susam, a direção do hospital informou que os gêmeos nasceram prematuros (de 7 meses) e que a menina tinha um quadro pulmonar mais debilitado. Mesmo tendo sido submetida aos mesmos procedimentos que o irmão (que já recebeu alta do hospital), não resistiu devido ao quadro de infecção respiratória aguda de etiologia alveolar, ocasionada por síndrome de membrana hialina, principal complicação de prematuridade", continua a nota.

 

"A direção destacou que a falta da máscara de venturi – que não estava disponível na unidade e que foi substituída pelo material improvisado de garrafa pet – não teria contribuído para o óbito do bebê. A Susam reiterou que as circunstâncias do atendimento serão apuradas, para as medidas cabíveis", completa.

Entenda o caso

Imagens obtidas pelo A CRITICA neste fim de semana mostram dois gêmeos recém-nascidos na Unidade Hospitalar de Jutaí usando uma espécie de incubadora improvisada e máscara de oxigênio neonatal feitos a partir de uma mesma garrafa PET - com a parte de cima servindo para um bebê e a parte de baixo para outro. Testemunhas relataram que no local não há equipamentos do gênero e muito menos Unidade de Terapia Intensiva de Neonatal.

O casal de gêmeos que aparecem nas imagens é sobrinho da autônoma Rayssa Neres de Pinho, 19. De acordo com ela, a irmã, a dona de casa Francisca Neres de Pinho, de 20 anos, deu à luz os filhos prematuros na madrugada da última quinta-feira (28), na unidade de saúde do município de Jutaí. A menina morreu por volta de 11h do mesmo dia por falta de suporte neonatal.

Os médicos deram alta pra Francisca e o bebê do sexo masculino no final da tarde deste sábado (30). Segundo a tia Rayssa, o bebê reagiu bem aos tratamentos e por isso o médico os liberou.

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