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Suspeito de matar e sequestrar líder comunitária no Amazonas é preso pela polícia

Vítima vinha sendo ameaçada e chegou a pedir ajuda na Assembleia Legislativa. Ela foi morta com 12 tiros e o suspeito, o “Pinguelão”, foi preso 17/08/2015 às 16:59
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Adson Dias da Silva, o “Pinguelão”
VINICIUS LEAL e ISABELLE VALOIS Manaus

Adson Dias da Silva, o “Pinguelão”, principal suspeito de sequestrar e matar com 12 tiros a líder comunitária Maria das Dores Salvador Priante, 54, em Iranduba, no Amazonas, foi preso pela polícia e está detido na delegacia de Manacapuru. Segundo o delegado Antônio Rodrigues da Silva, titular do DIP de Manacapuru, a prisão foi feita em cumprimento de mandado de prisão.

Adson foi preso na av. Eduardo Ribeiro, no Centro de Manaus, no momento que saia de uma agência bancária. Ele vinha sendo procurado pela Polícia Civil desde o dia do crime, ocorrido na última quinta (13), quando a líder comunitária foi sequestrada de dentro de casa, na comunidade Portelinha, em Iranduba, e depois encontrada morta no ramal Santa Luzia, no Km 52 da rodovia AM-070, já no município de Manacapuru.

De acordo com o irmão de Adson, Delcides Dias da Silva, 40, os dois tinham ido para Manaus na manhã de hoje para uma audiência pública no fórum do bairro de Aparecida, Zona Sul. “Fui apenas acompanhá-lo na audiência, mas como a outra parte não compareceu, eu e meu irmão saímos do fórum para retirar o dinheiro e pagar a presença do advogado e neste meio tempo fomos abordados”, contou.

Delcides disse que em nenhum momento os policiais civis apresentaram qualquer ordem ou mandado de prisão para os irmãos. “Havia dois carros da polícia civil e ninguém apresentou qualquer documentação. Cheguei a questionar, mas eles só informaram que iriam levar meu irmão para o distrito de polícia de Manacapuru. Peguei o carro e não pensei duas vezes, agora estou aguardando para ver o que irá acontecer com meu irmão”, disse.

Sobre a morte da líder comunitária, o irmão do suspeito explicou que Adson é inocente e que, inclusive, estava em sua companhia quando o crime ocorreu. “Ele não tem nada haver com o ocorrido, pois no dia do crime ele estava comigo organizando o arraial da Serra Baixa, no Km 28”, informou.

Voluntariamente

No mesmo dia do crime, dia 13, Adson havia se apresentado voluntariamente na delegacia de Iranduba, acompanhado do irmão. Mas ele nem chegou a ser ouvido porque o local onde o corpo da vítima foi encontrado era de competência do DIP de Manacapuru. Por não haver flagrante ou mandado de prisão, Adson havia sido liberado.

Entenda o caso

A líder comunitária Maria das Dores Salvador Priante, 54, foi executada com 12 tiros de pistola PT ponto 40, arma de uso exclusivo da polícia. Antes de o corpo ser encontrado, a polícia havia iniciado as buscas na noite de quarta-feira (12), quando Maria foi sequestrada por cinco homens, por volta de 18h30 de quarta, na comunidade Portelinha.


Em vida, Maria das Dores havia pedido ajuda na ALE-AM

A vítima foi encontrada morta por volta das 6h de quinta (12), estava com as mãos amarradas com uma braçadeira plástica e marcas de agressão pelo corpo. O corpo tinha três marcas de tiro na cabeça, um no pescoço, quatro no abdômen e cinco nos membros inferiores.

Ameaças de morte

Adson Dias, segundo informações da família da vítima, fazia frequentes ameaças à Maria das Dores, devido a uma disputa por terras e pela liderança da comunidade Portelinha. Familiares também contaram que a briga por terras na comunidade é muito grande e que “Pinguelão” sempre vendeu lotes de terra irregularmente no local.

O esposo da líder comunitária, Gerson Priante, contou à reportagem do Portal A Crítica, no dia do crime, que as ameaças se tornaram piores há dois anos. “Uma das piores aconteceu há seis meses, quando ele ameaçou bater na minha esposa com um pedaço de pau. Já havíamos feito várias denúncias contra ele”, declarou.

Na ocasião, Gerson contou que temia pela segurança dele e dos filhos. Ele disse que há pelo menos seis anos havia disputas de terra na comunidade Portelinha. “O Adson era o presidente da comunidade. Tudo começou quando a minha esposa ganhou a eleição e ele não aceitou. Fazia ameaças frequentes à ela”, disse.

Ajuda na ALE-AM

Quando em vida, a líder comunitária Maria das Dores havia pedido ajuda aos deputados da Assembleia Legislativa do Amazonas denunciando as ameaças de morte que vinha sofrendo. Na tribuna da ALE-AM, ela comentou que já havia feito 18 boletins de ocorrência na polícia, mas não recebia ajuda dos órgãos responsáveis.

“Ele já tentou me matar três vezes, inclusive no último sábado (20), assim como outros moradores que não concordam com sua atitude”, afirmou Maria das Dores, na tribuna da ALE.


O corpo de Maria foi velado na comunidade Portelinha

O corpo líder comunitária foi velado na comunidade Portelinha e depois enterrado no cemitério Parque Tarumã, na Zona Oeste de Manaus.

Ficha suja

O suspeito do crime, Adson, já havia sido preso em julho deste ano, suspeito de vender ilegalmente lotes de terra na comunidade Portelinha, além de cometer crimes de ameaça, porte ilegal de arma e tráfico de drogas.

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