Terça-feira, 11 de Agosto de 2020
BOA NOTÍCIA

Taxa de analfabetismo cai no Amazonas e fica abaixo da média nacional

Em quatro anos a taxa passou de 6,9% para 5,4%, mas condição entre os idosos ainda é o grande problema



zCID0116-001_p01_E04E94D5-C56C-4ECC-BD2D-AB0DC43A457C.jpg Foto: Istock
16/07/2020 às 08:36

A quantidade de pessoas alfabetizadas vem aumentando a cada ano no Amazonas. Exemplo dessa melhoria nos indicadores educacionais é que a taxa de analfabetismo teve uma redução de 1,5% nos últimos quatro anos. Para se ter ideia, em 2016, essa taxa era de 6,9% e passou para 5,4%, em 2019.  O indicador é menor que a média nacional que atualmente corresponde a 6,6%.

Os dados são da Pesquisa Anual por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os quais revelaram melhoria em outros indicadores da educação no Amazonas entre os anos de 2016 e 2019.



Além da queda do analfabetismo de pessoas com 15 anos ou mais de idade, também foi possível notar a diminuição no indicador para a faixa etária dos 60 anos ou mais de idade. O analfabetismo, no entanto, ainda continua sendo maior entre idosos.

“A taxa de analfabetismo no Amazonas vem melhorando a cada ano para todas as faixas de idade. Para as pessoas com 15 anos ou mais, a taxa do Estado o coloca em uma posição intermediária no País, bem próximos das melhores taxas e bem distantes das piores”, destacou o supervisor de Disseminação de Informações do IBGE no Amazonas, Adjalma Nogueira.

No ano passado, havia 158 mil pessoas analfabetas na faixa etária dos 15 anos ou mais de idade, no Amazonas, o equivalente à taxa de analfabetismo de 5,4%, menor que a média nacional que está em 6,6%.

Na Região Metropolitana, a pesquisa revela que, no ano passado, 2,5% das pessoas com 15 anos ou mais eram analfabetas.

“A Região Metropolitana de Manaus apresenta boas taxas de analfabetismo o que o coloca na sexta posição nos país para as pessoas com 15 anos ou mais de idade. Esse dado mostra que o gargalo do analfabetismo está nos municípios mais distantes da capital”, comentou Nogueira.

A taxa de analfabetismo do Estado, de 5,4%, para pessoas de 15 anos ou mais de idade, o coloca na 11ª posição entre as 27 unidades da federação. As três melhores posições do País são Rio de Janeiro, com 2,1%; Santa Catarina, com 2,3% e São Paulo que possui a taxa de queda de 2,6%. Já Alagoas (17,1%), Paraíba (16,1%) e Piauí (16%) possuem as piores taxas de analfabetismo do Brasil.

Terceira idade

Conforme a pesquisa, o analfabetismo está diretamente relacionado à idade no Amazonas. A explicação para isso é que nos grupos etários mais novos se observou queda neste índice: para 10,4%, considerando pessoas com 40 anos ou mais; para 7,1%, considerando aquelas com 25 anos ou mais; e 5,4%, levando em conta a população com 15 anos ou mais.

Em 2019, havia 71 mil pessoas entre 60 anos ou mais de idade analfabetas. Na Região Metropolitana de Manaus, os dados indicam que 9,3% das pessoas com 60 anos ou mais de idade eram analfabetas.

 

“O recorte de analfabetismo para as pessoas de 60 anos ou mais apresenta que ali está o problema, pois a taxa sobe em demasia mostrando que os analfabetos idosos colaboram fortemente com o indicador”, observa Adjalma Nogueira

No recorte da faixa etária de 60 anos ou mais, notou-se que a taxa de analfabetismo das mulheres é ligeiramente maior em relação à taxa dos homens, alcançando 18,5% e 18,2%, respectivamente.

Mais da metade conclui o ensino médio

Além dos números de analfabetismo, outro indicador positivo para o Amazonas diz respeito à conclusão da educação básica obrigatória, ou seja, aqueles que concluíram, no mínimo, o ensino médio.

No Amazonas, a proporção de pessoas de 25 anos ou mais de idade que terminaram a educação básica obrigatória manteve uma trajetória de crescimento e alcançou 54,1% em 2019, taxa maior do que a média nacional que é de 48,8%. Em 2016, essa taxa correspondia a 48,6%.

De acordo com Adjalma Nogueira, o panorama mostra a realidade das pessoas que não conseguiram concluir o ensino básico. “Somente 54,1% das pessoas concluíram o ensino básico. A maioria dos que não conseguiram concluir o ensino básico, nem chegou a completar o ensino fundamental, o que mostra que há um grande número de pessoas que embora estejam alfabetizadas não estão preparadas para enfrentar as exigências cada vez maiores de escolaridade”, observa o disseminador. 

Município informou que tem possui diversas ações voltadas para erradicação do analfabetismo

Semed destaca iniciativas

Em nota, a Secretaria Municipal de Educação de Manaus (Semed) informou que possui diversas ações voltadas para erradicação do analfabetismo, bem como escolarização na idade certa têm sido implementadas, inclusive lançou o lema “Aluno Alfabetizado: garantia de sucesso, compromisso de todos”, que fez parte de uma mobilização para trabalhar a alfabetização plena em todas as modalidades de ensino, incluindo a Educação de Jovens e Adultos (EJA).

Em março de 2018, a Prefeitura de Manaus também implantou o Programa de Gestão da Alfabetização (PGA), na rede municipal de ensino, visando melhorar o índice de alfabetização dos alunos e cumprir a meta 5 do Plano Municipal de Educação (PME), em que a secretaria assumiu o compromisso de, até 2024, alfabetizar todas as crianças até  do 3º ano do Ensino Fundamental.

Aliado ao PGA, a Semed também aderiu ao Programa Mais Alfabetização, que foi instituído pela portaria do Ministério da Educação (MEC) nº 142, de 22 de fevereiro de 2018, e veio com o objetivo de fortalecer e apoiar as escolas no processo de alfabetização, para fins de leitura, escrita e matemática dos estudantes nos 1º e 2º ano do ensino fundamental.

Ainda entre as ações da Semed para a erradicação do analfabetismo, mais de 2,1 mil professores da rede participaram de formações do Programa Nacional de Alfabetização na Idade Certa (Pnaic), nos últimos sete anos.

A Secretaria de Estado da Educação (Seduc) foi procurada para comentar a pesquisa, mas não respondeu até o fechamento desta edição.

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Repórter de Cidades
Jornalista formada pela Uninorte. Apaixonada pela linguagem radiofônica, na qual teve suas primeiras experiências, foi no impresso que encarou o desafio da prática jornalística e o amor pela escrita.

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