Quarta-feira, 26 de Junho de 2019
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Tecnologias de informação não podem ser campo de batalha entre países, diz Dilma

O assunto foi abordado pela Presidente do Brasil durante seu pronunciamento na Assembleia Geral das Nações Unidas, que criticou a espionagem norte-americana



1.jpg Durante discurso de quase 40 minutos, Dilma Rousseff defendeu uma reforma urgente no Conselho de Segurança da ONU e criticou a espionagem dos EUA
24/09/2013 às 16:52

A presidenta Dilma Rousseff propôs na manhã desta terça-feira (24), ao abrir a 68ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, o estabelecimento de um marco civil multilateral para a governança e uso da internet na proteção de dados. Segundo ela, a espionagem dos Estados Unidos – a cidadãos, ao governo e a empresas brasileiras – transcende o relacionamento entre os países, afeta a comunidade internacional e exige uma resposta.

“As tecnologias de telecomunicação e informação não podem ser um novo campo de batalha entre os Estados. Este é o momento de criarmos as condições para evitar que o espaço cibernético seja instrumentalizado como arma de guerra por meio da espionagem, da sabotagem, dos ataques contra o sistema e infraestrutura de outros países”, disse Dilma. “A ONU deve desempenhar um papel de liderança no esforço de regular o comportamento dos Estados ante essas tecnologias e a importância da internet para a construção da democracia no mundo.”

Dilma disse que a revelações das atividades de espionagem provocaram indignação e repúdio na opinião pública mundial, com destaque para o Brasil, que foi alvo, incluindo informações empresariais de alto valor econômico estratégico. Dilma ressaltou que uma soberania não se pode firmar em detrimento de outra.

“Jamais pode o direito à segurança dos cidadãos de um país ser garantido mediante a violação de direitos humanos e fundamentais dos cidadãos de outro país. Pior ainda quando empresas privadas estão sustentando essa espionagem”, disse. Segundo ela, os argumentos de que a interceptação ilegal de informações e dados destinam-se a proteger as nações contra o terrorismo não se sustentam.

Reunião com Secretário-Geral

Antes do início da sessão, Dilma se reuniu com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. Ele e John Ashe, presidente desta sessão da Assembleia Geral da ONU, abriram o evento antes do discurso de Dilma. A tradição de o primeiro orador na Assembleia Geral da ONU ser um brasileiro surgiu a partir de Oswaldo Aranha, então chefe da delegação do Brasil, que abriu a primeira sessão especial em 1947.

Dilma chegou ontem às 6h55 a Nova York. À noite, ela teve duas reuniões no hotel onde está hospedada. Uma com o ex-presidente norte-americano Bill Clinton e outra com a presidenta da Argentina, Cristina Kirchner.

Dilma ainda participa da primeira reunião do Fórum de Alto Nível de Desenvolvimento Sustentável, que reunirá, a partir desta sessão, ministros de Meio Ambiente anualmente e chefes de Estado a cada quadriênio. A meta é implementar as metas estabelecidas no documento final da Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável, Rio+20, intitulado O Futuro Que Queremos.

Os países se comprometeram, durante a conferência do Rio de janeiro, em 2012, a definir objetivos concretos e mensuráveis para a eliminação da pobreza e da fome no mundo com desenvolvimento sustentável.

Reforma no Conselho de Segurança

Rousseff também defendeu as reformas do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Segundo ela, ambos precisam refletir o peso dos países emergentes e em desenvolvimento. A demora nessas reformas reduz a legitimidade e eficácia desses organismos, alertou a presidenta.

Dilma disse que é preocupante a representação limitada do Conselho de Segurança da ONU diante dos novos desafios do século 21, o que aumenta a necessidade de uma reforma “urgente”, o que vem sendo pedido desde a Cúpula Mundial de 2005. “Impõe evitar a derrota coletiva que representaria chegar a 2015 sem um Conselho de Segurança capaz de exercer plenamente suas responsabilidades no mundo de hoje”.

Síria em destaque

Após defender a necessidade de uma reforma “urgente” do Conselho de Segurança, a presidenta disse que o conflito armado na Síria comove e provoca indignação, com dois anos e meio de mortes e destruição, que causaram o maior desastre humanitário do século. Segundo ela, a única solução para a crise é a negociação.

“Não há saída militar. A única solução é a negociação, o diálogo, o entendimento”, disse Dilma. Ela observou que o Brasil tem na descendência síria um importante componente de sua nacionalidade, e está envolvido com o drama de sua população. “É preciso impedir a morte de inocentes, crianças, homens, mulheres e idosos. É preciso calar a voz das armas – convencionais ou químicas, do governo e dos rebeldes”.

A presidenta disse que a decisão do governo da Síria de assinar a Convenção sobre a Proibição de Armas Químicas é decisiva para superar o conflito. O uso de armas químicas, reforçou a presidenta, “é hediondo e inadmissível em qualquer situação”, e, por isso, o Brasil apoiou o acordo entre os Estados Unidos e a Rússia para eliminar o armamento. “Cabe ao governo sírio cumpri-lo integralmente, de boa-fé e com ânimo cooperativo”.

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