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Cotidiano
recuperação nos negócios

Indústria e comércio do AM enxergam a troca de governo com expectativas positivas

Atores dos principais setores da economia brasileira citam queda na produção e nas vendas, demissões, alta da inflação e recuo dos investimentos no País como resultado da estagnação econômica provocada pelo atual governo 19/04/2016 às 05:40 - Atualizado em 19/04/2016 às 08:43
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Saadya Jezine

Insatisfeitos com o ritmo lento da economia e o fracasso nos negócios, representantes da indústria e do comércio no Amazonas avaliaram a aprovação do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff ocorrida na Câmara dos Deputados, nesse domingo (17), em Brasília, como um passo para recuperação da economia a partir da renovação presidencial. 

Os atores dos principais setores da economia brasileira citam a queda na produção e nas vendas, as demissões, a alta da inflação e o recuo dos investimentos no País como resultado da estagnação econômica provocada pelo atual governo.

Para o presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco, tal resultado positivo ocorreria, no mínimo, em médio prazo. “Nós não defendemos partido A, B ou C. O que sabemos agora é que a governabilidade do País não está sendo boa. E aí sabemos que é por conta de uma questão política criada pelo grupo que está no governo, formado por vários partidos políticos. Por conta disso, nós entendemos que a mudança é necessária”, ressaltou.

Périco destaca que o quadro econômico vem como efeito cascata. “O volume de vendas cai porque o consumidor não tem segurança nos seus empregos, aí evita o consumo. Empresários não se sentem seguros para investir, porque do pouco consumo, as taxas de juros estão muito altas para investimentos. Aumenta a demissão e a história se repete”, acrescenta.

Na opinião do presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL-Manaus), Ralph Assayag, as consequências positivas na economia seriam sentidas logo após o impedimento. Segundo ele, a bolsa de valores sinalizou melhorias. No entanto, o índice Ibovespa caiu 0,63% e o dólar fechou em alta de 2,24%. O representante acredita que a queda no faturamento e o colapso na economia é fruto de proposituras que não foram realizadas por Dilma. “Mas acredito que até o meio do ano, conseguimos reverter essa crise”, disse otimista.

Segundo Pedro Rossi, do Instituto de Economia da Unicamp, a inflação pode ter uma causa monetária (impressão de dinheiro pelo governo), causas psicológicas (agentes ajustam o preço porque acham que outro também vai ajustar) e pode ter uma causa real (um desajuste entre a oferta e a demanda por bens e serviços).

O mercado financeiro doméstico agora aguarda definições sobre um possível governo do atual vice-presidente Michel Temer.  “O mercado já havia precificado a votação da Câmara antecipadamente. Isto é característico do mercado financeiro”, observa Fernando Bergallo, diretor da FB Capital.

'Campanha' no Senado

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) informou que se o Senado aprovar o afastamento da presidente, o ambiente político vai registrar uma mudança favorável, melhorando o clima de confiança, apesar de a economia ainda continuar em crise.

O presidente da CNC, Antonio Oliveira Santos, vai estimular os presidentes das Federações filiadas a alertarem os senadores de seus Estados para que, com seu voto, “concretizem a esperança que o comércio tem de o País poder sair do caos político, financeiro e moral”.

Os números da crise

13,9% de queda na confiança

O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), da CNC, atingiu 80,9 pontos em março, uma queda de 13,9% em relação a março de 2015.

9,6 milhões  de desempregados 

Essa é a quantidade que o Brasil registrou de de novembro de 2015 a janeiro de 2016, segundo o IBGE. São quase 3 milhões de desempregados a mais que no mesmo período de 2015.
 

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