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Cotidiano
Larvicidas biológicos

Larvicidas biológicos são usados no combate ao Aedes aegypti

Três marcas de larvicidas estão disponíveis no mercado: produto não agride o meio ambiente e nem a nossa saúde 24/05/2016 às 13:58
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Uso dos larvicidas é recomendado em locais que acumulam água (Foto: Érica Melo - Arquivo/AC)
Silane Souza Manaus (AM)

O combate mais eficaz contra a proliferação de mosquitos vetores de doenças, como o Aedes aegypti, que transmite dengue, o vírus da zika e febre chikungunya, é sem dúvida cortando o mal pela raiz, isto é, não deixando eles se desenvolverem. Uma das melhores alternativas para esse caso é a utilização de larvicidas biológicos para uso doméstico. O produto tem um hormônio que prejudica o desenvolvimento da larva e a impede que se transforme em um adulto saudável, capaz de transmitir doenças sérias, apontam especialistas.

A tecnologia, outrora utilizada apenas pelo governo federal em tanques de água potável e caminhões-pipas em regiões carentes de saneamento básico para combate à dengue, hoje está disponível em supermercados à toda a população. O mercado conta com três tipos de larvicidas – DengueTech, Biovech e Straik Mata-larvas – que não agridem o meio ambiente e têm a vantagem de matar as larvas do mosquito sem deixar qualquer tipo de resíduo tóxico, sendo inofensivo a seres humanos.

Ciclo
Para o engenheiro agrônomo e especialista em Defesa Fitossanitária Milton Braide, o uso de larvicida completa o ciclo do controle integrado do Aedes. “Aliado às práticas de retirar água parada em recipientes, do uso de telas de proteção nos lares, de repelentes elétricos, inseticidas e repelentes, a utilização dessa nova ferramenta ajuda a diminuir a proliferação do Aedes aegypti e a manter as doenças transmitidas por ele sob controle, visto que o larvicida não deixa a larva se transformar em mosquito”, afirma.

Braide ressalta que, quando se trata de uma epidemia como essa que atinge o Brasil, a preocupação de combater o vetor não deve ser só dos governantes, mas da população em geral. “As pessoas têm que se envolver nisso e aprender que a responsabilidade não é só do governo, que acabou falhando no controle dessas doenças. É hora de assumirmos nossa responsabilidade também e cada um fazer sua parte”, lembra.

Várias frentes
O especialista salienta ainda que as medidas não podem ser tomadas de maneira isolada porque a complexidade do mosquito é tão grande que para o controle integrado dele é preciso fazer uso de todas as ferramentas disponíveis no mercado. “Não adianta usar só larvicida ou retirar água parada em recipientes, temos que utilizar ações conjuntas porque é assim que se faz o controle integrado de pragas e epidemias causadas por insetos – mantendo sua população sob controle”, frisa. 

De acordo com Braide, os larvicidas biológicos de uso doméstico são considerados um novo conceito para controlar larva de mosquito, não só da dengue, zika e chikungunya, mas também da malária e de carapanãs em geral, que têm incidência alta na nossa região por se tratar de uma área endêmica para essas doenças. “Considero os larvicidas como a mais poderosa arma que temos porque eles conseguem controlar o mosquito antes que ele nasça”, pontua.

Produtos são de simples aplicação

Os larvicidas são fáceis de usar: no caso do Straik Mata-Larva, por exemplo, basta uma borrifada por metro quadrado de água.  Com microcápsulas que estouram na água em doses intercaladas, o produto promove efeito prolongado e sem interrupções por até 60 dias, não deixando a larva do mosquito se desenvolver no ambiente.

Conforme Milton Braide, que também é sócio da empresa paranaense Dexter Latina, os larvicidas podem ser colocados em todos os locais onde há água parada. Também podem ser borrifados em locais que, eventualmente, possam acumular água porque o produto só libera as microcápsulas quando está em contato com a água.

“O mosquito, quando se torna adulto, tem facilidade de se espalhar por vários metros, mas quando é larva não: se concentra em pequenos recipientes. Esse é o momento mais apropriado e eficaz para combater o Aedes”, explica Braide, ressaltando que larvicidas como o Straik podem ser aplicado em qualquer lugar, pois não são tóxico e têm registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), além de seu uso ser reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) desde 2004. “E é de uso doméstico, ou seja, não precisa profissionais para aplicá-lo”, completa.

Zika tem 4,1 mil casos no AM

Até o dia 17 de maio, Manaus registrou 4.123 casos suspeitos de zika, sendo que 902 foram confirmados por laboratório, 1.812 foram descartados e 1.409 estão em investigação, de acordo com a Fundação de Vigilância em Saúde (FVS).   Entre mulheres grávidas, os casos suspeitos são 800, com 199 confirmados, 335 casos descartados e 266 em investigação. Manaus tem um caso confirmado de microcefalia relacionado ao vírus (‘importado’ de Boa Vista).

Blog - Luzia Mustafá - Coordenadora de Controle da FVS

A melhor alternativa para combater o Aedes aegypti é eliminar os criadouros. Para isso não precisa utilizar larvicidas, basta fazer uma inspeção em casa, no seu quintal ou no trabalho pelo menos uma vez por semana. Só quando há aquele depósito de foco de mosquito que o morador e o agente de endemias não conseguem eliminar é que é recomendado o uso de larvicida, mas nesse caso nós utilizamos os larvicidas distribuídos aos Estados pelo Ministério da Saúde para serem utilizados no Programa de Controle e Prevenção de Epidemias de Dengue. São inofensivos, mas existem critérios para o uso desse produto, não podemos colocar menos que o indicado porque corre o risco de não matar a larva e nem colocar demais para não fazer com que ela fique resistente”.

 

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