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Cotidiano
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Terminais de transporte coletivo têm estrutura precária

Locais estão depredados e reformas têm que ser bancadas pelos próprios trabalhadores 02/11/2013 às 09:26
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Terminal central não oferece proteção nenhuma para trabalhadores e até para passageiros
Monica Prestes Manaus, AM

Os terminais de ônibus de transporte coletivo, localizados nos bairros, marcam as paradas final e inicial das rotas e servem também como um ponto de apoio para motoristas e cobradores durante o descanso obrigatório de uma hora a que eles têm direito entre uma viagem e outra.

O difícil é conseguir descansar em locais onde falta de água a banheiros, de proteção contra o sol ou a chuva a mesas ou cadeiras, como parte dos terminais de linha espalhados, desde os bairros de periferia, até o Centro da cidade.

No terminal das linhas 320 e 323, que fica localizado no bairro União da Vitória, Zona Norte, as condições de trabalho são insalubres e só não estão piores porque os próprios trabalhadores - motoristas, cobradores e fiscais de linha - custearam a reforma e a manutenção da estrutura, que é a única proteção contra o sol ou a chuva, tanto para os trabalhadores quanto para os passageiros.

No banheiro, que ainda não foi reformado, a sujeira acumulada ao longo dos anos e a decoração das paredes com fotos de mulheres nuas reforçam a aparência de abandono do local. Um barril cheio de água fica ao lado do sanitário, para os dias em que falta água.

Há algum tempo, os banheiros sequer tinham fossa. Ela foi construída com o dinheiro dos próprios trabalhadores, que arrecadaram os pouco mais de R$ 600 necessários para a obra. Além da fossa, uma geladeira e uma televisão também foram compradas com recursos dos motoristas, cobradores e fiscais. Os gastos e a divisão das despesas ficam fixados em um mural, dentro da sala do descanso, que abriga a geladeira, a televisão e alguns outros móveis.

“Para ter um pouco de conforto nós decidimos nos unir e pagar por essas melhorias. Cada um dá o que pode pra ajudar. Consertamos o forro, compramos a geladeira, a televisão, mandamos fazer a fossa”, contou o motorista Reinaldo Carvalho, um dos que contribuiu para as melhorias no local.

Para usuários do transporte público, a falta de condições de trabalho para motoristas e cobradores pode afetar a qualidade do serviço ofertado. “Quem consegue trabalhar nessas condições? É natural que eles fiquem estressados, o problema é que, muitas vezes, esse estresse é extravasado no trânsito, e o usuário acaba prejudicado”, reclamou a doméstica Francinete Rodrigues.

Situação de abandono se repete no terminal central
A estrutura do terminal do bairro União da Vitória não é a única que precisa de reforma. Há outras linhas onde não existe nenhum tipo de proteção, muito menos conforto, para os trabalhadores e até para os passageiros. O problema, segundo motoristas e cobradores, existem em toda a cidade, não apenas nos bairros periféricos.

Exemplo desse descaso ocorre bem no Centro de Manaus, a alguns metros do terminal da Matriz, na rua Almirante Tamandaré. Ali, embaixo de uma parada de ônibus - que está parcialmente destelhada -, fica o terminal das linhas 305, 011 e 012.

Quando chegam ali, motoristas deixam os ônibus estacionados na faixa da direita, em frente à parada, e descem dos veículos com os cobradores para tentar descansar na calçada. “Mas tem como descansar aqui?”, questionou o fiscal de linha Antônio Lira dos Santos, que trabalha há quatro anos no terminal da rua Almirante Tamandaré.

Jeitinho
Durante a manhã, quando uma banca de café abre ao lado da parada de ônibus, os trabalhadores têm, ao menos, onde sentar. Depois que o café fecha e os bancos são levados embora, resta ao motoristas, cobradores e ao fiscal de linha, que passa o dia ali, emprestar cadeiras e mesas das casas noturnas localizadas no entorno e sentar na calçada.

“O terminal não tem estrutura nenhuma, nem banheiro. Os homens fazem na rua e as mulheres têm que pedir pra usar os banheiros dos bordéis. É constrangedor, não vou sozinha. Quando não tem um parceiro pra acompanhar, a gente faz como em outros lugares onde não tem banheiro: faz dentro do ônibus mesmo, no chão”, contou uma cobradora, que preferiu não ser identificada por temer represálias dos empresários do transporte coletivo.

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