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Cotidiano
COMPORTAMENTO

Tique, TOC ou mania? Saiba como diferenciar

Especialistas em psicologia explicam quais os sintomas de quem sofre com Transtorno Obsessivo Compulsivo 30/07/2017 às 05:00 - Atualizado em 31/07/2017 às 16:24
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Organização em excesso, que afeta a rotina da pessoa, pode ser Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC)
Natália Caplan Manaus

Se a foto acima te proporciona uma sensação de paz, pode ser que se encaixe em uma dessas alternativas: você é organizada, ou apresenta um grau de Transtorno Obsessivo Compulsivo. Algumas pessoas, tem “mania de limpeza”, roer as unhas, ou balançar as pernas, por exemplo. Mas como identificar se é apenas hábito, um tique ou TOC? Segundo a psicóloga e neuropsicóloga Fernanda Queiroz, há várias diferenças.

“Os hábitos surgem como reações ou comportamentos que criamos para aliviar a tensão, a ansiedade, ou simplesmente porque de alguma maneira nos fazem bem. Nesta categoria podemos incluir mexer no cabelo, balançar os pés, estalar os dedos, arrumar os óculos, organizar nossas roupas por cores, etc. Essas manias são voluntárias, portanto, podemos controlá-las quando desejamos”, explica.

Segundo a também cofundadora da “Estar Saúde Mental”, ao longo da vida, todos acumulam gestos e comportamentos, frutos de experiências e da própria personalidade. Entretanto, é preciso observar. Quando o tique não desaparece, é preciso investigar. No caso de TOC, é importante entender que todos têm “rituais” e pensamentos, mas isso não significa um diagnóstico.

“Os tiques são movimentos involuntários, rápidos, repetitivos e sem propósito. Oferecem uma sensação de alívio e não temos controle sobre eles. Por exemplo: piscar os olhos, mexer os ombros, morder os lábios, coçar a garganta, emitir sons estranhos, repetir certas palavras, entre outros”, afirma a psicóloga. “No TOC é comum pensamentos distorcidos, exagerados e supervalorizados. A pessoa só consegue se livrar deles quando realiza seus ‘rituais’”, ressalta.

Cores sempre alinhadas

Se depender da administradora de empresas Cleide Rejane Souza Brasil, 42, tudo está sempre organizado. Desde criança, ela e as irmãs cuidavam da casa, enquanto os pais trabalhavam. Até mesmo as roupinhas de bonecas eram arrumadas. Hoje, ela tenta repassar esse hábito para os três filhos, Ítalo, 24, Brenda, 21, e Bruna, 11. As roupas são separadas por cor. “Gosto de organizar de tudo um pouco, mas com as roupas e as louças sou mais exigente. Às vezes, eles não gostam, porque eu ‘pego no pé’ mesmo. As roupas são passadas e cada um tem o dever de guardar as suas. Então, quando aquela pilha fica por dias ali, tenho que falar. Incomoda. Eu organizo e o pessoal só faz manter”, diz.

Quando procurar ajuda

O Transtorno Obsessivo Compulsivo é uma doença grave e pode ser incapacitante. De acordo com a psicóloga clínica e terapeuta cognitvo comportamental Karina Alecrim Bessa, proprietária do Instituto de Assistência e Promoção da Saúde Integral, as obsessões são pensamentos desagradáveis que invadem a mente do portador, causando desconforto e ansiedade. Para aliviar isso, ele lança mão das compulsões, os famosos “rituais” — como lavar as mãos dez vezes para ter certeza que está "seguro" contra bactérias. “Os sintomas envolvem também alterações das emoções, porque geram ansiedade, tristeza, desconforto, aflição, culpa, entre outros”, diz.

Mais da metade dos pacientes diagnosticados com TOC tem algum outro transtorno psiquiátrico, como depressão, ansiedade e fobias. Já o tique está associado a condições de ansiedade e estresse, assim como mudanças repentinas na rotina. De acordo com ela, a Terapia Cognitivo Comportamental (TCC) no tratamento do TOC tem surpreendido. Ele é eficaz em 70% dos pacientes, sendo o tratamento de primeira escolha quando há predominância de “rituais” e sintomas de intensidade leve a moderada. “Nela, o terapeuta foca nos pensamentos distorcidos do paciente e em suas crenças disfuncionais, sendo este o ponto de partida para o tratamento dos sintomas obsessivos e compulsivos”, afirma.

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“Pelo o que me lembro, desde que tinha 7 anos, eu tenho o hábito de me balançar para dormir. Deito de lado e me balanço, para frente e para trás. Não necessariamente porque tenho dificuldade para dormir, apesar de que, às vezes, auxilia também para adormecer. Porém, o que sinto quando me balanço é uma sensação de conforto, de paz e de carinho. Mesmo dormindo abraçada com meu esposo isso acontece. No começo ele estranhou, mas hoje já está acostumado. Acho que é hábito. Nunca falei sobre isso com minha psicóloga, mas vou mencionar na próxima consulta.”

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