Quinta-feira, 27 de Janeiro de 2022
Garimpo no Madeira

'Tiraram bastante ouro', diz secretária do Meio Ambiente de Autazes

"Ainda corre o risco de retornarem, mas enquanto órgão ambiental, nós vamos monitorar”, conta Elaine Galvão. Centenas de balsas se dispersaram após rumor de operação policial



GP1SWLYA_Web_size_1BB99437-FF62-4FFE-BA05-6847E1028B5E.jpg Foto: Bruno Kelly/Reuters
26/11/2021 às 19:00

Após duas semanas sugando o leito do rio Madeira e despejando mercúrio na água, as centenas de balsas de garimpo deixaram a região próxima ao município de Autazes (AM). Apesar da retirada, ainda conseguiram realizar o principal objetivo que os havia levado até ali. 

“A informação que temos é que tiraram bastante ouro. Ainda corre o risco de retornarem, mas enquanto órgão ambiental, nós vamos monitorar”, conta Elaine Galvão, secretária de Meio Ambiente de Autazes, município onde as balsas de garimpo se concentraram nos últimos dias.



As dragas deixaram a região na madrugada desta sexta-feira (26). Segundo uma garimpeira que estava com balsa atracada na região, houve medo por parte dos garimpeiros que houvesse confronto com a Polícia Federal ou outro órgão ambiental.

“Eu passei por lá umas 8h30 e se tinham cinco [balsas] era muito. Eles foram embora de madrugada, ficaram com medo das ameaças de que iriam queimar as balsas, que iam sair matando todo mundo”, conta a dona da draga.

Primeiro ela diz não saber para onde a maioria das balsas foi, mas depois afirma que voltaram “para onde estavam [...] em Humaitá”. Destaca também que boa parte dos que estavam entre as 600 balsas era de Rondônia, por onde o rio Madeira também corre. 

A informação é similar ao que informa a secretária de Meio Ambiente de Autazes sobre o destino das dragas. “Retornamos na tarde desta sexta-feira daquele ponto [onde estavam as balsas] e só vimos quatro delas. De manhã já eram somente 20. Pelo que sabemos, foram para Manicoré, Borba e Novo Aripuanã”, diz a titular da pasta.

O início

A secretária relembra o início do cenário de garimpo fluvial que se espalhou pelos jornais do Brasil e do mundo nos últimos dois dias. Diz ter começado muito antes, há cerca de duas semanas. 

“Ficamos sabendo da presença de algumas balsas no rio Madeira entre Nova Olinda do Norte e Autazes. Cerca de uma semana depois, chegaram mais balsas. Isso preocupou os moradores, que trouxeram denúncias para a nossa secretaria”, conta a titular da pasta.

Neste mesmo período, os primeiros garimpeiros que chegaram espalharam para outros que haviam encontrado ouro na região. A partir de então, em poucos dias já havia fileiras de dragas atuando na localidade. 

A partir da denúncia da população, a equipe de Meio Ambiente do município foi até a comunidade Rosarinho, região próxima de onde estavam as cerca de 230 dragas de garimpo. A fumaça preta que saía do maquinário podia ser vista do céu.

“No dia 19, enviamos um ofício ao Instituto de Proteção da Amazônia (Ipaam) e à Secretaria de Meio Ambiente do Estado, porque a situação estava em um nível grande e não temos estrutura para lidar com isso. A partir dali começamos a trocar informações e pelo que sabemos estavam planejando uma operação de fiscalização, mas não aconteceu”, diz a secretária.

Apesar do conhecimento dos órgãos acerca da ilegalidade, as balsas conseguiram deixar o local sem que houvesse repressão. O Ipaam e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) planejam ação de fiscalização na região.


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