Quinta-feira, 25 de Abril de 2019
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Tradicional procissão da via sacra levou milhares de católicos para as ruas em vários pontos da cidade. Ovos de chocolate e outros produtos sazonais fazem parte da tradição e movimentam o comércio nessa época do ano
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Tradição e religiosidade se confundem na Páscoa

Entre a fé a aquecimento sazonal do consumismo, o período de Páscoa tem diferentes significados para cada pessoa


03/04/2015 às 21:20

Foi-se o tempo em que, na Sexta-feira Santa, o programa do dia era fazer silêncio, ir à igreja, não varrer a casa, assistir ao filme “Paixão de Cristo” e orientar a molecada a não fazer “traquinagens” senão o sábado seria doloroso. Hoje, 63% dos brasileiros não leva a sério o tríduo pascal (sexta, sábado e domingo), festividade mais importante para a religião cristã. Pelo menos é o que revela um levantamento feito pela MeSeems, empresa de pesquisa web-mobile, com 5.443 pessoas de todas as regiões do País.

De acordo com o levantamento, 44% dos pesquisados comemoram a Páscoa apenas como uma data festiva, 37% como um feriado religioso e 19% nem comemoram a data. A pesquisa foi aplicada entre os dias 18 e 23 de março. Do total de respondentes, 90% têm idade entre 18 e 40 anos, sendo homens e mulheres, das classes sociais A, B e C, em todo o Brasil.

 O esvaziamento de carros nas ruas de Manaus a partir da última quinta-feira (2) e o grande movimento no aeroporto Eduardo Gomes, nas saídas das rodovias AM-010 e BR-174, Ponte Rio Negro e nos portos, pode confirmar que o resultado da pesquisa pode ser aplicado a Manaus. Basta comparar com o movimento verificado nas igrejas.

Mas, nem todos os que ficaram o fizeram por questões religiosas. A corrida ao comércio varejista em busca de símbolos da Páscoa e a troca do consumo da carne pela do peixe, na maioria dos casos não se relaciona com o real sentido da Páscoa e o sentido religioso original acaba ficando em segundo plano.

Para o Pr. José João Mesquita, líder da Igreja Presbiteriana de Manaus, temos uma população secularizada, que é vítima do marketing feito pelo comércio e se torna refém de símbolos como o coelho e o ovo de Páscoa, e da falta de religiosidade. “São elementos que também tiraram o significado do Natal. As pessoas estão mais preocupadas em curtir a folga do feriado se divertindo e se esquecem do real significado da festa”, argumenta o pastor.

 Ele lembra que o ovo e coelho fazem parte de uma tradição européia. “Nos sítios, para ajudar a pobreza, pessoas pintavam ovos de galinha, escondiam e, quando as crianças iam procurar, encontravam coelhos correndo. O símbolo da Páscoa é o cordeiro, mas o comércio prefere ovo de chocolate”, relata Mesquita.

Avaliação de Castriani

O arcebispo de Manaus, Dom Sergio Castriani, concorda com o pastor José João quanto à opção das pessoas. “Vivemos num mundo secularizado. Religião é opção pessoal, cada um faz a sua escolha. Liberdade de fé e consciência é um valor e exige respeito de todos. Os que não acreditam só reforçam a necessidade do diálogo e da convivência. Não queremos impor esta fé a ninguém. Respeitamos, mas também queremos ser respeitados e respeitamos também”, disse o arcebispo.

Período bom para negócios

A semana em que os cristãos lembram a morte e a ressurreição de Jesus também significa alto faturamento para o comércio. Para a maioria das crianças sem orientação cristã adequada, a verdadeira estrela da festa não é o filho de Deus e sim a dupla formada pelo coelhinho e o ovo de chocolate. Para os adultos o leque de ofertas é maior.

Segundo pesquisa da Fecomércio RJ/Ipsos, a Páscoa de 2015 deve gerar uma receita de R$ 9,5 bilhões ao comércio brasileiro. Apesar da inflação e dos impostos, houve avanço de 8,7% dos consumidores que pretendem gastar mais com produtos para a data, em comparação com o ano passado.

 De acordo com projeção do Ministério do Turismo, nesse período, a economia do Amazonas terá um ganho de R$ 50,2 milhões, somente com o mercado doméstico de viagens.

Já o comércio atacadista e varejista ainda espera pelo final da festa. Ralph Assayag, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), torce por dias melhores. “Nosso carro chefe é o ovo de Páscoa e o movimento maior é no sábado e domingo. Nossa previsão é de um crescimento 3%”, disse.

Saiba mais:  Celebração judaica

A Páscoa já era comemorada antes da época de Jesus Cristo. Tratava-se da comemoração dos judeus por terem sido libertados da escravidão no Egito. Segundo a Bíblia o próprio Jesus participou de várias celebrações pascoais. Os judeus seguem a tradição descrita no livro do Êxodo. Durante as festividades da Pessach, um jantar especial de comemoração, reúne toda a família.

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Antigo Testamento

No Antigo Testamento, o sacrifício do cordeiro era o principal significado da Páscoa, o resto era complemento, como ervas amargas e pães sem fermento para lembrar do sofrimento do povo quando esteve cativo no Egito.

Em números

37% das pessoas reconhecem a Páscoa é um feriado religioso.   Segundo pesquisa da MeSeems, são as pessoas que celebram a Páscoa no sentido religioso, seja cristão ou judaico.

44% acham que a Páscoa é, principalmente, um período festivo.  É esse percepção que alimenta o comércio de ovos de chocolate e outros produtos sazonais relacionados à Páscoa.

19% não celebram a Páscoa de nenhuma forma.   São as pessoas que percebem o período apenas como mais um feriado prolongado a ser aproveitado da melhor forma possível.

Vozes das ruas

Qual é o sentido da Páscoa para você?

“Para mim, Páscoa significa família. Independentemente de religião, a Páscoa tem o tradicional poder de juntar famílias”. Thaís Oliveira, universitária.

“Páscoa significa passagem. É a celebração mais importante da Igreja Cristã, onde se comemora a ressurreição de Jesus Cristo”. Jair Frazão, comunicador.

“A Páscoa vai muito além de ovos e coelhinhos. É  a rememoração do sacrifício de Cristo Jesus na cruz do Calvário e sua ressurreição após três dias”. Geizyara Rebouças, jornalista.

“A Páscoa vem reforçar o que devemos seguir diariamente: vivenciar a mensagem de nosso mestre Jesus Cristo”. Maria Beatriz, cientista social.

“Eu acho que, na Páscoa, o carinho, a alegria, as amizades e os momentos ficam mais doces”. Branco Soares, empresário

“Páscoa é a passagem, a  saída do povo De Deus do Egito. Ou seja, um salto para a terra prometida”. Havenna Medeiros, estudante.


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