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Traficante e membro da FDN, ‘João Branco’ é procurado pela Interpol em 188 países

Caçada internacional: único foragido entre os líderes da facção criminosa Família do Norte, João Pinto Carioca foi incluído na lista de procurados da Interpol 30/11/2015 às 11:10
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“João Branco” passou a ser o criminoso mais procurado do Amazonas e pode estar escondido na Venezuela
Joana Queiroz Manaus

O traficante e membro do “conselho” da facção criminosa Família do Norte (FDN), João Pinto Carioca, o “João Branco”, foi incluído na lista de procurados da Interpol, chamada “difusão vermelha” (Red Notice), e é caçado em 188 países.

A inclusão ocorreu na semana passada, antes da deflagração da operação La Muralla da Polícia Federal, que prendeu mais de 90 pessoas ligadas à FDN e transferiu para presídios federais os 17 principais líderes da rede criminosa.

João Branco é, atualmente, a única liderança da facção a não estar atrás das grades, desde que fugiu do regime semiaberto do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em março de 2014.

De acordo com o titular da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) da Polícia Federal, Rafael Caldeiras, João Branco pode ser preso a qualquer momento, em qualquer um dos países que receberam o mandado de prisão expedido contra ele.

A difusão vermelha da Interpol consiste em uma lista com fotos e dados sobre criminosos procurados - envolvidos, dentre outros crimes, pedofilia, lavagem de dinheiro e terrorismo - enviada aos países que integram a organização internacional.

Quando um alerta é emitido pela difusão vermelha, as organizações policiais que representam a Interpol em cada um dos seus 188 Estados - partes podem dar execução aos mandados de captura internacional. Por conta da inclusão, João Branco passou a ser o criminoso mais procurado do Amazonas. 

Procurado: a fuga de ‘João Branco’

Ele está foragido desde o dia 17 de março do ano passado, quando pulou o muro do sistema semiaberto do Compaj, no Km 8 da rodovia BR-174, minutos antes da chegada e policiais civis que dariam cumprimento a um mandado de prisão preventiva contra ele, pela morte do delegado da Polícia Civil Oscar Cardoso, ocorrida oito dias antes.

De acordo com informações da Polícia Civil, João Branco se embrenhou na mata do entorno do Compaj, foi resgatado por comparsas e levado para um sítio na BR-174, de onde seguiu para Boa Vista e, depois, à Venezuela, onde está escondido até agora, segundo a polícia, inclusive usando documentos falsos. A polícia também não descarta a possibilidade de o criminoso ter feito uma cirurgia plástica para mudar a aparência e dificultar sua captura.

De acordo com o delegado federal Rafael Caldeiras, além do mandado de prisão pela morte do delegado Oscar, “João Branco” tem outro mandado de prisão contra ele expedido pela Justiça Federal por integrar a facção criminosa FDN, e por crimes de homicídio, roubo, tráfico de drogas, armas e sequestros.

Na época da fuga, João Branco teria compartilhado com servidores do Compaj que estava com medo de ser morto pela polícia, principalmente pelos colegas do delegado Oscar.

Contatos frequentes pelo celular

Considerado pela Polícia Federal (PF) o criminoso mais perigoso do Amazonas atualmente, mesmo foragido há mais de um ano, João Branco mantinha contato quase que diário com os líderes da Família do Norte que estavam nas unidades prisionais do Estado, principalmente com o traficante José Roberto Barbosa Fernandes, o “Zé Roberto da Compensa”, preso no Compaj até o último dia 20.

De acordo com o relatório das investigações da PF, João Branco figura como interlocutor em diversas mensagens trocadas com os demais membros do “conselho” e do “comando” da FDN e demonstra ser um dos mais ativos do “tribunal do crime” instituído pela facção no Amazonas, determinando ou autorizando diariamente a prática de crimes como assassinatos, roubos, sequestros, torturas, lesões graves, tráfico de drogas e de armas, lavagem de dinheiro, ameaças, extorsões e corrupção ativa, mesmo estando fugitivo há mais de um ano.

Ainda segundo as investigações da Polícia Federal, João Branco comanda uma das quatro “equipes” da FDN, denominada de “Potência Máxima”, formada por traficantes e homicidas.

De ‘avião’ a criminoso mais procurado

O traficante João Pinto Carioca, o “João Branco”, começou no crime ainda na juventude, como um “avião” - pessoa que distribui drogas da boca de fumo para o usuário - mas não demorou muito para se tornar independente, ter o seu próprio “negócio” e dominar o tráfico no  Mauazinho, Zona Leste.

Com o comando do tráfico, ele ganhou também visibilidade e passou a ser procurado pela polícia nos anos seguintes. A cada investida, o traficante conseguia escapar, de acordo com a polícia, com a ajuda dos moradores da comunidade, onde o grupo criminoso comandado por ele fazia assistencialismo, dando dinheiro a moradores para a compra de remédios e gás de cozinha.

Na época, aponta a polícia, ainda  não existia a facção criminosa FDN e o tráfico de drogas era comandado por grupos concorrentes, que tinham seus próprios territórios. Como o caso de José Roberto Barbosa Fernandes, o “Zé Roberto da Compensa”, que atuava no bairro da Zona Oeste; Luís Alberto Coelho, o “Bebeto da 14”, na Praça 14 de Janeiro, Zona Sul; e João Branco, no Mauazinho.

Preso em 2005 pela Polícia Federal, com 60kg de cocaína,  dois anos depois João Branco foi transferido para o presídio federal de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, onde estavam os presos como Fernadinho Beira-Mar, o traficante colombiano Juan Carlos Abadía e o mentor do assalto ao Banco Central de Fortaleza, José Reginaldo Girotti. João Branco voltou a Manaus em 2011 e foi levado para o regime fechado do Compaj. Progrediu para o semiaberto, de onde fugiu em março de 2014.

Delegado morto como vingança

João Branco é acusado de ser o mentor da execução do delegado de Polícia Civil Oscar Cardoso, dia 9 de março de 2014. Ele foi denunciado pelo Ministério Público Estadual (MPE), que aponta que o crime foi motivado pelo torpe sentimento de vingança, visto que João Branco entendia que um grupo de policiais presos na operação “Tribunal de Rua”, comandado pelo delegado Cardoso, teria sequestrado, extorquido e estuprado a mulher dele Sheila Faustino Peres, em 2013.

Segundo a denúncia do MPE, João Branco e Marcos Pará mandaram que Cardoso se ajoelhasse para morrer e João disse: “Não te avisei?”, antes de atirar mais de 20 vezes contra o delegado. João Branco é o único envolvido na morte do delegado em liberdade. Os demais suspeitos foram presos ou mortos.

Carnaúba fica no presídio federal

O narcotraficante e um dos líderes da facção Família do Norte, Gelson Lima Carnaúba, 41, vai permanecer no presídio federal de Catanduvas, no Paraná. A informação foi confirmada, ontem, pelo secretário de Administração Penitenciária (Seap), Pedro Florêncio.

Na semana passada, autoridades da Segurança Pública do Estado ficaram preocupadas com a possibilidade de retorno do traficante e a reaproximação dele com a facção após a FDN ter sido desmantelada pela operação La Muralla, da Polícia Federal.

Florêncio explicou que na última quarta-feira, o juiz federal Sérgio Fernando Moro, o mesmo da operação Lava Jato, acatou o pedido da PF do Amazonas pela permanência de Carnaúba em Catanduvas. “O Carnaúba era um dos alvos da operação La Muralla e o mandado de prisão contra ele foi cumprido lá mesmo, na semana passada. Assim, a PF daqui pediu para que ele ficasse lá em regime disciplinar diferenciado”, afirmou, ao complementar o que preso está isolado em uma cela.

Ainda segundo o secretário da Seap, a Polícia Federal tem um prazo de 90 dias para justificar o pedido de permanência de Carnaúba no presídio federal à Justiça Federal. Em janeiro, o traficante, que estava foragido do Amazonas, foi preso no Rio Grande do Norte pela Polícia Federal. Como a PF potiguar não cumpriu o prazo para justificar A manutenção dele em Catanduvas, o traficante seria devolvido para o estado.

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