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Cotidiano
Professora

Trajetória profissional: a vocação para o magistério de Ritta Calderaro

A experiência como professora de desenho no Instituto de Educação do Amazonas (IEA) ajudou Ritta Calderaro a, mais tarde, fazer as primeiras logomarcas e anúncios do jornal 26/06/2016 às 21:07 - Atualizado em 27/06/2016 às 20:01
acritica.com Manaus (AM)

Um lado pouco conhecido, mas fundamental para entender a trajetória empresarial de Ritta de Araújo Calderaro, é o passado como professora das redes pública e particular  de Educação no Amazonas.

Antes de se unir ao marido Umberto na aventura de  construir o jornal A Crítica, ela foi professora de desenho no Instituto de Educação do Amazonas (IEA), experiência que posteriormente lhe permitiu desenhar as primeiras logomarcas do jornal e fazer os primeiros anúncios publicitários do jornalismo amazonense.

“Eu gostava mesmo de desenhar, tinha um dom, desenhava mesmo com muita facilidade. O Umberto não tinha dinheiro para comprar os tipos e eu desenhava os títulos todinhos do jornal, a bico de pena. Eu fazia isto em casa mesmo. Às vezes, por telefone, ele ditava o título, dizia a altura da letra que ele queria, o corpo da letra, e eu fazia. Às vezes tinha até que repetir. Era trabalhoso”, contava.

Em outra frente de trabalho, Ritta dava aulas na Escola Premonitória do Bom Pastor, fundada pelo pai dela, o desembargador André Araújo, um dos pioneiros da assistência social no Amazonas. “Era uma escola para meninas que tivessem necessitando de um amparo, sem família, para sair da prostituição”, explicou em depoimento ao livro “A Crítica de Umberto Calderaro Filho”.

Numa terceira frente no magistério, Ritta Calderaro dava aulas no Instituto Montesoriano Álvaro Maia, que era uma escola para deficientes físicos. “Eu lecionava linguagem para surdos e mudos”, disse.

Essa vocação para o magistério deve estar na origem de projetos educacionais posteriormente abraçados pela Rede Calderaro de Comunicação (RCC), como a publicação em fascículos do Dicionário da Língua Portuguesa, os cadernos especiais para vestibulandos e o projeto A Crítica na Escola, que por vários anos levava exemplares do jornal para serem discutidos com alunos de escolas da rede pública estadual, sob a coordenação do  professor Waldir Costa, e cujo objetivo era fazer com os alunos uma reflexão sobre a cidade deles a partir das notícias cotidianas.

Para a tesoureira do jornal, Rosilda Carmelo da Silva Reis, essas experiências tornaram a empresária uma pessoa sensível, refinada e uma boa amiga que compreendia a alma e os problemas das pessoas próximas. “Aprendi muito com Ritta Calderaro, pois ela passava muitas coisas boas para gente”, lembrou. “Conversávamos bastante e posso dizer hoje que ela foi mais que uma amiga, hoje ela faz parte da família”, completou Rosilda.

Atuação marcada

O compromisso com outro inspirou o lema de A Crítica: “De mãos dadas com o povo”. Foi sob a presidência de Ritta Calderaro que a Rede Calderaro de Comunicação (RCC) desenvolveu uma campanha de ação social que lembra a origem da família dela na assistência social e no magistério: a campanha “Ame o Próximo”.

Desenvolvida durante anos da década passada, a campanha recolhia alimentos para serem distribuídos a famílias carentes no período de Natal e Ano Novo. Ela começou com caminhadas pelos bairros de Manaus para a coleta de alimentos, que posteriormente eram distribuídos aos carentes, mas foi ampliada para os Municípios de Presidente Figueiredo, Parintins e Itacoatiara, nos quais havia sucursais do jornal.

Pelo mérito da iniciativa, A CRÍTICA venceu, concorrendo com jornais do mundo todo, mais de 15 vezes o prêmio “International Newspaper Marketing Association”, o INMA, considerado o “Oscar” do marketing de jornais.

Foram iniciativas deste porte e os projetos educacionais que, segundo Ritta Calderaro, traduzem o espírito dos três bonecos (simbólo do jornal) desenhados por ela e o slogam criado pelo marido: “De mãos dadas com o povo”.

Os bonecos e o slogam também estão presentes em outras iniciativas da RCC e que contavam com o aval da presidente, como é o caso das transmissões de grandes festas pela TV A Crítica, como os Festivais de Parintins e das Cirandas de Manacapuru, bem como eventos como o “Peladão” e o programa “Peladão, O Reality”.

Robério Braga

O secretário de Estado de Cultura, Robério Braga: “Eu estava trocando a calça curta para a calça cumprida e ela foi minha primeira professora no meu primeiro dia de aula, na primeira aula do dia. Com nove anos de idade, subíamos as escadas do Instituto de Educação assustados, mas fomos (a turma) acolhidos por uma alma gentil, afetuosa e simples. Isso ficou marcado, tanto que eu a chamava e continuarei chamando de professora. Todo desempenho dela na vida, seja na área  empresarial ou na comunicação, em todos os projetos sociais  que ela participou,  ela atuava com simplicidade. Mesmo com toda elegância, sempre com o cabelo arrumado, ela era simples. Era uma mulher muito discreta, elegante, inteligente, que jamais ostentou qualquer poder ou posição”.

Baby Rizzato

“Uma mãe perfeita e uma avó abnegada. A gente chora a ausência dela, mas a alma já está há muito tempo no céu”, disse Baby Rizzato, amiga e apresentadora.

Lourenço Braga

“E foi essa coragem, própria dos bons e dos fortes, que legou a Cristina, como aos que dela vieram”, disse Lourenço Braga, ex-reitor da UEA.

Júlio Lopes

“Dona Ritta foi exemplo de dignidade, de trabalho, exemplo sobretudo de amor  ao jornal”, Júlio Lopes, amigo e advogado.

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