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Transporte irregular em kombis é a preferência entre a população

Alegando precariedade dos ônibus, usuários se arriscam no transporte clandestino em bairros da Zona Norte e Leste de Manaus 18/01/2015 às 14:42
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120 kombis-lotação circulam pela capital fazendo transporte clandestino de passageiros
NATÁLIA CAPLAN Manaus (AM)

Falta de linhas que atendam áreas distantes, ônibus lotados, sujos e com manutenção precária, horas de espera nos pontos, imprudência e falta de respeito dos motoristas. Essas são as motivações citadas por quem decidiu não depender do transporte público de Manaus e “migrou” para as kombis-lotação. O trabalho é considerado clandestino pela Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU), mas ganha força a cada dia.

De acordo com a categoria, na capital existem aproximadamente 120 veículos, organizados em três cooperativas, que vivem na “brecha” do sistema. Eles sobrevivem há 15 anos graças à própria população, que demonstra insatisfação com os coletivos convencionais. “Já cheguei a esperar até três horas pelo ônibus. Não basta a demora, ainda vem lotado”, disse a dona de casa Francisca de Souza, 63. “Sem contar que alguns estão caindo aos pedaços”, completou.

Moradora do Residencial Viver Melhor, no Santa Etelvina, Zona Norte, ela também citou a forma como os condutores dirigem e tratam os passageiros. “Eles correm muito, dão freadas bruscas. Não têm respeito algum”, enfatizou. Auricélia Pereira, 45, vive no mesmo conjunto e concorda. “Na kombi consigo ir sentada e chegar cedo em casa. Nos ônibus, ficamos à mercê deles, não temos valor”, declarou a produtora rural.

Como elas, Kleson da Silva Edines, 24, é a favor da regularização dos chamados “kombeiros”. O eletricista automotivo reclama da falta de opções para lugares mais distantes. Ontem, ele decidiu pagar pelo transporte irregular, com saída da Bola do Produtor, na Zona Leste, para não correr o risco de se atrasar ou perder a prova de direção no Centro de Treinamento e Exames de Direção Veicular do Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran), no Santa Etelvina.

“Se eu fosse depender de ônibus comum, eu teria que sair de casa com pelo menos quatro horas de antecedência. Além de só ter uma opção, eu nem sei qual é. Eu só sei que roda muito e ainda para no Terminal 4 (Jorge Teixeira). Precisa melhorar a segurança e a organização das kombis, mas a vantagem é que elas são mais rápidas”, afirmou, ao ressaltar um detalhe: a diferença de valores de tarifa entre kombis e ônibus convencionais é de apenas R$ 0,25. Enquanto a tarifa de ônibus é R$ 2,75, a passagem nas kombis custa R$ 3.

Raimundo Edines, 22, foi outro que decidiu não depender mais do transporte urbano oferecido pela Prefeitura de Manaus para usufruir dessa “rapidez”. Residente no bairro Tancredo Neves, Zona Leste, ele criticou a limitação aos ônibus alternativos, que só podem rodar em lugares autorizados pela SMTU. “Se os amarelinhos fossem mais longe, ajudaria muito. Mas nenhum é rápido como a kombi”, opinou o conferente de estoque.

REGULARIZAÇÃO INVIÁVEL

De acordo com o presidente da Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU), Pedro Carvalho, não existe a possibilidade de regularizar a atuação dos motoristas de kombi-lotação. A saída é dar continuidade à licitação suspensa pelo Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM) em abril do ano passado. O certame é de concessão de 120 permissões para micro-ônibus executivos e 200 para os alternativos - existem 260 “amarelinhos” em Manaus.

“Na lei de transporte coletivo não há essa modalidade. Kombi é um veículo em extinção, saiu de circulação, nem é mais produzido. Legalizar esse serviço não depende de SMTU, pois não temos leis que amparem esse serviço”, declarou, ao ressaltar que qualquer pessoa pode participar da licitação, assim que a mesma for liberada pelo TCE. “Quem tem interesse em trabalhar nessa área de transporte é só se inscrever”, informou.

Na opinião do dirigente, a capital amazonense precisa de transportes de alta capacidade, como o Bus Rapid Transit (BRT), para melhorar a mobilidade urbana. “Estamos estudando projetos. Temos que pensar na coletividade”, afirmou ao citar as desvantagens do transporte clandestino. “Não há gratuidade ou meia passagem. E um veículo que não é mais produzido é perigoso em termos de segurança”, concluiu.

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