Domingo, 20 de Outubro de 2019
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Transtorno mental e dores no corpo são as principais causas dos afastamentos de policiais civis

Conforme a pesquisa, os delegados  foram os que mais apresentaram problemas de saúde. No período da pesquisa 176 foram afastados para tratamento médico e as delegadas são a maioria



1.png Delegado Paulo Sampaio usou como fonte de pesquisa todos os atestados de licença médica da junta médica pericial da SSP, em 2012.
16/08/2015 às 20:05

Uma pesquisa realizada pelo delegado da Polícia Civil Paulo Sampaio apontou que o maior percentual de afastamento por licença médica de servidores da PC no Estado está relacionado a doenças de transtornos mentais, seguido de doenças de músculos esqueléticos (doenças relacionadas a dores no corpo), e por último, pelas doenças do aparelho cardíaco.  As mulheres representaram 100% como portadoras dessas doenças.

Os dados estão descritos na tese de mestrado em Segurança Pública, Direitos Humanos e Cidadania da UEA apresentada em 2012. Sampaio disse que pelas suas verificações,  a pesquisa, na época, apareceu como a pioneira no assunto no Amazonas e provavelmente no Brasil. “Só há uma semelhante, mas  com policiais militares, no Rio de Janeiro, e em Santa Catarina com policiais federais.  Sampaio titulou a sua tese de “Policial Bom é Policial Vivo”



Sampaio explicou que a pesquisa teve como objetivo conhecer as principais causas de adoecimentos que acarretam os policiais civis do Amazonas. Ela foi realizada em cima  de dados  de 2012 e ele usou como fonte de pesquisa todos os atestados de licença médica  oriundos da junta médica pericial da Secretaria de Segurança Pública (setor  por onde o policial passa para obter a licença médica).

“Eu tive que calcular a taxa dos policiais afastados  por motivos de doenças, identificar os principais tipos de doenças, segundo  causas e grupos de acordo com a classificação  internacional de doenças,   relacionar esses afastamentos com idade, sexo e o cargo que ocupavam assim como o nível de escolaridade de cada um”, revelou Sampaio.  O delegado trabalhou com grupos de delegados, escrivães, investigadores, peritos criminais e legistas.

A população pesquisada foram investigadores, delegados, escrivães e  peritos  ativos e os que foram  afastados por licença pra o tratamento de saúde no período de janeiro a dezembro de 2012. De acordo com Sampaio, na época existiam na polícia 2.672 funcionários, desses  542 foram  pesquisados. A pesquisa mostrou que aproximadamente 20%  do quadro de funcionários ficaram afastados por atestado médico.

Conforme a pesquisa   os delegados  foram os que mais apresentaram  problemas de saúde. No período da pesquisa 176 foram afastados para tratamento médico e as delegadas são a maioria.  “Há  hipótese,   que precisa ser estudada,  que deve-se a jornada dupla de trabalho que elas tem. Além  de ser policial, a delegada  chega em casa e enfrenta mais uma jornada. Na relatividade da taxa, elas são as que mais adoecem” revelou o delegado.

Os servidores com mais de 15 anos, na questão de doenças psiquiátricas, registraram maior taxa de incidência, depois os delegados (as) alcançaram taxas mais elevados estatisticamente quando comparados com os investigadores. A depressão aparece na pesquisa como a principal doença, com 30,8 % de casos,   seguido pelo estresse pós-traumático, transtorno do pânico e transtorno bipolar.

No grupo de doenças músculo e esqueléticas as mulheres apresentaram índices maiores que os homens e os delegados (as) foram que mais apresentaram esse tipo de situação, sendo l a lombalgia a principal, com 40% dos causos.  Já as doenças cardiovasculares  aparecem quanto maior a idade e o tempo de serviço. “

Para o delegado Paulo Sampaio,  a dependência química é um problema sério na classe policial, porque a maioria dos que são dependentes não declara ser, embora  os sintomas sejam visíveis  e também muitas vezes  fica claro nas conversas com as famílias. Isso ocorre, segundo Sampaio, primeiro que ele tem medo que a instituição o  discrimine e  ele venha ser expulso, mas  alguns estão perdendo o medo.

De acordo com a assessoria de imprensa do Centro de Reabilitação em Dependência Química Ismael Abdel Aziz, na estrada AM-010, não há registro de nenhum policial civil ou  militar que tenha procurado tratamento no local.

‘É um trabalho lento, mas dá resultado’

Para o delegado Paulo Sampaio, depois das informações  obtidas pela pesquisa, foram criados mecanismos  que apresentam mudanças no quadro da qualidade de vida dos  policiais. É um trabalho lento, mas que dá resultado.

 “Quando concluí a pesquisa, a minha  primeira preocupação foi constituir um corpo técnico formado por profissionais  de saúde formado por enfermeira, auxiliar de enfermagem,  psicólogo e assistente social”, destacou.

Atualmente, ele é o diretor do Departamento de Controle e Avaliação (DCA) da Polícia Civil, hoje, quando  chega uma  licença médica   com mais de 30 dias, o servidor passa  ser acompanhado  sistematicamente pela equipe de profissionais de saúde.  A média atual de servidores que adoecem por mês é de  90 a 102  policiais.

Antes de 2012 era mais de 250 por mês “Isso me assustou  e me motivou a fazer  a pesquisa. Dos  doentes que eu identifiquei,  muitos foram recuperados e voltaram a trabalhar. Conseguimos encaminhar três policiais dependentes químicos  para tratamento na Escola Fazenda e ficaram um ano em tratamento.  Dos três, dois concluíram”, disse Sampaio.

De acordo com o delegado, o pior para ele foi quando fazia o mapeamento da pesquisa e descobriu colegas que estavam com câncer,  outros com transtorno de pânico, mas  que estavam isolados dentro de casa e a família sem saber o que fazer, sem apoio institucional para eles.


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