Domingo, 23 de Fevereiro de 2020
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Travesti traficado depõe em CPI no AM

A Travesti amazonense revelou detalhes de organização criminosa; no AM, situação de Iranduba preocupa



1.jpg Bruna Valadares disse aos membros da CPI que tentou fugir várias vezes de cativeiro em São Paulo e que apanhava sem motivo
11/12/2012 às 08:39

Um depoimento sobre o poder de uma grande rede de tráfico humano de São Paulo, feito pelo travesti Bruna Valadares foi um dos destaques na Audiência Pública da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o Tráfico Nacional e Internacional de Pessoas, realizada ontem, na Assembléia Legislativa do Amazonas (ALE-AM). Além disso, asdeclarações do delegado de Iranduba (a 27 quilômetros de Manaus), Elci Barroso, negando a gravidade das denúncias sobre aliciamento e exploração sexual infantil naquela cidade, também marcou a audiência.

Bruna Valadares, de Parintins (a 369 quilômetros de Manaus), foi mantida como “escrava do sexo” durante quatro meses, no interior de São Paulo, por uma quadrilha especializada em tráfico de pessoas.



Os senadores Paulo Davim (PV-RN) e Lídice da Mata (PSB-BA), além da senadora Vanessa Grazziotin (PC do B-AM) que preside a CPI no Senado Federal, comandaram os interrogatórios. Estiveram presentes representantes de várias entidades envolvidas no combate a este tipo de crime no Amazonas além de deputados estaduais e vereadores. Os questionamentos ocorreram, principalmente, em torno dos constantes desaparecimentos de menores de idade na cidade de Iranduba.

Tensão
A reunião ficou tensa quando o delegado de Iranduba, Elci Barroso, negou a existência de uma rede de aliciamento e exploração sexual de menores atuando na cidade. Foi motivo de protestos a forma como o delegado definiu os nove casos de adolescentes que, vítimas de aliciadores a serviço da prostituição, sumiram de casa. “Oito delas saíram por livre e espontânea vontade. Todas voltaram para casa e, no depoimento, disseram que fizeram isso porque quiseram. Essa tal de boate Fênix (suposta casa de exploração sexual infantil em Manaus) não existe. É invenção da imprensa, procuramos em toda Manaus e não achamos. Pode ser coisa da imprensa”, declarou Barroso.

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