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Cotidiano
ELEIÇÕES 2016

TRE-AM vai ao interior e realiza eventos em prol de um pleito mais limpo

Escola Judiciária Eleitoral promove palestras sobre direito eleitoral nos municípios para conscientizar eleitores e candidatos. Ela passará por 11 cidades do interior e encerrará com grande evento na capital 29/06/2016 às 11:34 - Atualizado em 29/06/2016 às 11:38
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Equipe da Escola Judiciária Eleitoral, do TRE-AM, estará hoje e amanhã no município de Coari. Depois seguirá para São Gabriel da Cachoeira e Barcelos (Foto: Arquivo AC).
Lucas Jardim Manaus (AM)

Hoje, a Escola Judiciária Eleitoral começa uma série de palestras abertas e gratuitas sobre direito eleitoral em Coari, município a 363 quilômetros de Manaus com um histórico de eleições violentas e governos instabilizados por denúncias de crimes.

O evento faz parte de uma iniciativa da Justiça Eleitoral em levar o conhecimento sobre a legislação relacionada aos pleitos do País para o interior do Estado pela primeira vez e engajar políticos, advogados e a sociedade em geral na luta por uma eleição mais limpa.

“Já passamos por Itacoatiara, Manacapuru e Tefé e ainda vamos passar por outras oito cidades depois de Coari, muitas delas simultaneamente, terminando em Manaus com um evento maior. Em Coari, com todas as situações pelas quais viveu o município, especificamente, reservamos o maior auditório da cidade e estamos esperando 400 pessoas, ou seja, nosso maior evento fora da capital. É importante a população ir e saber que pode colaborar com a eleição se unindo nessa força-tarefa junto com a Justiça Eleitoral, o Ministério Público e a imprensa. Juntos, nós podemos mudar a situação dos pleitos no interior, que vemos desde sempre”, disse o coordenador da escola, Fued Cavalcante Filho.

Cada um dos eventos dura dois dias, com o primeiro tratando de registro de candidatura e propaganda eleitoral e o segundo focando na prestação de contas. Segundo Fued, há uma carência de informação no interior, principalmente por conta da dificuldade de acesso a informação nessas cidades e da minirreforma eleitoral promovida pela Lei 13.165/2015, que já vale para a campanha deste ano.

“É a primeira vez que a EJE está interiorizando essas atividades, porque elas sempre aconteciam em Manaus, obrigando os interessados a se deslocarem para cá. A gente sabe das deficiências dessas cidades, principalmente na questão informacional. Tem aqueles que agem de má-fé, mas a maioria dos erros eleitorais acontece por desconhecimento. Nosso objetivo é levar essas informações e ter menos problemas na eleição. Menos processos, menos políticos envolvidos em denúncias e uma população mais esclarecida. No final das contas, o maior beneficiário disso será o eleitor”, declarou Fued.

O coordenador da escola também destacou que a população tem correspondido às expectativas, com uma média de 200 pessoas comparecendo a cada evento. “Você nota que as pessoas estão ávidas por esse conhecimento. Elas querem saber e isso empolga e motiva a gente. Nossa meta é que todo o Estado, de alguma maneira, tenha acesso às palestras, em qualquer um dos doze municípios onde as realizaremos esse ano. Quem não conseguir ir a um dos onze no interior, ainda poderá vir a Manaus para o grande seminário de encerramento que pretendemos realizar em agosto”, concluiu.

Coari se destaca pela instabilidade

Coari é o município mais rico do interior do Estado e tem assistido várias gestões municipais caírem e gerando um clima de instabilidade política generalizada desde a virada dos anos 2000. Apenas nos últimos sete anos, o município teve oito prefeitos e uma de suas figuras políticas mais influentes, Adail Pinheiro, se encontra preso.

Em 2009, o Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) cassou o mandato do então prefeito Rodrigo Costa e do vice dele, Leondino Mendes por abuso de poder político e econômico na campanha eleitoral de 2008. Eles foram denunciados por terem doado mais de R$ 4 mi em prêmios, destinados a mães coarienses, durante uma festa promovida pela Prefeitura do município.

As eleições suplementares que sucederam a denúncia levaram Arnaldo Mitouso à Prefeitura, no entanto, o Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas (TJ-AM) o condenou, em 2011, pelo assassinato, em 1995, do então prefeito de Coari Odair Carlos Geraldo. Após recurso, a segunda instância da Corte manteve a decisão em 2012.

Nesse ano, Adail Pinheiro foi eleito, porém, em 2014, ele foi condenado tanto pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que cassou seu mandato por concluir que ele era “ficha suja”, tanto pela Justiça Comum Estadual, por abuso sexual de crianças e adolescentes.

Seu vice, Igson Monteiro assumiu o cargo de prefeito, apesar de também ter tido o mandato cassado pela decisão do TSE que retirou Adail da Prefeitura de Coari.
Enquanto sua defesa buscava uma forma de sustar os efeitos da decisão da instância de Brasília e convocar novas eleições, a instabilidade política no município chegara a tal ponto que o protesto mais violento de sua história ocorreu em 2015: manifestantes atacaram a sede da prefeitura, da Câmara e atearam fogo em imóveis e veículos.

Por conta do episódio, Igson acabou renunciando e deixou o irmão Iliseu Monteiro, presidente da Câmara, no posto de prefeito. Com a anulação da eleição da Câmara pela Justiça, o vereador Carlos Batista, o mais velho, assumiu o comando do município.Depois foi substituído pelo novo presidente do Legislativo, Iranilson Medeiros. O atual prefeito de Coari é Raimundo Magalhães, segundo colocado na eleições de 2012 que assumiu o cargo em abril do ano passado.

Próximas palestras

Coari
29 e 30 de junho
São Gabriel da Cachoeira
7 e 8 de julho
Barcelos
7 e 8 de julho
Carauari
21 e 22 de julho
Humaitá
21 e 22 de julho
Borba
27 e 28 de julho
Parintins
27 e 28 de julho
Tabatinga
27 e 28 de julho
Manaus
1º, 2 e 3 de agosto

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