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Três pecados capitais

Jimmy Robert planejou as três mortes movido pela ira, pela avareza e a soberba. Confira na íntegra a entrevista exclusiva do publicitário ao Jornal A Critica. 25/01/2013 às 20:09
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O publicitário foi transferido para Unidade Prisional de Puraquequara
Mônica Prestes Manaus (AM)

Após passar mais de 24 horas na Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), o publicitário Jimmy Robert Brito, 33, foi transferido para a Unidade Prisional de Puraquequara por volta de 1h30 de ontem. Na saída, ele recebeu um abraço da mãe do comparsa Ruan Pablo - ele foi o único dos três suspeitos presos que não recebeu visita de familiares.

Mas, antes, ele concedeu uma entrevista exclusiva para A CRÍTICA, onde confessou ter participado do assassinato do pai, de uma tia e uma prima, entre a noite de segunda-feira e a madrugada de terça, e contou, com detalhes, como e por que planejou a execução – com requintes de crueldade – dos três familiares. O processo sobre o crime já foi encaminhado ao juiz Anésio da Rocha, da 3ª Vara Criminal.

Ainda com a mesma roupa com a qual estava quando foi preso, o publicitário disse estar arrependido e disposto a pagar pelos crimes que cometeu. Algemado a uma cadeira, em meio a delegados e policiais civis, ele aparentava serenidade, apesar das lágrimas quando o assunto era a mãe, Sandra, ou o namorado, Rodrigo, que também foi preso e confessou o crime. Os detalhes dessa entrevista você confere agora.

Opção sexual

“Meu pai sabia que eu era homossexual, só não sabia que o Rodrigo era meu namorado e também meu único parceiro. Foi minha tia Gracilene quem contou pra ele, porque eu pedi pra ela fazer isso, queria saber a reação dele ao descobrir, que não foi boa. Já, minha mãe, eu sentia que sempre soube e sempre me apoiou, até no leito (de morte). Depois que ela morreu, saí do apartamento da tia Gracilene porque quis e fui morar na Praça 14, onde eles me aceitam como eu sou.”

Namorado

“Eu já conhecia o Rodrigo de vista, do bairro (São Raimundo). Depois da morte da minha mãe, voltei para lá. Uma vez ofereci carona para ele e começamos a nos aproximar. Naquela época eu estava perdido, fiquei carente depois da morte da minha mãe, precisava de um carinho, um amparo, de alguém que me desse amor. Encontrei no Rodrigo o que eu precisava e nosso relacionamento tem três meses. Apostei a minha última carta em um sentimento que não era verdadeiro.”

Vingança

“Uma semana antes do Natal, meu pai e eu tivemos essa discussão. Ele falou barbaridades que um pai nunca deveria dizer a um filho. Na hora, fiquei com raiva, queria dar um murro nele, mas não fiz. Depois dessa discussão comecei a conversar com o Rodrigo sobre meu pai e essas ideias (de assassinato) foram surgindo. Oportunidade eu tinha, mas isso nunca tinha passado pela minha cabeça. O Rodrigo deu a ideia. Pensamos muito e encontramos nisso uma solução para o problema dele e o meu. Agi por raiva.”

Herança

“O crime não foi motivado pela herança. Meu pai nunca conversou comigo sobre o dinheiro dos barcos. Ele não tem mais barcos há muito tempo, e eu sabia que não era viável. Até porque ele vivia do aluguel de um galpão e da aposentadoria da minha mãe, de R$ 3,5 mil. Mas eu prometi, sim, para eles (Pablo e Rodrigo) que ia dividir a herança que eu recebesse com eles, apesar de não saber de quanto era, ao certo. O que eu sabia é que meu pai tinha esse galpão, a casa e um viveiro de peixes no rio Negro.”

Planejamento

“Planejamos (ele e Rodrigo) os crimes por três semanas, todos os dias, várias vezes por dia. Estávamos sempre juntos. Pensamos em tudo, todos os detalhes, para não dar nada errado e não sermos pegos. Parecia muito simples. O plano não tinha sangue. A ideia era matar (as vítimas) asfixiadas e depois enforcar, para simular um latrocínio. Tínhamos certeza de que nada ia dar errado. Mas, para isso, ele (Rodrigo) teria que ficar ao meu lado quando tudo isso viesse à tona.”

Tia e prima

“Eu nunca tive nenhum problema com a minha tia. As únicas desavenças que tive com ela eram relacionadas ao meu pai, porque ela o apoiava, mesmo quando ele estava errado com relação a mim. A tia Gracilene e a Gabriela entrarem no jogo foi mérito do Rodrigo. Ela, de certa forma, era um obstáculo, não porque iria receber herança, mas porque ela não ia deixar o assassinato do meu pai por menos. Ela ia fazer de tudo até esclarecer o crime e descobrir meu envolvimento. Não podíamos ser surpreendidos.”

Execução

“No dia do crime, fui ao apartamento da minha tia buscar uma agenda e aproveitamos a oportunidade. Liguei para a empregada, avisando que estava indo lá. Ela já tinha ido embora. Eu tinha as chaves e, apesar de não morar mais lá, ainda ia algumas vezes. Enquanto eles (Rodrigo e Pablo) matavam as duas (Gabriela e Gracilene), fiquei lá em baixo, dentro do carro, esperando. Ainda pensei em desistir, mas não quis desapontar o Rodrigo e, além disso, tinha prometido a herança a eles, então fomos até o fim, sem recuar.”

Confissão

“Fiquei esse tempo calado porque precisava de um sinal, que eu tive hoje (quarta-feira). Estou arrependido e vou pagar pelas coisas que fiz. Eu disse para ele (Rodrigo) que, quando isso tudo viesse à tona, ele teria que me apoiar. Mas quando perguntaram se ele cometeu os crimes por amor, ele disse que foi só pela herança. Se eu disser que não gosto dele, estou mentindo. Mas o sentimento não é igual. Quando estava depondo, vi uma luz e a imagem da minha mãe atrás dela, com o semblante de quem me pedia pra falar a verdade.”

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